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Governo: Maracanã passa no 1º teste

Organização e governo avaliam que agora há poucos detalhes a melhorar no estádio. Na tribuna, em meio a autoridades e convidados, Valcke se empolga

Torcida faz a festa na reinauguração do Maracanã em partida amistosa entre Brasil e Inglaterra

Torcida faz a festa na reinauguração do Maracanã em partida amistosa entre Brasil e Inglaterra

"Nos últimos meses, testamos vários estádios. Este foi o melhor, sem dúvida alguma. Avaliamos dezesseis áreas. Não houve nenhum setor que não funcionou", disse Ricardo Trade, do COL 

O Maracanã passou com folga na prova – pelo menos na avaliação oficial. Integrantes do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo, do governo do estado do Rio de Janeiro, da CBF e da Fifa distribuíram fartos elogios ao estádio depois do amistoso de domingo, contra a Inglaterra, que terminou com empate por 2 a 2. Os organizadores do evento-teste estavam pressionados: depois da liminar que chegou a suspender o amistoso, na sexta-feira, e dos questionamentos sobre as pendências da reforma, principalmente no entorno da arena, a expectativa não era das melhores para a reabertura do gigante carioca. Graças aos reparos de última hora e a uma enorme faxina, que removeu os entulhos dos arredores e embelezou as rampas e corredores internos a poucas horas da partida, o Maracanã foi aprovado pelos visitantes. "Fizemos uma avaliação rápida logo depois do jogo. O que podemos dizer é que foi uma vitória enorme", disse Ricardo Trade, diretor-geral do COL. "Trânsito, policiamento e todos os aspectos do evento dentro do estádio funcionaram bem."

O dirigente do COL apontou o amistoso de domingo como o ensaio de maior sucesso para a Copa das Confederações. "Nos últimos meses, testamos vários estádios. Este foi o melhor, sem dúvida alguma. Avaliamos dezesseis áreas, como alimentação, operação de imprensa, chegada e saída do público. Não houve nenhum setor que não funcionou." Com o estádio já entregue à Fifa, ele descartou a realização de outro evento-teste no Maracanã antes da estreia no torneio. "Essa etapa foi concluída hoje. Agora, voltamos o pensamento apenas para a Copa das Confederações", explicou. Tanto Ricardo Trade como o gerente de integração operacional do COL, Tiago Paes, acreditam que as pendências no estádio agora são pequenas. "Precisamos ajustar alguns detalhes, mas houve uma evolução clara neste teste em relação aos outros. O que pode ser melhor é a qualidade da entrada dos espectadores", disse Trade, em referência às longas filas diante dos portões e à pane em uma das catracas eletrônicas. Os funcionários acabaram fazendo um controle manual da entrada. "Reagimos rapidamente e não houve grandes problemas", comemorou Paes.

Presentes à tribuna de honra, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, e o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, também fizeram uma avaliação positiva da reabertura do Maracanã. Valcke não falou com os jornalistas, mas usou o Twitter para elogiar o evento, postando fotos e comentando detalhes da partida. "Um ambiente excelente, o estádio maravilhoso e um grande jogo", escreveu. "A festa foi incrível!" Para o representante do governo, ficou claro que o estádio está totalmente pronto. "O que faltam são apenas pequenos detalhes", disse Pezão. O governador Sérgio Cabral acompanhou a partida sentado ao lado de José Maria Marin, presidente do COL e da CBF, que não se pronunciou sobre o amistoso. Do outro lado de Marin estava Valcke, com quem o cartola brasileiro conversou poucas vezes – a Fifa mostra incômodo com a presença do dirigente no comando das operações da Copa. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, o ministro do STF Joaquim Barbosa, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Aécio Neves também estavam na tribuna, dividindo as cadeiras com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o ex-craque Bebeto, integrante do COL.

Privilégio – Os técnicos das duas seleções também aprovaram a experiência de disputar uma partida no novo Maracanã. Luiz Felipe Scolari afirmou que o gramado foi elogiado pelos atletas, assim como os vestiários. "O Maracanã é emblemático, a gente sente alguma coisa diferente quando chega ao estádio. Os jogadores também sentiram isso." O treinador da seleção brasileira lamentou o fato de não poder jogar mais partidas no local – ao longo de pouco mais de um ano, a equipe só voltará ao estádio se chegar às finais da Copa das Confederações deste ano e do Mundial do ano que vem. Felipão gostaria de fazer pelo menos mais um amistoso no estádio, mas está pessimista, já que a agenda da seleção depende da empresa estrangeira que paga para ter o direito de promover as partidas da equipe. "É ela que define. Acho que não teremos outros jogos aqui não", conformou-se. O inglês Roy Hogson, que concedeu entrevista coletiva pouco antes de Felipão, também disse que espera voltar. "Estar aqui foi uma grande honra e privilégio. A atmosfera no estádio foi excelente. O Maracanã já está ótimo, mas ouvi do Luiz Felipe Scolari que ainda haverá muitas melhorias até 2014. Adoraríamos jogar aqui de novo."

 

Como os atrasos prejudicam o torcedor

Acessos

É um equívoco já tradicional nas grandes obras públicas brasileiras: na correria para terminar um projeto, esqueceu-se do que está ao redor. E o que está ao redor de muitos dos estádios da Copa das Confederações é um entorno ainda incompleto, com ruas esburacadas e enlameadas, calçadas incompletas e vias em construção. No caso do Maracanã, todo o complexo do estádio ainda é um grande canteiro de obras, já que as instalações de atletismo e natação deverão ser demolidas. Na Arena Pernambuco, o percurso é complicado e não há onde estacionar. O Mineirão é o palco em melhor situação nesse quesito.

ESTÁDIO: JORNALISTA MÁRIO FILHO (MARACANÃ)
Capacidade: 79.000 pessoas
Custo previsto: 705 milhões de reais
Custo final: 951 milhões de reais
Aumento de 34,8% no orçamento
Status: Pronto

MOBILIDADE URBANA
Custo: 1,9 bilhão de reais
Principal obra: corredor exclusivo de ônibus entre a Barra da Tijuca e o Aeroporto Antônio Carlos Jobim
Início: março de 2011
Previsão de término: fevereiro de 2014
Status: 48% concluídos

AEROPORTO
Custo: 844,7 milhões de reais
Previsão de término: abril de 2014
Principais obras: reforma de terminais de passageiros e revitalização de pistas e pátios
Início: 2011
Status: 30% concluídos
Taxa de ocupação em 2010: 68%
Taxa de ocupação prevista para 2014: 68,9%

HOTELARIA
Número atual de leitos: 45.000
Recomendação para 2014: 23.700
Previsão: 53.300

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