Falta de estabilidade econômica coloca em xeque crescimento DOS EUA

Especialistas afirman que o predomínio de dados desfavoráveis do comportamento da economia dos Estados Unidos durante o terceiro trimestre do ano reaviva o temor dos consumidores. FMI prevê crescimento de 2,14% para o país em 2014.

Um relatório do Fundo Monetário Internacional, FMI, prevê crescimento de 2,5% dos EUA em 2014. Os motivos são "a recuperação do mercado imobiliário e das condições financeiras do país estimulando a demanda privada". Tudo isso apesar da incerteza causada pelo desacordo, entre governo Obama e oposição, quanto à elevação do teto da dívida americana, que tem nova data de acerto do teto da dívida marcada para fevereiro.

No início do ano, a publicação Perspectivas para a Economia Global – Esperanças,Realidades, Riscos (World Economic Outlook – Hopes, Realities, Risks), do Fundo Monetário Internacional (FMI), identificou uma  melhoria no crescimento econômico e controle das ameaças de curto prazo à recuperação global: a quebra da zona do euro e a forte contração fiscal nos EUA.
Porém, a recuperação turbulenta e a distorção na política macroeconômica em países desenvolvidos geraram complicações para as políticas de países emergentes. Há uma bifurcação entre prospecções de crescimento dos EUA (1.9% em 2013 e 3% em 2014) e da zona do euro (-0.3% em 2013 e 1.1% em 2014). O ritmo de crescimento de países emergentes e em desenvolvimento, por sua vez, apresenta declínio (5.3% em 2013 e 5.7% em 2014).

Nos EUA, a recuperação econômica não é muito elevada, sendo insuficiente para solucionar o problema de elevado desemprego. Todavia, permite a adoção de políticas com foco na sustentabilidade do débito, pelo comprometimento com a consolidação fiscal. A demanda privada mostra-se fortalecida com aumento do crédito.

O grande problema é a dívida interna. Nos Estados Unidos, existe um valor limite que o governo pode tomar emprestado no mercado para honrar seus compromissos. O teto atual é de US$ 16,699 trilhões. Não é permitido ultrapassar esse limite sem aprovação do Congresso, que deve ser reunir em fevereiro para ver como fica a situação do aumento do teto da dívida americana.
Já na União Europeia, países como França, Itália e Espanha devem apresentas crescimento negativo em 2013. Um processo de desvalorização cambial está tomando lugar, o que traz retornos de competitividade, mas a demanda externa não é forte o suficiente para compensar a interna. Há a necessidade de fortalecer os bancos e reduzir juros nos países periféricos para fortalecer a demanda privada.

O FMI também informa ter "previsões positivas" para a zona do Euro, que em 2014 deve avançar na recuperação da crise econômica. Segundo o Fundo, é a primeira visão positiva da economa da região desde 2011.  A zona euro está em recessão e o Produto Interno Bruto (PIB) da região deverá atingir 1.4% em 2014, um pouco melhor se comparado ao crescimento de apenas 0.3% em 2013. A informação do relatório produzido pelo Departamento de Desenvolvimento Económico e Social das Nações Unidas (DESA), a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (CNUCED) e as comissões regionais da ONU.

A América Latina e do Caribe continuam em "marcha lenta"  em relação ao crescimento econômico e devem crescer apenas 3% em 2014, refletindo um ambiente externo ainda pouco favorável, aponta relatório do FMI. O Fundo previu um crescimento para a região de 2,75% neste ano, puxada sobretudo pela demanda doméstica, e apenas 0,25% a mais no ano que vem, "quando a demanda externa deve se fortalecer gradualmente, mas permanecerá abaixo da média da década passada".

Para o Brasil, a projeção – divulgada em relatório prévio do FMI – é de que a economia avance 2,5% tanto neste ano como no próximo. A perspectiva de crescimento latino-americano é inferior à projetada para a economia global, que foi estimada em 3% em 2013 e projetada em 3,5% em 2014, pouco menos do previsto previamente pelo Fundo. "A revisão para baixo é explicada principalmente pelo menor crescimento previsto em grandes mercados emergentes, inclusive a China", explica o relatório.

O Brasil, que também teve seu crescimento revisado para baixo pelo Fundo, "continua a se recuperar gradualmente da desaceleração que começou em meados de 2011, (…) mas o ritmo da recuperação deve ser mais lento", diz o texto. No restante da região, a atividade econômica tem sido "moderada" – abalada pela queda na demanda externa e, em alguns casos, pelas limitações do consumo interno.

O Japão por sua vez está apresentando uma projeção de crescimento de 1.6% em 2013, em função da adoção de meta de inflação positiva, estímulo fiscal e reformas estruturais.  Há preocupação com o déficit fiscal gerado por tais medidas.

Os países emergentes apresentaram políticas adequadas para controlar a demanda motivada pelo preço elevado de commodities, baixa taxa de juros e elevada entrada de fluxos de capitais. As políticas devem se focar na redução da instabilidade dos fluxos de capital e adaptação à tendência de contínua entrada de capital e pressão na taxa de câmbio.

No curto prazo, os riscos globais estão associados aos acontecimentos na zona do euro, incluindo incertezas quanto à crise no Chipre e a crise política na Itália. No médio prazo, os riscos estão relacionados à fadiga do processo de ajuste, insuficiência de reformas institucionais e estagnação prolongada da zona do euro, bem como elevados déficits fiscais nos EUA e Japão.

Riscos e Previsões para 2014
O FMI adverte que países sul-americanos exportadores de matérias-primas, como o Brasil, correm o risco de sofrer efeitos se "uma desaceleração mais aguda que o esperado na economia chinesa causar uma forte queda no preço das commodities".

Outro risco ao qual a região deve ficar atenta vem da política monetária dos EUA. O país deve reduzir, em breve, seu programa de estímulo, que vem injetando bilhões de dólares na economia desde 2010. Boa parte desse dinheiro acaba sendo trazida ao mercado financeiro de países como o Brasil, onde investidores esperam lucrar com taxas de juros mais altas que as dos EUA.
Agora, o recuo dessa política "pode desencadear novos surtos de volatilidade (financeira) e mais pressão pela fuga de capitais", reporta o relatório. Em outras palavras, é possível que tenhamos novamente período de oscilações na cotação do dólar, por exemplo.

"A região, em geral, tem colchões para lidar com esse tipo de choque, graças a níveis relativamente moderados de dívida externa, reservas internacionais significativas e taxas de câmbio flexíveis", prossegue o FMI – ressaltando, porém, a "alta sensibilidade" da América do Sul aos abalos do mercado financeiro internacional.
Sua "primeira linha de defesa" contra esses eventuais riscos, argumenta o texto, deve ser o controle do câmbio e instrumentos de política monetária (por exemplo, controlando o a taxa de juros e os níveis de crédito da economia).

O FMI disse ainda que a Europa e os Estados Unidos evitaram problemas ao adotar políticas que dissiparam a noção de uma ruptura da Zona do Euro e a possibilidade de a maior economia do mundo despencar em um "abismo fiscal" de aumentos tributários e cortes orçamentários.

Entretanto, sugeriu que uma política monetária mais frouxa pode ser necessária na Zona do Euro. "Dada a moderação da pressão inflacionária, a política monetária deveria permanecer bastante acomodativa. Ainda há espaço para mais afrouxamento convencional, uma vez que a projeção é de que a inflação desacelere para abaixo da meta do Banco Central Europeu no médio prazo", disse.
O FMI deixou claro ainda que, embora um resultado pior tenha sido evitado, a política fiscal nos Estados Unidos foi apertada mais do que esperava -um motivo para a redução de sua estimativa.

O Fundo disse ainda que os cortes de gastos conhecidos como "sequestro" cortarão cerca de 0,3 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Se o sequestro continuar até o próximo ano fiscal, vai reduzir mais 0,2 ponto percentual do crescimento do PIB, completou.

Em relação à política monetária norte-americana, o FMI afirmou esperar que o Federal Reserve, banco central dos EUA, mantenha a taxa de juros perto de zero até o início de 2016, embora tenha alertado que o Fed pode precisar apertar a política mais cedo.

A atual realidade americana
Os analistas  econômicos chamaram a atenção sobre os dados mais recentes do fechamento do trimestre dos Estados Unidos. Os setores de serviço, manufatura e moradia, este último um dos mais golpeados desde o início da crise em 2008, estiveram entre os mais prejudicados. Novamente o tema trabalhista, considerada a principal preocupação para os americamos, mediou cada um desses aspectos.

A seguir, apresentamos uma análise do desempenho da economia americana no terceiro trismestre do ano, baseado nos últimos relatórios divulgados por vários departamento de análise da economia nos Estados Unidos.  Até o fechamento desta edição os dados de outubro ainda não tinham sido liberados.

O mercado de trabalho

Nos últimos três meses, até setembro, o mercado de trabalho seguiu centrando a atenção dos americanos. A taxa de desemprego nos Estados Unidos registrou leve queda em setembro, para 7,2%, recuo de 0,1 ponto percentual sobre o patamar de 7,3% em agosto, segundo o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. Os dados de outubro saem na primeira semana de novembro.

O setor privado criou menos postos do que o esperado no nono mês do ano, pois os empregadores geraram 166 mil postos de trabalho, ao mesmo tempo em que a quantidade de praças de agosto foi revisada para baixo, segundo um relatório da firma ADP.

Estrategistas de mercado avaliaram que a paralisação parcial do governo tem um impacto negativo sobre a economia, ao estender a necessidade de estímulo adicional e poderá limitar a emissão de outros dados trabalhistas.

O governo dos EUA fechou parcialmente em 1º de outubro depois que as duas casas do Congresso não conseguiram acordar um novo orçamento. Uma sondagem governamental mostrou que a taxa de rescisão baixou em agosto a um nível mínimo em quatro anos e meio, pois as pessoas deixaram de procurar trabalho.

O indicador diminuiu a 7,3%, o menor indicador desde dezembro de 2008. Alguns analistas opinaram que o problema básico quanto a essas cifras está na desconfiança das pessoas já que muitas abandonaram a busca por empregos.

A verdade é que os dados divulgados podem provocar preocupação sobre o comportamento da economia dos Estados Unidos durante o resto do ano e alimentar especulações de que o FED não começará a reduzir seu programa de estímulos antes do fim de 2013.

De acordo com os especialistas, as medidas de austeridade de Washington e uma demanda global mais débil pesaram nos números na primeira metade do ano e os maiores impostos aplicados, com o fim de reduzir o déficit orçamental, restringiram as compras das pessoas.

A referida situação é preocupante em um país onde a despesa dos consumidores representa 70 por cento do PIB.

As vendas do mercado automobilístico
Os fabricantes de veículos nos Estados Unidos anunciaram vendas díspares em setembro, com a General Motors em forte queda em relação ao ano passado. Os dados de outubro devem ser divulgados na primeira semana de novembro.

A maior empresa do setor automobilístico dos Estados Unidos entregou 187.195 veículos em setembro, 11% a menos que no mesmo mês anterior. Por sua vez, a Ford Motor Company, segunda no país, teve as melhores vendas para o mês setembro desde 2006, com um crescimento de 6% em relação a setembro do ano anterior e 185.146 veículos vendidos.

Chrysler, propriedade do grupo italiano Fiat e a menor dentro das "Três Grandes de Detroit", vendeu 1% a mais em setembro, em um total de 143.017 veículos. Trata-se do melhor resultado em uma década para um mês de setembro.

A japonesa Toyota vendeu 164.457 veículos nos Estados Unidos, 4,3% a menos que em setembro de 2012.

Analistas da firma especializada Kelley Blue Book tinha previsto que em setembro as vendas de novos veículos iam mostrar uma queda, pela primeira vez desde maio de 2011, principalmente por menos dias de comercialização no mês.

Venda de imóveis sofre retrocesso
A diminuição dos contratos para comprar casas usadas nos Estados Unidos evidenciou retrocesso do mercado imobiliário. A Associação Nacional de Agentes Imobiliários detalhou que o indicador perdeu 1,6 por cento em setembro, com o que acumulou a terceira baixa mensal consecutiva.

O retrocesso indica que o incremento das taxas hipotecárias reduziu o impulso à recuperação desse setor no país, sublinhou. As taxas oscilam perto dos níveis máximos em dois anos e uma redução da demanda por moradias usadas tira do mercado potenciais compradores.

Ao mesmo tempo, os investidores seguem atentos às decisões do Federal Reserve (FED) em torno do futuro da política monetária. Especialistas opinam que o respaldo da dita instituição tem sido um fator importante no sentido de fortalecer os preços das moradias depois de uma queda de seus valores durante a recessão.

Por isso, muitos especialistas estão preocupados que uma retirada do programa de compra de bônus nestes momentos possa obstaculizar a incipiente recuperação da área imobiliária. A explosão da chamada bolha imobiliária nos Estados Unidos provocou em 2008 uma das crises econômicas mais fortes das últimas décadas.

A Associação Nacional de Realtors informou que as vendas pendentes de moradias nos Estados Unidos registraram a maior queda em mais de três anos em setembro, sinal de que a frágil economia e o aumento nas taxas de hipotecas estão afetando o desempenho do mercado imobiliário.

As taxas de hipotecas subiram de forma expressiva desde maio por conta de apostas de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, iria começar a reduzir o programa de estímulo monetário. Mas nas últimas semanas, as taxas perderam um pouco do fôlego.

O número de novos contratos assinados para comprar imóveis residenciais bateu no menor nível no mês passado desde dezembro. Foi a maior queda mensal desde maio de 2010, quando um crédito tributário sobre compra de casas estava acabando, disse um porta-voz da Associação.

Indústria e comércio
A produção industrial dos Estados Unidos registrou em setembro o maior aumento em sete meses, na medida em que a produção do setor de serviços públicos cresceu após vários meses de quedas, mas a manufatura mostrou sinais de desaceleração. O relatório de outubro estará disponível em novembro.

A produção industrial avançou 0,6% no mês anterior após ter subido 0,4% em agosto, informou o Federal Reserve. Economistas esperavam que a produção industrial aumentasse 0,4%.
A produção manufatureira subiu 0,1% no mês de setembro após avançar 0,5% em agosto, conforme a produção de automóveis desacelerou um pouco e a de móveis diminuiu. O retrocesso da demanda fez das suas nos serviços e na manufatura, ambos componentes essenciais por sua contribuição ao Produto Interno Bruto (PIB).
A queda dos novos pedidos e das contratações prejudicou  o setor de serviços, mostrou um relatório do Instituto de Gerência e Abastecimento. E ainda, a atividade manufatureira desacelerou-se no nono mês do ano, o que evidenciou um retrocesso na demanda e na criação de empregos.

Conforme uma pesquisa da firma de serviços de informação financeira Markit, o indicador caiu a 52,8 pontos dos 53,1 precedentes, ao registrar seu menor ritmo em três meses. O estudo mostrou que a taxa de crescimento da produção foi a mais veloz desde março, mas a diminuição da demanda do exterior desacelerou a taxa geral de novos pedidos.

 

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