Em eleição com vitória de Maduro, oposição tem bom resultado em grandes cidades

Partido socialista da Venezuela vence voto nacional com 3 pontos de vantagem e conquista 196 de 335 municípios

Os oponentes do presidente Nicolás Maduro conseguiram um forte resultado nas eleições municipais nas maiores cidades da Venezuela, mas fracassaram em obter a vitória determinante que buscavam com a esperança de pôr fim a um longo impasse político.


 

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (E), celebra com Jorge Rodriguez, que foi eleito prefeito no municipalidade de Libertador, em Caracas (8/12)

Membros do governista partido socialista venceram em 196 dos 335 municípios que estavam em jogo, de acordo com resultados preliminares anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral. A oposição conquistou 53, os candidatos independentes oito, enquanto ainda não há resultados em 78 disputas.

A oposição, que venceu em 46 municípios nas eleições de 2008, manteve o controle das dois maiores cidades da Venezuela, Caracas e Maracaibo, e conquistou o controle de ao menos quatro capitais estaduais atualmente nas mãos de partidários do governo. Seu maior troféu foi Barinas, a cidade natal do de Hugo Chávez, ex-presidente morto em março, e base política do seu irmão, o governador Adán Chávez.

Mas as forças da oposição não capitalizaram com o descontentamento em relação à crescente inflação e ao aumento da escassez de produtos básicos, que esperavam que os colocariam no topo da votação nacional. Para eles, tal resultado puniria Maduro em seu primeiro teste eleitoral desde que derrotou por margem estreita o líder da oposição Henrique Capriles para a presidência em abril.

Em um discurso triunfante no fim da noite de domingo, o presidente dedicou sua vitória a Chávez e prometeu mais medidas para proteger os pobres nos próximos dias, incluindo uma iniciativa para manter os preços dos alimentos baixos.

"A Revolução Bolivariana continua agora com mais força", disse Maduro a centenas de partidários em um comício no centro de Caracas para celebrar o que ele chamou de "grande vitória".

A votação foi realizada em uma calma relativa, com apenas pequenos problemas e atos isolados de violência. O comparecimento às urnas foi de 58%, percentual alto para eleições locais, mas bem atrás dos 80% que votação na eleição presidencial de abril, refletindo o cansaço que se estabeleceu no espectro político venezuelano nos últimos meses.

À medida que os problemas econômicos da Venezuela se aprofundaram, com a inflação chegando a um aumento de 54% e com a escassez de produtos desde papel higiênico a leite, a desaprovação ao governo de Maduro tem crescido, especialmente dentro da coalizão de ideólogos de esquerda e entre os membros do Exército que ele herdou de Chávez.

Mas o ex-motorista de ônibus de 51 anos conseguiu retomar o impulso ao lançar-se contra grupos e empreendimentos que, segundo ele, travam uma "guerra econômica" contra o governo socialista. Entre as medidas mais populares estiveram a tomada de controle de várias empresas de varejo e o corte de preços em TVs de plasma, geladeiras e outros equipamentos.

Embora nunca se esperou que a aliança opositora desafiasse o domínio do governo em áreas rurais, até um mês atrás havia indicações de que se posicionava para ter um melhor desempenho e vencer a simbólica votação nacional por boa margem. Em vez disso, obteve 41% da votação nacional, um pouco atrás dos 44% do partido socialista de Maduro. O restante ficou dividido entre partidos independentes e facções dissidentes do chavismo.

A oposição disse que foi prejudicada por uma campanha liderada pelo governo para intimidar a mídia que transmite seus eventos, assim como pela cobertura quase diária de Maduro entregando casas e anunciando aumentos aos funcionários estatais.

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