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‘O Protetor’: um Denzel Washington impecável

Na sétima arte, situações previsíveis, ou melhor dizendo, os clichês, costumam ser um subterfúgio para muitos roteiristas e diretores preguiçosos que, na sua escassez de criatividade, os usa para “costurar” uma história. Claro que isso pode até ser uma maneira divertida de afagar o subconsciente do espectador com um “lugar comum” os fazendo pensar frases do tipo, “não falei?”, “eu sabia!”. Àquela sensação de orgulho tão preciosa quanto a de receber uma medalha de honra ao mérito. Porém, sagaz é aquele que, a partir de personagens caricatos envoltos em situações batidas , constrói uma trama super criativa que você não consegue desgrudar os olhos da tela nem um segundo. O blogueiro do SRZD assistiu a “O Protetor”, que estreia nessa quinta (25/09), e saiu extasiado da exibição.

Depois de um hiato de quase quinze anos, o ator Denzel Washington e o diretor Antoine Fuqua voltam a unir forças, retomando a parceria de sucesso que nos brindou com o sensacional “Dia de Treinamento”, e deu a Denzel seu segundo Oscar. Ironicamente, nessa nova trama, o personagem de Washington, Robert McCall, é justamente o oposto de Alonzo Harris, o policial corrupto que o oscarizou. Além de ser um honesto trabalhador de uma loja de materiais de construção, ele é um homem que não mede esforços para ajudar o próximo. Porém, numa dessas ações de “bom samaritano”, ele se vê envolvido com criminosos da máfia russa e acaba tendo que reviver uma antiga identidade que fazia de tudo para esconder.

Tendo como base uma série de tv dos anos oitenta, Fuqua realizou um longa no qual a atmosfera de suspense e cenas de ação deixariam Hitchcock e Peckimpah de queixos caídos. Nesse enquadramento onde não existem pontas soltas e cujo roteiro é impecavelmente enxuto, Denzel dá um show. Com uma atuação minimalista, ele interpreta com bastante veracidade um tipo de homem comum, gente como a gente que, depois de ter sua moral abalada, acaba sendo levado pelo seu forte senso de justiça e, mesmo tentando sempre evitar, acaba partindo para a briga – à la Capitão Nascimento.
Com as mazelas que o mundo de hoje, infelizmente, andam nos proporcionando, Washington e Fuqua nos trazem um tipo de herói um tanto sombrio que nos entretêm, mesmo que seja apenas numa sala escura, mas com a certeza de recebermos uma merecida medalha de ouro no final.

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