Perspectivas para os Estados Unidos, o Brasil e o Mundo em 2014

 

Com a chegada de um novo ano, voltam a ser pauta de discussão os principais eventos que fazem parte do calendário mundial em 2014, como eleições presidenciais no Brasil, a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos de Inverno em Sóchi, na Rússia.

Líderes e economistas esperam que 2014 seja um ano de estabilização da economia mundial. Em termos de política mundial, a paz da Colombia e a situação no Oriente Médio continuam como destaque. As eleições governamentais estarão na ordem do dia em países como Egito, África do Sul, Colômbia, Brasil e Afeganistão. Neste último, aliás, espera-se a saída das tropas dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) antes do fim do ano.
2014 também será um ano de comemorações. Em junho, celebra-se o 70º aniversário do desembarque na Normandia, o chamado Dia D, na Segunda Guerra Mundial e, em agosto, completa-se um século do início da Primeira Guerra Mundial.Esses e outros assuntos estão em pauta este ano. Confira os principais destaques de 2014.

A estabilização da economia mundial
Um estudo dos analistas do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU apontam para o fim da “prolongada recessão” na zona do euro e apostam na melhoria do crescimento nos Estados Unidos, assim como na capacidade de Índia e China de “conter” a desaceleração dos últimos dois anos.
No caso dos Estados Unidos, a ONU espera um crescimento de 2,5% em 2014, enquanto para a Europa Ocidental os índices continuam “baixos”, em torno de 1,5%, segundo a antecipação do relatório, cuja versão definitiva será publicada agora em janeiro.
Quanto às economias dos países em desenvolvimento e em transição, os especialistas esperam um índice de crescimento de 5% para a Índia e de 2,9% para a Rússia, enquanto a China deverá manter os 7,5% “nos próximos anos”.
O estudo considera os principais “riscos” e ‘incertezas’ que ameaçam a economia mundial, entre os quais se destacam a política monetária dos Estados Unidos e as batalhas políticas nesse país em torno do teto da dívida, assim como a “fragilidade” do sistema bancário na zona do euro.
Os especialistas asseguram que um final “abrupto” dos estímulos monetários do Banco Central americano (Fed) seria uma “ameaça” para a economia mundial, já que poderiam levar a um aumento das taxas de juros em longo prazo nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.
As Nações Unidas advertiram, inclusive, sobre o impacto de uma redução desses programas de expansão quantitativa, e mencionaram “vendas maciças” nos mercados mundiais, uma “queda pronunciada” dos fluxos de capital para as economias emergentes e uma disparada nas premiações de risco.
O Banco Central americano justificou sua decisão de reduzir seus estímulos na melhora das perspectivas da maior economia mundial que o levou a optar por reduzir o agressivo programa de estímulos monetários no valor de US$ 85 bilhões por mês, iniciado no ano passado, para promover a recuperação.
Por outro lado, o estudo apresentado prevê também que para esse ano a inflação em nível mundial se manterá “controlada”, mas advertiu que a situação no mercado de trabalho vai continuar representando um “desafio” para muitas economias, como Espanha e Grécia.
Por último, os especialistas alertam que os preços das matérias-primas se manterão “estáveis” em 2014, sem descartar que possam subir levemente em alguns casos devido a possíveis “tensões geopolíticas”, enquanto os fluxos de capital para as economias emergentes serão “mais voláteis”.

Desafios do Brasil
Ano de Copa do Mundo e eleições, 2014 inspira cuidados e preocupa alguns economistas. Aumentou a apreensão em relação à dívida pública, que deve ficar em 62% do PIB em 2014 contra os 53% de 2010, de acordo com dados da Tendências Consultoria. É certo, até para os mais pessimistas, contudo, que a situação não será marcada por nenhuma tragédia. Haverá crescimento, sim, mas ele será “medíocre” para alguns e bem melhor que o deste ano para outros.

Para o PIB, as projeções vão desde 1,8% de expansão até algo em torno de 4%. Já a inflação oscila entre 4%, para os mais otimistas, e 6%. O investimento estrangeiro deve permanecer no patamar em que está e, para a balança comercial, as perspectivas são melhores, motivadas pelos efeitos do câmbio.
Sem respeitar classe social, a inflação incomodou os brasileiros em 2013. A alta de preços foi mais sentida em produtos com muita relevância no cotidiano de consumidores, como os alimentos, que pesaram mais no bolso dos brasileiros de baixa renda. O tomate foi um dos vilões. Os serviços, que têm peso maior no orçamento das famílias mais ricas, também subiram: serviços de beleza, empregada doméstica e aluguel ficaram mais caros.
Boa parte das consultorias espera que, neste ano, o índice oficial de inflação (IPCA) fique pouco abaixo dos 5,8% registrados em 2012. Mas, para especialistas, não há o que comemorar. Será o quarto ano seguido que o IPCA ficará acima do centro da meta, que é 4,5%. E os analistas veem uma piora no perfil da inflação e pressões mais fortes vindas dos preços administrados em 2014.
A maioria dos economistas acredita em novo reajuste dos combustíveis para este ano. Seria uma tentativa de dar fôlego aos investimentos da Petrobras. Em 30 de novembro, a estatal reajustou em 4% a gasolina e em 8% o diesel nas refinarias, mas, segundo os analistas, a alta foi aquém do necessário.
Outros especialistas veem ainda, em 2014, um “efeito Copa” de alta dos preços de passagens aéreas e hotéis. O calendário eleitoral deve coincidir com a alta dos preços. O IPCA acumulado em 12 meses deverá subir a partir de maio e chegar ao pico em setembro, ou seja, às vésperas do primeiro turno das eleições. A Tendências Consultoria aposta que a taxa deverá chegar em setembro com alta de 6,13% em 12 meses e desacelerar para fechar o ano em 6%. Isso sem reajuste de gasolina, nem reajuste de tarifa de ônibus em grandes capitais.
Para este ano, o que pode complicar o cenário, na visão da Tendências, é um eventual rebaixamento da nota de crédito do Brasil por agências de classificação de risco. Isso levaria o dólar para R$ 2,55, e o IPCA encerraria o ano em 6,2%.

Eleições em 2014
Uma pesquisa da Datafolha divulgada pelo jornal “Folha de S.Paulo” indica que a presidente Dilma Rousseff teria 47% dos votos e venceria no primeiro turno caso a eleição fosse em janeiro e ela tivesse como adversários o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).
Segundo a pesquisa, Dilma atinge 47% das intenções de voto, contra 19% de Aécio Neves (PSDB) e 11% de Eduardo Campos (PSB). Em outubro, Dilma pontuou 42% contra 21% e 15% de Aécio e Campos, respectivamente. O percentual de eleitores que vota em branco, nulo ou indeciso continua em 23% desde outubro.
Em outro horizonte, a petista teria 41% contra 24% de Marina Silva (PSB) e 19% de José Serra (PSDB). Em outubro, os possíveis candidatos tinham, respectivamente, 37%, 28% e 20%.O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, aparece em um dos cenários. Ele aparece com 15% das intenções de voto, contra 44% de Dilma, 14% de Aécio e 9% de Campos.
O pêndulo de Dilma entre os interesses capitalistas e as conquistas populares também aparece na pesquisa, com dois terços dizendo preferir que “a maior parte das ações do próximo presidente seja diferente” das adotadas por ela.
O percentual de eleitores que vota em branco, nulo ou que se diz indeciso ficou inalterado em 23%, de outubro até agora. Ou seja, a petista cresceu extraindo votos dos dois adversários diretos nesse período e venceria no primeiro turno.
A presidente só não venceria a eleição na primeira votação nos cenários em que Marina Silva aparece como candidata. Ocorre que a ex-senadora se filiou ao PSB e não é certo que vá concorrer como cabeça de chapa nas eleições do ano que vem. O ex-presidente Lula venceria a disputa no primeiro turno nos quatro cenários em que seu nome aparece – inclusive contra Marina e Serra.
O Datafolha entrevistou 4.557 pessoas em 194 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Número de refugiados no Oriente Médio
vai dobrar até final de 2014
O número de refugiados sírios no Oriente Médio vai quase dobrar no próximo ano e exceder 4 milhões, informou a Organização das Nações Unidas no mesmo dia em que lançou seu pedido de recursos para este ano.
Mais de 9,3 milhões de pessoas são devem precisar de ajuda no interior do país até o final de 2014, já que milhões terão deixado suas casas, informou o Escritório para Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).
A guerra entre forças leais ao presidente sírio Bashar Assad e rebeldes que querem derrubá-lo já dura 33 meses e matou mais de 126 mil pessoas.
A crise tem colocado uma enorme pressão sobre os países vizinhos, onde centenas de milhares de refugiados estão abrigados em barracas. Cerca de 4,1 milhões de sírios estarão vivendo como refugiados no Líbano, Jordânia, Turquia, Iraque e Egito até o final de 2014. A estimativa da ONU é que atualmente eles cheguem a 2,4 milhões.
No total, 660 mil sírios estarão vivendo em campos de refugiados até o final de 2014 e outros 3,44 milhões viverão em acomodações privadas, disse a ONU ao lançar um apelo por recursos para atender as necessidades de pessoas na Síria e em outras partes do mundo no ano que vem.
Esses países já elevaram o número de refugiados em seus territórios para algo em torno de 3 milhões, cinco vezes os 588 mil sírios que estavam registrados como refugiados na região um ano atrás.
O OCHA disse que outras agências e organizações internacionais vão precisar de um recorde de US$ 12,9 bilhões para ajuda cerca de 52 milhões de pessoas envolvidas em 17 conflitos ao redor do mundo em 2014.

Processo de paz colombiano continua em 2014
Iniciado há um ano e dois meses, o processo de paz entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo deve avançar em 2014, ano em que o país terá eleições presidenciais e legislativas. Com 18 ciclos de conversação encerrados e dois acordos parciais firmados sobre o tema agrário e a participação política da guerrilha, os negociadores devem definir mais quatro pontos antes que as conversações sejam concluídas.
Ao longo de 2013, as negociações tiveram momentos de avanço e também de crise devido a alguns pontos de divergência entre o governo e as Farc. A proposta do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, de fazer um referendo no dia das eleições presidenciais de maio foi considerada pelas Farc como ‘oportunista’, por colocar o tema no mesmo dia em que o presidente estará tentando a reeleição.
Do mesmo modo, o governo não aceita a proposta das Farc de convocar nova Assembleia Constituinte, após firmado um processo de paz. Para o Executivo, criar uma nova Constituição ‘não é necessário’ e as negociações devem se ater ao conteúdo proposto nas conversas preliminares.
Atualmente, a mesa de negociadores dialoga sobre o problema das drogas ilícitas no país, mas ainda faltam mais três temas: a reparação das vítimas do conflito, a desmobilização e reintegração de guerrilheiros após o processo de paz e as garantias para o cumprimento dos acordos firmados no período pós-conflito.

Para especialistas, o segundo ano do processo de paz não será fácil. A analista política Arlene Tickner, da Pontifícia Javeriana da Colômbia, disse à Agência Brasil que as negociações pelo fim do conflito serão mais delicadas em 2014, pelo menos durante o primeiro semestre, por causa das eleições presidenciais de maio e um possível segundo turno em junho.
‘O processo de paz é um dos temas de debate e o governo Santos terá que ter muita habilidade para comunicar aos seus eleitores os benefícios do fim do conflito, enquanto seus adversários, contra a negociação, estarão mostrando os problemas e as falhas no mecanismo de diálogo criado pelo governo’, comentou Tickner.
O governo Santos é considerado de centro-direita, mas encontra opositores mais conservadores, como o ex-presidente Álvaro Uribe, antigo aliado, agora candidato ao Senado, e também na extrema-esquerda, que pode lançar um nome ao qual as Farc se aproximem mais.
Apesar das dificuldades de negociação e do descrédito da população quanto ao resultado do processo de paz, o presidente Santos e sua equipe tentam passar confiança nos resultados obtidos até agora. No término do último ciclo, no dia 20 do mês passado, os negociadores divulgaram declaração conjunta em Havana, Cuba, com um balanço das atividades.
Após a leitura do comunicado conjunto, as Farc e o governo deram declarações individuais sobre o processo de paz. O negociador-chefe do governo falou dos avanços alcançados ao longo de quase um ano e meio de diálogo, mas manteve o tom cauteloso.
‘Com toda a responsabilidade e sem transmitir falsas expectativas, posso dizer que os resultados que alcançamos até agora em matéria de acordos na mesa de conversações com as Farc são importantes e esperançosos’, declarou o negociador Humberto de la Calle.
Anteriormente, o presidente Santos falava em concluir o processo de paz até o fim de 2013, mas as negociações não avançaram o suficiente. Agora, ele mudou o discurso e deverá usar o processo em sua defesa durante a campanha eleitoral.
Quando anunciou que seria candidato à reeleição em novembro, ele disse que gostaria de ter a ‘chance’ de continuar a trabalhar pela paz no país. Mas, apesar de estar mais cauteloso quanto ao tempo das negociações, continua dizendo que está totalmente confiante no sucesso da negociação em Havana.

Os esportes em 2014
O Mundial de futebol no Brasil e os Jogos Olímpicos de Inverno em Sóchi, na Rússia, estão entre os maiores eventos previstos para 2014, junto com as eleições que vão acontecer em vários países, entre eles os europeus, em maio.
Com a aproximação da Copa do Mundo e sabendo da paixão dos brasileiros por futebol, a Ipsos resolveu entender um pouco mais sobre essa relação de amor com o esporte. Foi desenvolvida um estudo com 3 mil pessoas sobre o brasileiro e suas motivações em relação à Copa do Mundo de 2014.
A pesquisa foi realizada durante dois momentos, sendo o primeiro durante a Copa das Confederações e de forma online para avaliar o recall e associação de marcas de anunciantes aos eventos. Foram 1 mil entrevistas realizadas com homens e mulheres de 14 a 55 anos de idade, provenientes de todas as regiões do país.
Já o segundo, tinha como objetivo entender a relação das pessoas com a Copa e seu envolvimento com as marcas relacionadas ao evento. Nesta ocasião, foram realizadas 2 mil entrevistas pessoais com homens e mulheres de 16 a 60 anos de classes ABCD, que já assistiram a alguma Copa anteriormente ou tem interesse na Copa de 2014 e que não são rejeitadores de futebol.
Cerca de metade dos participantes (52%) declaram ter grande interesse em assistir ao maior número de jogos possíveis. Apesar deste grande evento acontecer no país, isso não impactará no comportamento costumeiro de como assistir os jogos, sejam eles do Brasil ou de qualquer outro time, segundo a pesquisa, 79% assistirão aos jogos em casa com a família.
Apenas 14% das pessoas disseram que tentarão comprar ingresso para assistir algum jogo do Brasil no estádio e 75% não vão assistir nenhuma partida no estádio.
Mesmo após o período das manifestações que aconteceram em junho de 2013, 75% das pessoas são a favor da realização da Copa do Mundo no país e apenas 16% são contra. Além disso, ainda foi apontado que 87% da população brasileira não participou destas manifestações.
Para os brasileiros a Copa é uma oportunidade para o país se destacar, mostrar para o mundo que é capaz de vencer, de ser hexacampeão em casa, provando sua superioridade no futebol. Também é uma oportunidade de provar que tem capacidade para sediar um evento mundial deste porte. E ainda acreditam que este será um momento dos brasileiros estarem juntos na mesma corrente e vibração torcendo pelo Brasil, dessa vez no seu país.

A Ciência em 2014
Em 2014, os habitantes da Terra irão assistir a dois eclipses da Lua e outros tantos do Sol, anunciaram astrônomos da Sibéria. Além disso, um asteroide e sete cometas passarão perto do nosso planeta. O primeiro a produzir-se será o eclipse lunar. As pessoas poderão vê-lo em 15 de abril. O fenômeno será visível na América do Norte e na do Sul, assim como na Antártida. O segundo eclipse da Lua é esperado em 08 de outubro.
Os eclipses do Sol são previstos em 29 de abril e 22 de outubro. O primeiro poderá ser observado sobre a Indonésia, a Sibéria Oriental e a Austrália.
Além disso, em 09 de abril, os seres humanos poderão contemplar Marte com maior clareza. No primeiro semestre do ano, Saturno, Vênus e Júpiter também se aproximarão mais perto da Terra. No outono (boreal), Netuno e Urano se torUm novo sistema de resposta de emergência da AT&T usa acelerômetros, magnetômetros e giroscópios para acompanhar as atividades diárias dos usuários. Se uma pessoa idosa cai e não pode empurrar o botão de emergência em um pingente, o dispositivo pode identificar a queda como uma ruptura da rotina do paciente e alertar um centro de monitoramento.narão mais visíveis desde a Terra.

A Saúde cada vez mais tecnológica 
A tecnologia para cuidados com a saúde estão em franco crescimento. Novos aplicativos e dispositivos, especialmente os relacionados com a saúde celular e big data, estão decolando. Uma pesquisa Consumer Electronics Association lançada este mês revelou que 13% dos adultos dos EUA estão interessados em comprar aparelhos de fitness vestíveis (contra 3% em 2012) e 9% dos consumidores já possuem tais dispositivos. Outros setores também estão mais tecnológicos.
Dispositivos vestíveis não estão sendo muito usado para gerenciar as condições crônicas, mas isso pode mudar. Um grande número de tais dispositivos tem sido desenvolvido e alguns estão sendo testados. Por exemplo, como parte do estudo da Universidade da Califórnia em San Francisco, um monitor de pressão arterial móvel da iHealth está sendo usado para medir a dilatação fluxo-mediada, um indicador da saúde do coração tradicionalmente avaliada por testes de ultra-som.
Como o crescimento do segmento de geriatria, sensores inteligentes que monitoram localização, rotinas e atividade de pessoas idosas em casa e em instalações de vida assistida estão sendo mais utilizados. Este ramo da teleassistência de telessaúde inclui sistemas de resposta a emergências, geolocalizadores e outros tipos de dispositivos que usam sensores inteligentes.
 

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