Número de imigrantes em países ricos aumentou um terço em dez anos

O número de imigrantes que vivem nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aumentou em um terço na última década, apesar da recente queda dos fluxos migratórios provocada pela crise econômica iniciada em 2008, afirma um relatório publicado pela entidade nesta segunda-feira.

Segundo a OCDE, que reúne 34 países, a maioria deles ricos, cerca de 110 milhões de imigrantes viviam nos países membros da organização em 2009/2010, o equivalente a 9% da população total.

"A fatia da população nascida no exterior aumentou em quase todos os países da OCDE entre o período 2000/2001 e 2009/2010", diz o estudo Encontrar suas marcas – Indicadores da Integração dos Imigrantes.

Na Espanha, houve um aumento "espetacular" no número de imigrantes nesse período, diz a organização. O número de estrangeiros triplicou em uma década no país e representa 14% da população total.

Em 2010 (último ano analisado pelo estudo), a Espanha registrava um total de 6,5 milhões de imigrantes, número comparável ao do Canadá e superior ao da Austrália, países onde o impacto da crise financeira e econômica foi bem menor do que na Espanha.

Na Irlanda e na Islândia, países que também foram fortemente afetados pela crise financeira e econômica mundial de 2008 e 2009, o número de imigrantes praticamente dobrou desde o início dos anos 2000, segundo a OCDE.

Na Irlanda, os imigrantes representavam 17% da população total do país em 2010.

De acordo com o estudo, mais de um terço dos imigrantes residentes nos países ricos vivem nos Estados Unidos. A Alemanha é o segundo país que mais recebe estrangeiros e acolhe quase 10% do total de imigrantes nos países da OCDE.

Estados Unidos, Alemanha, França e Grã-Bretanha são os países que registram o maior volume de imigrantes, afirma a organização.

Em 2009/2010, cerca de um terço dos imigrantes nos países da OCDE eram de origem europeia.

Os latino-americanos totalizam cerca de um quarto, como também os asiáticos. Os africanos representam 12% do total de estrangeiros nos países do bloco.

EMPREGO

Pela primeira vez, a organização analisou em um estudo o nível de integração dos imigrantes nos países da OCDE.

A taxa de emprego dos imigrantes aumentou na quase totalidade dos países da OCDE nos últimos dez anos, atingindo uma média de 65%, apenas 2,6 pontos percentuais inferior ao nível de emprego dos nacionais.

Na Alemanha, a taxa de emprego dos estrangeiros passou de 57% em 2000 a 64% em 2010. Na Grã-Bretanha, ela passou de 62% para pouco mais de 66% no mesmo período.

"Somente os países fortemente afetados pela crise registraram queda na taxa de emprego dos imigrantes", afirma o relatório. Nos Estados Unidos, a taxa passou de 70% a

67% e, na Espanha, ela caiu de 62% para 57%.

DISCRIMINAÇÃO

O relatório divulgado nesta segunda-feira leva em conta fatores como moradia, acesso à saúde, nível de educação e de emprego dos imigrantes e aborda a questão da discriminação sofrida por estrangeiros no mercado de trabalho, acesso à moradia e obtenção de bens e serviços.

A Grécia é o país onde o nível de discriminação contra imigrantes, de acordo com pesquisas, é o mais alto. Em geral, nos países do sul da Europa, a discriminação observada pelos estrangeiros é maior do que na média dos países da OCDE.

O estudo também revela que os imigrantes com baixo nível de instrução têm uma taxa de emprego mais elevada do que a da população geral com o mesmo grau de formação.

Na média dos países da OCDE, os imigrantes exercem mais trabalhos temporários do que os nacionais.

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