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Francisco faz 1 ano e muda cara da Igreja

Em 13 de março de 2012, o então cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio renunciava ao comando da Arquidiocese de Buenos Aires para se tornar papa Francisco, principal líder da Igreja Católica. Neste primeiro ano de pontificado, as ações praticadas por ele despertaram a atenção de outras lideranças religiosas, que veem uma Igreja mais próxima dos problemas sociais e aberta ao diálogo com outras religiões.

Bispo da Diocese de Limeira, Dom Vilson Dias de Oliveira se diz surpreso com o pontificado do papa argentino. “Colocou-se de forma humilde, indo ao encontro de todos. Ele tem tido uma posição aberta à fome, à falta de trabalho, aos imigrantes ilegais na Europa”, apontou.

Para Dom Vilson, o papa também tem cobrado a presença mais marcante do catolicismo e a importância do testemunho da fé cristã. “Ele tem trazido esperança. O jeito dele falar é mais prático. Ele dá abertura ainda para receber líderes de outras denominações religiosas”, destaca.

O padre da Paróquia Santa Isabel de Portugal, Marcos José Theodoro, acredita que o papa Francisco não se deixou influenciar pelo poder. “O grande destaque é a prática da igreja missionária, buscando a presença dela nas bases, nas raízes. Como um pastor que conhece suas ovelhas, tem exortado (estimulado) o povo e, principalmente, os padres”, avalia.

Ministra da paróquia Santa Luzia, Karina Valladares, 18 anos, diz que o pontificado de Francisco é um aprendizado para os católicos. “Ele ensina ter amor ao próximo, a sermos humildes. Até Bento 16 chegou a dizer que se soubesse que seria o papa Francisco (a sucedê-lo), já teria renunciado há muito tempo”, relata.

OUTRAS RELIGIÕES
Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil em Limeira, Nilton Tomazini diz que o papa Francisco certamente não chamou a atenção apenas de católicos. “Antes, parecia que o papa era intocável. Hoje, podemos ver um papa que gosta de ser tocado e estar em contato com a multidão, transmitindo assim humildade e cuidado para com a sua imensa comunidade”, observa.

Ele também relata o fato de abertura de diálogo não apenas com a comunidade cristã, mas com outras denominações – como o islamismo – “na busca por justiça e paz”. “Vejo isso como um grande passo para um diálogo de liberdade religiosa nos países muçulmanos, onde hoje centenas de cristão são presos e assassinado por causa de sua fé”, aponta.

Ele ainda ressalta que, no meio evangélico, as ações do papa têm gerado comentários positivos e levado muitos líderes a “tomar uma postura mais humilde e olhar com mais atenção para os pobres”.

Já o pastor Marcos Jair Edeling, da Igreja Luterana, diz que o papado de Francisco tem sido uma importante reaproximação ecumênica (entre as igrejas). Ele acredita numa abertura grande de diálogo com outras religiões. “Uma aproximação do ponto de vista institucional. Para a Igreja Luterana é importante. Há 500 anos, aconteceu uma divisão necessária e, hoje, vemos uma reaproximação necessária. O papa Francisco tem como ponto de partida a vida”, diz.

ESPÍRITAS
A vice-presidente da USE (União das Sociedades Espíritas) de Limeira, Meg Guirau, aponta que, neste primeiro ano de pontificado, o papa Francisco mostrou-se ponderado. “Não foge de assuntos controvérsios. Tem coragem para enfrentar”, fala. Meg vê a abertura do diálogo como importante, pois a finalidade e o objetivo entre as religiões são os mesmos. “Acho que as pessoas veem ele como modelo”.

Para o dirigente espiritual umbandista Evandro Fernandes, o papa Francisco teve uma pré-disposição ao diálogo com as mais diferentes religiões e em relação aos temas espinhosos. “É um grande avanço. Ele tem buscado o diálogo, independente da fé”, diz.

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