As Doenças Emergentes no Século XXI

O aparecimento de novas doenças e o aumento da incidência daquelas já conhecidas caracterizam as doenças emergentes atuais. Estudos revelam que doenças psicossomáticas relacionadas  com o tipo de vida que as pessoas levam são as que estão mais em alta quando analisamos os problemas de saúde do mundo moderno. As mudanças nas decisões sobre a alocação de recursos, tanto para a saúde pública quanto para as pesquisas, bem como uma discussão ética e a necessidade de melhorar o padrão de vida da população, são condições indispensáveis para enfrentar estes graves problemas de saúde pública. Nesta edição, Linha Aberta apresenta as principais doenças emergentes do século XXI.

SÍNDROME DE BURNOUT
A síndrome de Burnout se caracteriza pelo esgotamento emocional, mental e físico causado e ampliado pelo estresse relacionado ao trabalho. Esses efeitos podem igualmente transbordar para a vida social e pessoal do indivíduo.
O termo ‘burnout’ foi cunhado por psicanalistas norte-americanos cerca de 25 anos atrás. Em países industrializados, o ‘burnout’ tem estado cada vez mais no centro das atenções como parte dos debates sobre um equilíbrio satisfatório entre a vida pessoal e professional.

OBESIDADE
Uma ampla variedade de alimentos processados, contendo excesso de gorduras e açúcar e a falta de atividade física são duas das principais causas da obesidade, uma das doenças crônicas mais disseminadas atualmente. A obesidade aumenta o risco de desenvolver problemas correlatos, como diabetes e doenças cardíacas.
Os sintomas debilitadores e de longo prazo que frequentemente acompanham doenças crônicas irão se expandir em uma sociedade que está envelhecendo. Indivíduos e países enfrentarão custos crescentes dos serviços de saúde que poderiam levar a uma qualidade inferior nos serviços e menos opções de tratamentos alternativos.

SÍNDROME DA VISÃO DE COMPUTADOR
Se a leitura costumava ser a razão principal para o cansaço da vista, hoje ela foi substituída pelo uso do computador. Embora os monitores de computador não façam mal aos olhos diretamente, existem muitos sintomas relacionados à vista a considerar.
De acordo com a Associação Americana de Optometria, dores de cabeça, olhos secos, visão borrada ou duplicada, dificuldade de focalização e a sensibilidade à luz compõem a Síndrome da Visão de Computador (CVS). Cerca de 75% dos usuários de computador já apresentaram um ou mais desses sintomas.

Degenerescência macular da idade
A degenerescência macular da idade ou DMI afeta a mácula, o centro da retina que nos permite ver os menores detalhes. Isso causa um escurecimento ou sombreamento da visão central. Os pacientes são incapazes de ler ou de focalizar objetos. No trânsito esse problema se torna extremamente perigoso, pois os pacientes não conseguem perceber em tempo as situações de risco. É absolutamente impossível dirigir com DMI.
A idade é o fator de risco primário para essa doença. Hoje, a DMI afeta 1,75 milhão de norte-americanos, e esse número deve crescer para cerca de três milhões até 2030. Pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram que fumar aumenta o risco de desenvolver DMI, indicando-o como o segundo fator de risco mais comum.

Perda da audição
O uso crescente de MP3 players e outros aparelhos de áudio portáteis faz com que os jovens desenvolvam o tipo de perda auditiva que normalmente se associa a gente bem mais velha. A causa são os plugues de ouvido, um tipo de fone de ouvido que se encaixa dentro da orelha, mas não filtra o ruído ambiente.
Para conseguir ouvir música, o volume tem de subir a 110 ou 120 decibéis, o que é suficientemente para provocar o enfraquecimento da audição depois de apenas uma hora e 15 minutos. Os fones de ouvido que são colocados do lado externo da orelha ajudam um pouco, já que o ruído ambiente é eliminado.

E-trombose
A trombose de veias profundas é a formação de coágulos de sangue que entopem as veias. Se esses coágulos migram para os pulmões e causam embolia, a trombose é fatal. Os coágulos se formam ao longo de um período de imobilidade, quando o fluxo de sangue é brecado ou fica mais lento.
Esse problema é bem conhecido por passageiros frequentes dos voos de longa distância. Pesquisadores da Nova Zelândia descobriram que computadores também podem ser um fator de risco, pois mais e mais pessoas passam um tempo enorme diante dos seus PCs sem se movimentarem, embora só uns poucos casos tenham sido efetivamente reportados.

Transtorno da ansiedade
Todo mundo é ansioso em um aspecto ou outro, porém o transtorno da ansiedade em geral se caracteriza por uma preocupação excessiva que é totalmente desproporcional à causa. Estudantes de faculdade se preocupam com as provas, assalariados se preocupam com o fracasso. Contudo, questões abstratas e de maior relevo na vida moderna, tais como o terrorismo ou a crise econômica, também podem causar ansiedade.
O transtorno da ansiedade social significa que, apesar de todas as possibilidades de se comunicar em um mundo globalizado, as pessoas se sentem aprisionadas nele. De acordo com as instituições de saúde dos Estados Unidos reunidas sob a sigla National Institutes of Health – NIH, pessoas com ansiedade social temem constantemente serem observadas e julgadas por quem está em volta.

Síndrome doedifício doente
Sua casa ou escritório podem te fazer adoecer? Segundo a agência de proteção ambiental dos Estados Unidos, a Environmental Protection Agency – EPA, isso é possível. A Síndrome do Edifício Doente (SED) descreve uma situação onde os ocupantes de um edifício sentem sua saúde se deteriorar mesmo que nenhuma causa específica seja encontrada. Os sintomas incluem dor de cabeça, tosse seca, tontura e enjoo.
A principal causa da SED é a falta de ar fresco. Encher o edifício de isolamento ou tentar manter as temperaturas internas em um nível constante pode reduzir os custos de energia, mas ao mesmo tempo mantém o edifício selado. Os sistemas de ventilação e ar-condicionado precisam trabalhar duro para reciclar o ar, e nos edifícios modernos abrir as janelas para deixar o ar fresco circular pode não ser possível. A EPA calcula que cerca de 30% dos edifícios americanos poderiam estar “doentes” e recomenda inspeções mais frequentes dos sistemas de AVAC e melhora da ventilação natural.

Ortorexia nervosa
Múltiplos escândalos sobre contaminação alimentar fazem muita gente se perguntar se é possível encontrar alimentos seguros. O fluxo constante de informações sobre alimentação, saúde e nutrição é desnorteante e esmagador. Alimentar-se de modo saudável pode se tornar uma obsessão e constitui um novo tipo de transtorno alimentar denominado ortorexia nervosa. A pureza nutricional é a meta visada pelos que sofrem desse transtorno.
Buscar uma alimentação saudável obviamente não é problema, mas ficar obcecado com isso, sim. Os pacientes de ortorexia nervosa tipicamente passam mais de três horas por dia pensando em escolhas alimentares saudáveis. Eles não têm prazer em comer, mas se sentem virtuosos por seguirem sua dieta rigorosa. Eles podem até ficar socialmente isolados, uma vez que comer fora não é mais possível.

O estresse e o corpo Feminino

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o estresse, em suas mais variadas formas, atinge perto de 90% da população do planeta. Levando em conta o caos no trânsito e a pressão no trabalho vivida nos grandes centros urbanos, esse dado não chega a causar tanto impacto à primeira vista. Mas o estresse está associado ao desenvolvimento de uma série de doenças, tais como câncer, hipertensão, depressão, diabetes, asma e psoríase, entre outras. Em excesso, substâncias produzidas durante o estresse prejudicam a imunidade.O estresse pode colaborar para o surgimento de diversos problemas de saúde. Veja alguns e saiba como eles afetam o corpo feminino:

Obesidade: quem é muito ansiosa e estressada acaba comendo sem perceber – isso sem contar que o metabolismo acelerado aumenta o apetite. Assim, o ponteiro da balança não demora a acusar os quilos extras.

Problemas na pele: em situações estressantes, o corpo da mulher pode produzir uma quantidade maior de testosterona, o hormônio masculino. O resultado disso é o surgimento de acne, espinhas e muita oleosidade. E não para por aí: de acordo com uma pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro (SBD-RJ) com 50 mil pacientes, um terço dos que apresentavam problemas de pele, como psoríase, vitiligo e herpes labial, sofria influências emocionais, como estresse, depressão ou ansiedade.

Rugas: para piorar a situação, elas aparecem mais cedo. Isso porque, além de o estresse estimular a fabricação de radicais livres (moléculas que favorecem o envelhecimento da pele), a pessoa que vive estressada está sempre com os músculos da face franzidos.

Irregularidade menstrual: o ciclo pode sofrer uma reviravolta por causa do estresse. Em alguns casos a mulher chega até a parar de menstruar.

Menopausa precoce: pesquisadores da Universidade de Versailles, na França, analisaram 1.500 mulheres com 50 anos ou mais e descobriram que as mais estressadas no trabalho tinham maior tendência a iniciar a menopausa bem antes da idade média de 52 anos.

Infertilidade: casais com nível de ansiedade elevado podem ter o sistema reprodutor comprometido e, por isso, apresentar dificuldade para engravidar. Não é à toa que muitas mulheres se descobrem grávidas depois que se esquecem do assunto.

Problemas gastrointestinais: a tensão constante pode causar prisão de ventre, diarréia, gastrite e úlcera.

Câncer: de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e publicado na revista Nature, o estresse seria capaz de emitir sinais para que as células desenvolvam tumores.

Doenças da boca: pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Piracicaba e da Universidade Estadual de Campinas publicaram um estudo no qual observaram que pessoas estressadas estão mais propensas a desenvolver doenças periodontais – que atingem o conjunto de tecidos ao redor dos dentes.

Doenças cardíacas: um estudo realizado com servidores públicos em Londres e publicado na revista científica European Heart Journal, avaliou que aqueles com idade abaixo de 50 anos e portadores de estresse crônico tinham 68% mais chance de sofrer com doenças cardíacas quando comparados aos funcionários que atuavam em ambiente livre de estresse.

Qualidade de vida
Cabe lembrar que o estresse não só afeta a saúde como também a qualidade de vida. “Normalmente quem está estressado tem dificuldade de se relacionar e se divertir, pois fica muito voltado para o fator estressor”, afirma Lúcia Novaes, professora do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente da Associação Brasileira de Stress (ABS).
É importante ressaltar também que pessoas extremamente estressadas têm como sintomas a hipersensibilidade emotiva e a irritabilidade. Essa combinação pode ser explosiva e contribuir para reações violentas em diversos contextos, como após uma ‘fechada’ no trânsito, uma bronca do chefe ou uma reclamação do marido.

Tratando o problema
Para evitar que o estresse tenha um efeito devastador sobre a vida e a saúde, é necessário ficar de olho nos sintomas e puxar o freio de mão caso eles apareçam com freqüência no cotidiano. O estresse excessivo se mostra através de muito cansaço (inclusive ao acordar), problemas de memória, pesadelos constantes, hipersensibilidade, irritabilidade exagerada, perda do interesse sexual, doenças físicas ou emocionais, como depressão e transtornos de ansiedade.

Praticar exercícios físicos, adotar uma alimentação balanceada, utilizar de técnicas de relaxamento e respiração profunda e ter uma visão realista dos acontecimentos estão entre as estratégias mais empregadas na prevenção e no controle do estresse. Se mesmo assim for difícil regular os níveis de tensão, é melhor procurar ajuda profissional. Muitas vezes, é necessário contar com o auxílio de um psicólogo especializado em estresse e de um médico – caso já apresente alguma doença, como hipertensão ou úlcera. O tratamento envolve quatro áreas: atividade física, técnicas de relaxamento e respiração profunda, orientação em relação à alimentação e abordagens psicológicas para aprender a lidar com o estresse. Trata-se de uma mudança no estilo de vida.

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