”A vida passa efêmera e vazia…”

Quando tinha eu cerca de oito ou nove anos de idade, meus pais retornaram de mudança a Bom Jardim de Minas, minha terra natal. Nas proximidades desse pequeno município embelezado por flores campestres, que lhe inspiraram o nome, havia um dos mais lindos caprichos da natureza, que visitei muitas vezes naqueles tempos de criança.

Tratava-se de uma fenda na montanha e uma nascente que formavam belíssimo lago coberto por frondosas árvores e imensas lajes de pedra que avançavam de um dos montes. Partindo do lago, um riacho cristalino deslizava suavemente em um leito de fina areia branca e margeado por grandes pedras, nas quais os visitantes deixavam o seu próprio nome, um pensamento, ou mesmo versículos bíblicos.

Seguindo os passos de tantos outros mineiros que partiam em busca de melhores condições de vida, nos mudamos para uma cidade industrial, em outro estado, mas meu pequeno Bom Jardim e sua linda gruta permaneceram indeléveis em minha memória.

Depois de experimentar profundas mudanças em minha vida, retornei àquele inesquecível recanto depois de mais de quinze anos, em companhia da esposa. Éramos recém-casados. Desta vez não consegui evitar que se me fixasse na mente um poema gravado em enorme pedra ao lado do regato. Ei-lo: “A vida passa efêmera e vazia; um adiamento eterno que se espera, numa eterna  esperança que se adia”.

Percebi de repente que aquelas palavras, que talvez expressassem o conceito do próprio poeta acerca da vida dele, expressavam também um inegável fato comum a muita gente, entre as quais eu mesmo havia estado incluído.

Hoje, relembrando aquele poema após tantos anos de contato com pessoas de diferentes culturas e níveis sociais, estou bem certo de que, se pudéssemos ver o íntimo de cada semelhante nosso, descobriríamos que a grande maioria deles experimenta uma existência realmente “efêmera e vazia”, apegando-se a uma esperança que a cada dia parece mais difícil de realizar-se. É como um viajante sedento num árido deserto, vítima de miragens, que se alegra ao ver à sua frente um lago de límpidas águas, mas que, quanto mais caminha em sua direção, mais ele se afasta.

Naquela memorável e distante tarde de verão percebi o verdadeiro significado das palavras de Jesus, ao afirmar que os que nele crêem passam da morte para a vida. Ali estava eu – outrora comunista, ateu, mundano e espiritualmente morto – agora, de fato, espiritualmente vivo. O testemunho do Espírito Santo no meu íntimo era de que eu realmente havia passado do erro para a verdade, das trevas para a luz, da morte para a vida.

E dessa gloriosa realidade testificava também o belíssimo cenário que me envolvia – o agradável murmúrio das águas, o canto alegre dos pássaros, o aroma suave das flores agrestes, e a beleza extasiante do pôr do sol.

E enquanto meditava as palavras do poema, percebi que minha alma se extravasava de alegria, de paz, de segurança, e de um modo muito especial senti a preciosa companhia daquele que é tudo para o cristão nesta vida, e que um dia afirmou: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância“; e: “Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 10.10; 11.26).

Não havia, então, a menor dúvida. Para quem recebe no coração o Senhor Jesus Cristo, a vida presente já não passa efêmera e vazia, mas cheia de bênçãos celestiais, de plena liberdade, de fé consoladora no futuro. “Porque Ele vive, posso crer no amanhã”, é a letra de um conhecido hino.

Afirmam as Escrituras Sagradas que uma pessoa sem Cristo, mesmo que pareça ser a criatura mais feliz da terra, está “morta em delitos e pecados” (Efésios 2:1), ou seja: vive separada de Deus, sem comunhão com ele e sem a paz dele. Esse tipo de vida, que a Bíblia chama de morte, não pode satisfazer aos mais profundos anseios da alma humana. E a razão por que tantas pessoas se suicidam é justamente porque tudo na vida lhes parece sem graça e sem propósito. “Para que viver?”, é a pergunta que muitos fazem, e não encontram a resposta.

A resposta, caro leitor, está na pessoa de Jesus. Ele deu a sua vida na cruz para que todo aquele que o recebe como Salvador e Senhor não pereça, mas tenha a vida eterna. “Quem crê no Filho tem a vida eterna, mas todo aquele que rejeita o Filho não verá a vida, pois sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3.36).
Eis a infalível sentença divina para quem não crê em Jesus: “Não verá a vida“. Pode ser jovem, cheio de saúde, e bem-sucedido nos estudos. Pode até estar vencendo a competição com os amigos na vida amorosa e empresarial, mas permanece o fato inquestionável de que essa pessoa está espiritualmente morta.
É assim que Deus divide a raça humana: De um lado estão os que creram em Cristo e foram perdoados; de outro lado, os que permanecem nos seus pecados e não têm Jesus no coração. Os primeiros estão vivos; os últimos estão mortos.

Se você, leitor, está entre estes últimos, então esta urgente advertência da parte de Deus é para você: “Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos. E Cristo te iluminará” (Efésios 5.14).

>> ABRAÃO DE ALMEIDA é é pastor, escritor e teólogo, com reconhecimento internacional no ensino bíblico. Colaborou na tradução da bíblia para vários projetos como a NVI, Bíblia Almeida e Bíblia de Estudo. É membro da Academia de Letras Evangélica do Brasil e pastor do Ministério Fronteira, na Flórida.
 

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