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Após aprovação da reforma EUA devem receber 151 mil imigrantes a menos por ano

Laine Furtado | laine@linhaaberta.com

Cerca de 151 mil imigrantes deixarão de entrar nos Estados Unidos a cada ano caso o Congresso aprove a reforma de 844 páginas que está para ser votada pelo governo americano ainda este mês, segundo os cálculos de ONGs simpáticas à imigração.

Ao racionalizar o fluxo futuro de imigrantes e reforçar o patrulhamento na fronteira com o México, o país verá o número de admitidos legalmente aumentar, e o número de pessoas entrando ilegalmente diminuir, argumentam o Centro para o Progresso Americano e o Instituto para Políticas Migratórias (respectivamente CAP e MPI).

Hoje, os EUA recebem 1,74 milhão de imigrantes por ano, segundo as estimativas das entidades. Se a reforma da imigração for aprovada da forma que está, as ONGs acreditam que este número cairia para 1,59 milhão.

IMIGRAÇÃO FUTURA

Na seção sobre a imigração futura, o projeto cria, por exemplo, um sistema de pontos – que já existe em outros países, mas é inédito nos EUA – que permitiria aos candidatos solicitar a residência sem a necessidade de ter uma oferta de emprego em mãos.

Os critérios levariam em conta a escolaridade de cada candidato, seu domínio do inglês, seus laços familiares ou sua vivência nos EUA e sua idade, entre outros critérios. Dependendo da situação da economia, entre 120 mil e 250 mil autorizações seriam concedidas.

Porém, diferentemente de outros países, o regime de pontos americanos concederia ‘green cards’ equitativamente tanto aos trabalhadores altamente qualificados quanto aqueles com baixa qualificação.

Segundo especialistas, a melhor regulamentação dos vistos para trabalhadores com baixa qualificação também teria impacto na redução da demanda que, hoje, alimenta a imigração ilegal para os EUA.

Além disso, a legislação elimina limites impostos a cada país para a concessão de 140 mil vistos de profissionais altamente qualificados, que hoje fazem com que chineses e indianos tenham de esperar praticamente uma década para receber a autorização de residência permanente.

ANISTIA

A lei abre a possibilidade de um caminho para a cidadania para os indocumentados, mas só depois de um longo processo que pode tardar 13 anos e que inclui o pagamento de multas e impostos atrasados. Mesmo assim, muitos senadores republicanos devem procurar adiar a entrada em vigor das medidas de legalização dos indocumentados que já vivem no país, condicionando-as ao cumprimento de metas de segurança na fronteira que, muitos analistas consideram, poderiam inviabilizar o resultado.

Para a entidade NumbersUSA, para quem a solução para os indocumentados é a deportação, a lei concederá 33 milhões de ‘green cards’ a imigrantes ao longo da próxima década. O cálculo assume as estatísticas mais altas para cada categoria de visto, e inclusive imigrantes que já tiveram sua residência aprovada, e apenas aguardam na fila para a emissão de sua papelada.

Para a organização, o volume de concessões de vistos de residência é contrário aos interesses do país, no momento em que quase 12 milhões de americanos estão desempregados, e outros oito milhões não conseguem arrumar emprego.

A possibilidade de legalização para todos os indocumentados é uma promessa do próprio presidente Barack Obama. Em um email para seus partidários, o presidente afirmou que ‘os oponentes da reforma farão tudo o que puderem para impedi-la’.

‘Eles vão fomentar o medo e a divisão. Vão tentar fazer política com um tema que a maioria dos americanos quer ver resolvido. E se conseguirem, perderemos a oportunidade de finalmente consertar um sistema de imigração que está altamente disfuncional’, disse.

PASTORES LATINOS AJUDAM O GOVERNO DOS EUA A APROVAR LEI DE IMIGRAÇÃO

Antes de aprovar a reforma nas leis de imigração, o Senado americano procurou ouvir líderes evangélicos que trabalham com o público latino. O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se reuniu com cerca de 600 pastores em um hotel de luxo próximo à Casa Branca para discutir pontos da reforma, formas de legalização,  ajuda dos pastores e líderes na questão.

Esses mesmos líderes se dividiram e conversaram com os senadores de todos os Estados sempre falando sobre os pontos dos imigrantes latinos que deixaram seus países em busca de melhores condições de trabalho.

O convite feito aos pastores partiu do próprio presidente Barack Obama que pediu ajuda aos religiosos para convencer o Senado a alterar a lei. O grupo de líderes foi selecionado por um motivo: as igrejas evangélicas latinas são as que mais crescem no país.

De acordo com dados, os Estados Unidos tem 52 milhões de imigrantes latinos, a maioria se declara católico, mas assim como nos países latinos a Igreja Católica tem perdido fiéis para as igrejas pentecostais, que vem crescendo nos Estados Unidos nos ultimos 10 anos.

Um estudo feito pela Pew Research mostra um outro dado interessante que pode justificar a influência dos líderes protestantes nos Estados Unidos: a maioria dos evangélicos latinos são jovens e votam no país.

 

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