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Otimismo X Pessimismo

O que leva uma pessoa a ser pessimista ou otimista no seu dia a dia?

Há duas atitudes que dividem as pessoas em dois perfis: a primeira é uma contínua queixa, a outra um constante sorrir. A vida é a mesma, se a chamamos de boa ou má, correta ou incorreta, ela é o que é, e não pode ser de outro modo. Existem aqueles indivíduos que se queixam de manhã a noite, e nunca tem fim suas lamentações. Outros queixam-se da saúde, de si próprios, e transformam suas vidas em uma sucessão de lamentos. Por outro lado, existem aquelas pessoas que sempre encontram o lado bom das coisas, mesmo em situações adversas. Nesta edição da Linha Aberta estamos falando sobre o otimista e o pessimista. E as causas que levam uma pessoa a ser ou agir de uma forma ou de outra.

O pessimismo é um estado de espírito contrário ao otimismo, que se caracteriza por ver as coisas sempre pelo lado negativo. Segundo o dicionário Aurélio, em sua versão eletrônica, pessimismo é a "disposição de espírito que leva o indivíduo a encarar tudo pelo lado negativo, a esperar de tudo o pior".

No âmbito filosófico, segundo a mesma fonte, refere-se a um "caráter das doutrinas metafísicas ou morais que afirmam a supremacia do mal sobre o bem e costumam levar à adoção de uma atitude geral de escapismo, imobilismo ou conformismo, quer seja o mal considerado a privação dos meios de conservação da vida (alimentação, abrigo, etc.), quer seja considerado a privação dos meios de expansão e desenvolvimento espiritual."

O otimismo é a disposição para encarar as coisas pelo seu lado positivo e esperar sempre por um desfecho favorável, mesmo em situações muito difíceis. É o oposto do pessimismo. Uma posição pessoal otimista é fortemente vinculada à auto-estima, ao bem-estar psicológico e à saúde física e mental. Há estudos que relacionam também o otimismo com o funcionamento do sistema imunológico e a resistência ao stress.

A oposição entre otimismo e pessimismo é seguidamente evocada pelo "dilema do copo": se ele é preenchido com água até a metade de sua capacidade, espera-se que um otimista diga que ele está "meio cheio" e que um pessimista reconheça um copo "meio vazio".
Em filosofia, otimismo é uma orientação característica do pensamento de Leibnitz, que pode ser resumida na afirmação de que, sendo o universo criado por Deus, nele se torna possível conciliar o máximo de bem e o mínimo de mal, o que faz dele "o melhor dos mundos possíveis". Esta posição, exposta no século XVII, foi particularmente combatida por Voltaire no século XVIII, especialmente em sua obra satírica "Cândido, ou o Otimismo".

Já no início do século XIX, o filósofo anarquista inglês William Godwin foi ainda mais longe que Leibnitz em seu otimismo, ao supor que a sociedade humana tenderia a alcançar um estado em que a razão viria a substituir todo o uso da força e da violência, a mente controlaria a matéria e a inteligência descobriria o segredo da imortalidade.

Mais recentemente, há uma tendência a associar otimismo e "pensamento positivo", baseada na vulgarização da idéia de que a vontade (muitas vezes combinada com a fé) pode superar qualquer dificuldade, o que está na origem de muitas religiões e de quase toda a literatura de auto-ajuda.

Estudos acadêmicos sugerem que, apesar de otimismo e pessimismo serem tradicionalmente vistos como opostos, em termos psicológicos eles podem não funcionar dessa maneira. Ter muito otimismo não significa ter pouco pessimismo, e vice-versa. Em muitas ocasiões, ambos seriam igualmente necessários.

Os tipos de otimistas e pessimistas
Para a psicóloga Adriana Tanese Nogueira, da ATNHumanize, há dois tipos de otimistas: o superficial, que sonha e não encara a realidade, e a pessoa positiva. O primeiro é aquele que é otimista só de fachada, muitas vezes acaba quebrando a cara porque não quis olhar a situação de perto e levar em consideração aspectos que não seriam tão positivos. Este tipo de pessoa não sabe como lidar com as dificuldades, portanto para ser otimista as nega ou minimiza.

O segundo tipo de otimista é a pessoa positiva com os pés no chão. Para mim sua força está em sua auto-estima da pessoa e em sua capacidade de entender os problemas e lidar com ele, portanto é uma pessoa madura emocional e intelectualmente. Não se deixa assustar facilmente pela vida. Essa pessoa é também criativa, porque sem criatividade muitos problemas não se resolvem.

Adriana Tanese explica que a pessoa pessimista carrega mágoas demais, é uma pessoa ferida que no lugar de cuidar de suas feridas, as usa todos os dias como roupas velhas fedorentas que poluem tudo o que ela experimenta. “O pessimista é negativo, e é negativo porque fracassou e não se levantou. Fracassar é fácil, todos erramos e todos nos machucamos. A questão é saber aprender com a experiência e se levantar. O pessimista fica sentado na beira da estrada e reclama de sua situação”, assegurou.

Não nascemos otimistas ou pessimistas
Segundo o professor Anthony Portigliatti, presidente e chanceler da FCU, Florida Christian University, uma pessoa otimista é a que tem disposição para encarar tudo que acontece e antever o futuro pelo seu lado positivo e esperar sempre por um desfecho favorável, mesmo em situações muito difíceis. Ele define o pessimista como uma pessoa que tem uma disposição de espírito para encarar tudo pelo lado negativo e a esperar de tudo o pior".

Anthony Portigliatti acredita que, como todo comportamento adquirido, “o pessimismo resulta de uma pre-disposição individual, de natureza bioquímica e genética, combinada com influências adquiridas do meio externo, principalmente, as crenças limitantes, como se diz em linguagem de coaching”.  Ele acredita que não nascemos pessimistas, ou otimistas. "Nosso posicionamento frente a cada adversidade que enfrentamos nos faz  "aprender a ser" à medida que acumulamos frustrações que não conseguimos assimilar nem processar", assegurou.

Portigliatti cita como exemplo  o conceito apresentando pela Dra. Tali Sharot, do Trust Centre of Neuroimaging, da London’s Global University, que afirma que a neurosciência e as ciências sociais têm revelado que somos mais otimistas do que realistas. “Pesquisas demonstram que, em média, nós esperamos que as coisas sempre acabem melhor do que acabam sendo. Há, portanto, em cada ser humano, uma tendência natural para a esperança, que o mantém vivo, reduz o estresse e melhora a saúde”, afirma.

Ele apresenta ainda a tese da Dra. Elaine Fox, professora de Psicologia e Neurociência Cognitiva da Universidade de Essex, que publicou mais de 90 artigos científicos num livro de ciência popular, “Cérebro Chuvoso, Cérebro Ensolarado”, em junho de 2012. “Dra. Fox estudou genes transportadores de seratonina, um neurotransmissor associado ao bem-estar, a autoconfiança e até a auto-estima. Descobriu que uma predisposição genética estaria associada à tendência para processarmos informações de maneira mais positiva/otimista ou negativa/pessimista”.

Dr. Anthony Portigliatti explica que a Dra. Fox também mostra como podemos treinar nosso cérebro para alegrar nossas vidas e aprender a florescer. “Com insights penetrantes o livro mostra como os genes, experiências de vida e processos cognitivos intercalam juntos para fazer o que somos e aprendemos que podemos influenciar nossas próprias personalidades”.

Suposições positivas sobre o futuro podem nos permitir tolerar situações estressantes que seriam insuportáveis. Portigliatti cita como exemplo um empreendedor, ao criar uma empresa, por exemplo, pode decidir-se a trabalhar 18 horas por dia durante meses e até anos, porque ele acredita que haverá uma grande recompensa para ele no final.

“Quando você está envolvido em uma mentalidade otimista, sua crença é que as coisas vão funcionar, você só precisa descobrir como. Esta atitude permite chegar a soluções inovadoras, enquanto uma perspectiva pessimista só poderia deixá-lo preso”, assegurou. Suzanne Segerstrom, em seu livro “Quebrando a Lei de Murphy Nova York”, publicado pela Imprensa Guildford, afirma em seu livro que “os otimistas são felizes e saudáveis, não  por causa de quem eles são, mas por causa de como eles agem”. O otimismo é mais o que fazemos do que o que somos, e, assim, pode ser aprendido.

Anthony Portigliatti explica que o pessimismo também é ruim para a saúde. O pessimismo torna as pessoas mais susceptíveis de morrer de doença cardíaca, bem como mais propensos a ter câncer em primeiro lugar. Ele conta que pesquisadores que estudam doenças cardíacas descobriram que os otimistas eram mais propensos do que os não-otimistas pacientes a tomar vitaminas, adotar dietas de baixa gordura e exercícios, reduzindo assim o risco de acidentes coronarianos.

Um estudo de pacientes com câncer revelou que, entre os pacientes pessimistas, cerca de 60% eram mais propensos a morrer dentro de oito meses do que os pacientes não-pessimistas, da mesma idade e do mesmo estado inicial de saúde.

Os cientistas provaram que podemos mudar nossas respostas cerebrais pelo esforço consciente. Nós podemos realmente desencadear um padrão de determinada substância química no cérebro para que possamos mudar nossas atitudes e nosso pensamento de maneira positiva. Assim, mesmo se você tem o hábito de se concentrar no negativo, com a prática você pode mudar esse hábito.

Antony Portigliatti dá algumas dicas de como a pessoa pode da o primeiro passo, tomando o controle de como responde a seus pensamentos e em que pensamentos  ela pode se concentrar em fazer toda a diferença entre felicidade e infelicidade. “Um excelente primeiro passo é simplesmente a reconhecer os sentimentos negativos respeitosamente – eles não são a causa do seu sentimento ruim, mas sim indicações para o seu pensamento negativo. Em seguida, concentrar suas energias em um substituto. Otimistas, você vê, use sua imaginação para ensaiar sucesso”, sugeriu o presidente da CFU.

Capacidade de escolher ou não um alvo

Segundo Josias Bezerra, pastor, psicólogo, professor e diretor da 2Grow Human Development, o otimista é a pessoa que tem capacidade de escolher um alvo, e de se manter  motivada a alcançá-lo, a despeito das dificuldades e até de eventuais fracassos. “Além da motivação, o otimista possui uma qualidade que somente pessoas emocionalmente inteligentes possuem: resiliência, que é a capacidade de suportar as pressões, dobrar-se sem se quebrar, abraçar a dor sem tranformá-la em sofrimento paralisante”, explica Josias. As pesquisas em ciência cognitiva mostram que cérebros positivos levam vantagem sobre cérebros negativos. Portanto,  compensa cultivar pensamentos positivos e agir de maneira proativa.

Josias  Bezerra explica que o pessimista é aquele cuja mente é predominantemente negativa. Raramente celebra suas pequenas vitórias e está sempre aguardando a desgraça na próxima esquina da vida. Em geral, sua autoestima é baixa, sua autoconfiança é capenga e sua reatividade é alta, ou seja, a habilidade de contornar obstáculos é muito pequena, o que o leva a fugir ou atacar, ao se sentir ameaçado.

Ele explica que, em situações como essa, o mais importante é evitar, como ensinava Aristóteles, tanto a deficiência, quanto o excesso. “Por exemplo, deficiência de otimismo é pessimismo; otimismo em equilíbrio é uma virtude;  mas, em excesso, é delírio”, citou como exemplo.

O ser humano tem a capacidade de mudar seu comportamento
Para Paulo Abreu, pastor, professor de coaching e presidente da Abreu Coaching International Institute, o ser humano é o único animal capaz de mudar sua biologia constantemente ao longo do dia. As células cerebrais ficam pesquisando o que a pessoa está pensando e assim o corpo vai alterando sua composição biológica e hormonal durante o dia, de acordo com o que elas, são alimentadas pelo pensamento.

Ele explica que tanto o otimismo quanto o pessimismo são comportamentos resultantes da química produzida em nosso cérebro a partir dos pensamentos. “A matemática é muito simples: Pensamentos produzem imaginação que produz sentimentos que produz o comportamento. Portanto o comportamento é um resultado produzido quimicamente. Se os pensamentos produzidos são de felicidade, logo a pessoa irá imaginar coisas felizes tais como resultados positivos. O cérebro basedo nessa informação irá produzir os hormônios neurotransmissores que refletem essa realidade, a saber a Serotonina, a Noradrenalina, A Dopamina, a Adrenalina, dentre outros, o que irá produzir o comportamento de otimismo. Na mesma direção, se os pensamentos são de tristeza, de incapacidade, de derrota, o cérebro irá produzir imaginação no mesmo nível e com a pesquisa das células nos pensamentos o cérebro irá produzir a química relacionada a isso que se chama toxina. Uma das principais e mais comum é o cortizol que ataca o fígado, o rim e o pâncreas. Com este estado em sua corrente sanguínea a pessoa somente irá produzir o pessimismo”, informou.

Paulo Abreu explica que um surto de estresse produz uma grande descarga de hormônios de cortizol no organismo que produz uma grande redução até mesmo no sistema imunológico, produzindo um estado emocional negativo de desânimo, pessimismo, tristeza e até depressão. Por outro lado, a realização de um alvo, a conquista de um objetivo ou uma paixão nova eleva o nível de produção dos hormônios neurotransmisores que carregam os neuropeptídeos fazendo com que a pessoa entre numa atmosfera de alegria, contentamento, felicidade e otimismo.

Ele afirma que as pessoas precisam tomar muito mais cuidado com o que pensam, principalmente porque existem 3 tipos de pensamentos que influenciam as células cerebrais a produzirem os hormônios do Otimismo ou do Pessimismo. Os 3 tipos de pensamento são: Pensamento consciente, Pensamento Inconsciente e Pensamento Coletivo.

O Pensamento Consciente é aquele que deliberadamente se decide pensar, que se quer pensar, enquanto que o Pensamento Inconsciente é aquele que do nada vem do subconsciente e começa a influenciar o pensamento consciente. “O grande problema é que o pensamento inconsciente nasce do subconsciente que já está armazenado com todo o sistema de crenças e os traumas emocionais que a pessoa sofreu no passado, e esses pensamentos a pessoa não tem controle sobre eles, do nada eles aparecem e começam a influenciar o pensamento consciente”, explica Paulo Abreu. “Por isso as pessoas devem procurar ajuda profissional para tratar de traumas e sistema de crenças limitantes para serem livres desses pensamentos de derrota”.

O terceiro tipo de pensamento que influencia o Comportamento é o Coletivo, ou seja, o ambiente onde a pessoa está inserida, a saber: família, trabalho, associação, grupo, igreja, etc. Cada ambiente gera uma atmosfera que também influencia o pensamento, e em consequência o comportamento.

Baseado nesta premissa, Paulo Abreu afirma que cada pessoa irá se transformar em pessimista ou otimista dependendo da quantidade de pensamentos que ela produz a seu próprio respeito. “O interessante é que a física quântica consegue medir o nível comportamental das pessoas através dos neutrinos, átomos minúsculos que passam pela matéria e tem o poder de levar o estado emocional num raio de 3 e 4 metros de distância. O aparelho usado para medir os neutrinos é o magnometrômetro.

Os neutrinos tem o poder de carregar o ambiente emocional gerado pela pessoa, em outras palavras, o estado emocional de uma pessoa influencia o ambiente onde ela está inserida. Paulo Abreu explica como isso funciona: Você já entrou num ambiente onde uma pessoa pessimista, negativista, irada, irritada consegue em poucos segundos influenciar o comportamento dos demais? Pois bem, esse é o poder dos neutrinos. Portanto, um pessimista tem o poder de influenciar o seu ambiente.

Sabendo disso é preciso se esforçar para transformar o ambiente de negativismo para positivismo. Muitas pessoas querem mudar mas não sabem como. A melhor maneira de se TRANSFORMAR em uma pessoa positiva é através da mudança do pensamento. Não existe remédio para isso, pode até se receitar paleativos hormonais que irão trabalhar na medida de balancear a produção química, porém quando a pessoa PENSA novamente, o cérebro irá produzir a mesma química: de alegria e otimismo ou de tristeza e pessimismo.

Paulo Abreu cita  conceitos bíblicos para definir o pensamento do homem. Em Provérbios, o sábio Salomão diz: Assim como o homem imagina em sua alma assim ele é. Isso quer dizer que a Imaginação (capacidade de criar imagens) irá produzir a química dentro de nós. Quem pensa que vai fracassar, já fracassou mesmo antes de tentar. O estado emocional do pensamento é algo que deve ser vigiado constantemente por quem quer ser OTIMISTA.

E Paulo Abreu dá sua receita: Devemos ser um guardião de nossos pensamentos, um guardião de nossas memórias. Devemos pensar em tudo o que é puro, limpo, alegre, positivo, de bom grado, que nos dê honra e nos projete para frente. E lembre-se, se você ainda não está neste nível de vigiar seus pensamentos, procure ajuda de um profissional, pois seu futuro é projetado pelos seus pensamentos. Quer saber como será seu comportamento amanhã ? Cheque seus pensamentos hoje. Quer saber como será seu Futuro? Vigie seus pensamentos hoje.

 

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