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Pesquisas demonstram que fibromialgia é mal físico

Laine Furtado

Dor nos ombros, nos braços, nas costas, nas pernas, na cabeça, nos pés. Quem tem fibromialgia conhece bem o corpo, pois todo ele reclama. Em momentos de crise, até um toque delicado pode incomodar. Pessoas com esse quadro clínico sofrem duplamente, pois a doença demorou a ser reconhecida como um mal físico. “A fibromialgia já foi confundida com depressão e estresse.

De acordo com um artigo publicado pelo Colégio Americano de Reumatologia (ACR), a Fibromialgia afeta de 3 a 6 – ou 1 em cada 50 – americanos. Por razões desconhecidas, entre 80 e 90 % das pessoas diagnosticadas com fibromyalgya são mulheres; contudo, homens e crianças podem ser afetados. A maioria das pessoas é diagnosticada durante a meia idade, embora os sintomas muitas vezes apareçam mais cedo na vida.
Pessoas com certas doenças reumáticas, tais com artrite reumatoide, lupus eritematoso sistêmico (comumente chamado lupus), ou espondilite ancilosada (artrite espinal) podem estar mais propensas a Ter Fibromialgia também.
Vários estudos indicam que mulheres que tem um membro da família com Fibromialgia podem estar mais propensas a tê-la também, mas a razão exata para isso – se é hereditária ou causada por fatores ambientais, ou ambos – é desconhecida. Um estudo patrocinado pelo Instituto Nacional de Artrite e Doenças da Pele está tentando descobrir se certos genes predispõem algumas pessoas à Fibromialgia.
Atualmente, com o avanço dos estudos e pesquisas, as evidências comprovam que a fibromialgia é doença física, sim. Não se trata de uma síndrome invisível. Há trabalhos científicos mostrando que o portador apresenta alterações na anatomia cerebral.
Um desses estudos apresentado no fim do ano passado, na França, mostrou que graças a um exame por imagem chamado Spect (tomografia computadorizada por emissão de fóton), os médicos do Centro Hospitalar Universitário de La Timone, em Marselha, constataram que no cérebro de 20 mulheres com esse tipo de hipersensibilidade havia um fluxo maior de sangue em regiões que identificam a dor.
Paralelamente, notaram uma queda de circulação na área destinada a controlar os estímulos dolorosos. Nas dez voluntárias saudáveis que participaram da pesquisa, nenhuma alteração foi detectada. Este trabalho se soma a inúmeros outros sobre a presença do distúrbio, como o aumento dos níveis de substância P, o neurotransmissor que dispara o alarme da dor e a menor disponibilidade de serotonina, molécula que avisa ao sistema nervoso que a causa da dor já passou.
Confirmada que a fibromialgia está longe de ser uma doença psíquica, a pergunta que ainda não foi respondida é por que a doença ataca. Quando soubermos a sua origem, conseguiremos dominar a causa e encontrar a cura. Por enquanto, o que se conhece são os gatilhos do terrível incômodo – fatores que desencadeiam a crise, como o estresse pós-traumático -, além dos meios de minimizar o quadro e devolver qualidade de vida aos pacientes.
Muitos profissionais de saúde acreditam que, a associação de drogas como antidepressivos e neuromoduladores terão efeito sinérgico na briga contra a dor. É que, enquanto o antidepressivo eleva a oferta de serotonina e noradrenalina, sedativos naturais do sistema nervoso, os neuromoduladores alteram a transmissão do estímulo doloroso para o cérebro, diminuindo os níveis da tal substância.
Já as drogas como os opióides, com exceção do tramadol, não são muito eficazes no tratamento fibromialgias. “O consenso é que no rol de cuidados não podem faltar remédios, atividade física aeróbica e uma boa alimentação. Um exemplo: caminhar de três a quatro vezes por semana, durante 30 minutos, libera substâncias prazerosas como as endorfinas e relaxa a musculatura. Alguns portadores que seguem esse receituário chegam até a dispensar a medicação”, avalia o geriatra.

O que é Fibromialgia?
A síndrome Fibromialgia é uma doença comum e crônica caracterizada por dor muscular abrangente, fadiga, e múltiplos pontos sensíveis. A palavra Fibromialgia vem do termo do Latim para tecido fibroso (fibro) e do Grego para músculo (myo) e dor (algia). Pontos sensíveis são locais específicos do corpo – no pescoço, ombros, costas, quadris, e extremidades superiores e inferiores – onde pessoas com Fibromialgia sentem dor causada por leve pressão.
Embora a Fibromialgia seja frequentemente considerada como condição relacionada à artrite, ela não é realmente uma forma de artrite (uma doença das juntas) porque ela não causa inflamação ou dano às juntas, músculos, ou outros tecidos. Como a artrite, contudo, a Fibromialgia pode causar significativa dor e fadiga, e ela pode interferir com a capacidade da pessoa em executar as atividades diárias. Também como a artrite, a Fibromialgia é considerada uma condição reumática.
A Fibromialgia é antes uma síndrome do que uma doença. Ao contrário de uma doença, que é uma condição médica com causa ou causas específicas e sinais e sintomas identificáveis, a síndrome é um conjunto de sinais, sintomas e problemas médicos que tendem a ocorrer simultaneamente mas não relacionados a uma causa específica identificável.

O Causa a Fibromialgia?
As causas da Fibromialgia são desconhecidas, porém existem provavelmente um número de fatores envolvidos. Muitas pessoas associam o desenvolvimento da Fibromialgia com um evento fisicamente ou emocionalmente estressante ou traumático, tal como um acidente automobilístico. Alguns o associam a ferimentos repetitivos. Outros o ligama uma doença. Pessoas com artrite reumatoide e outras doenças auto-imunes, como lupus, são particularmente propensas a desenvolver Fibromialgia. Para outras, a Fibromialgia parece ocorrer espontaneamente.
Muitos pesquisadores estão examinando outras causas, incluindo problemas de como o sistema nervoso central (o cérebro e o cordão espinal) processam a dor. Alguns cientistas especulam que os genes de uma pessoa podem regular a maneira de como o corpo da mesma processa os estímulos dolorosos. De acordo com essa teoria, pessoas com Fibromialgia podem ter um gene ou genes que lhes causam reagir fortemente a estímulos que a maioria das pessoas não perceberiam como dolorosos. Contudo, esses genes – se eles, de fato, existem –não foram identificados.

Como a Fibromialgia é Diagnosticada?
Pesquisas mostram que pessoas com Fibromialgia consultam muitos médicos antes de receber o diagnóstico. Uma razão para isso pode ser que a dor e a fadiga, principais sintomas da Fibromialgia, sobrepõem-se com muitas outras condições. Portanto, os médicos muitas vezes tem que descartar outras causas potenciais desses sintomas antes de fazer o diagnóstico de Fibromialgia. Outra razão é que não há correntemente testes laboratoriais para Fibromialgia; testes laboratoriais padronizados falham na revelação de uma razão fisiológica para a dor. Porque não existe um teste específico para Fibromialgia geralmente aceito, alguns médicos , infelizmente, podem concluir que a dor do paciente não é real, ou eles podem dizer ao paciente que há pouco o que eles podem fazer.
Um médico familiarizado com a Fibromialgia, contudo, pode fazer um diagnóstico baseado em dois critérios estabelecidos pela ACR (Colégio Americano de Reumatologia): uma história de dor abrangente com duração de mais de três meses e a presença de pontos sensíveis. A dor é considerada abrangente quando ela afeta todos os quatro quadrantes do corpo; isto é, você deve sentir dor em ambos os lados (direito e esquerdo) assim como acima e abaixo da cintura para ser diagnosticado com Fibromialgia.
A ACR também designou 18 locais do corpo como possíveis pontos sensíveis. Para o diagnóstico da Fibromialgia a pessoa deve ter 11 ou mais pontos sensíveis. (ver ilustração abaixo). Um destes pre-designados locais é considerado um verdadeiro ponto sensível somente se a pessoa sente dor sob a aplicação de uma pressão de 4 kg no local. Pessoas que tem Fibromialgia certamente podem sentir dor em outros locais também, mas aqueles 18 possíveis locais- padrão no corpo são o critério usado para classificação.

Como a Fibromialgia é tratada?
A Fibromialgia pode ser difícil de tratar. Nem todos os médicos estão familiarizados com a Fibromialgia e com o seu tratamento, portanto, é importante achar um médico que esteja. O médicos que geralmente estão mais habituados a tratar a fibromialgia são: reumatologistas, fisiatras, neurologistas e psiquiatras.
O tratamento da Fibromialgia usualmente requer uma abordagem multidisciplinar (uma equipe), que envolve médico, fisioterapeuta, psicólogo e eventualmente outros profissionais. Mas, o mais importante é o papel do próprio paciente, exercendo uma postura pró-ativa no tratamento.
Intervenções múltiplas parecem ser mais eficazes no tratamento da fibromialgia. Como a associação de atividade física, psicoterapia e medicamentos, além de técnicas de relaxamento, higiene do sono e outras alternativas. Ela pode ser tratada com antidepressivos, relaxantes musculares, analgésicos e antiinflamatórios. O mais importante é procurar um médico para diagnosticar a doença.

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