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Ex-premiê sírio condena Assad em primeira aparição pública

O ex-primeiro-ministro sírio Riad Hijab se referiu ao governo do presidente da Síria, Bashar al-Assad, como um "inimigo de Deus", em sua primeira aparição pública desde que desertou na semana passada, nesta terça-feira, 14.

Ele disse em entrevista coletiva em Amã, na Jordânia, que desertou e se juntou à revolta de 17 meses contra Assad por vontade própria e que não foi demitido, como disseram autoridades sírias.

Hijab é a figura política de mais alto escalão a deixar o regime de Assad. Ele disse sentir "uma dor na alma" em razão dos ataques do regime contra redutos rebeldes, na medida em que o governo intensifica sua ofensiva militar. Ativistas dizem que mais de 20 mil pessoas foram mortas desde o início do levante popular, que começou em março de 2011.

"Eu não tinha poder para interromper a injustiça", disse ele, em frente a uma bandeira dos rebeldes. Hijab conclamou os "líderes honrados" da Síria a desertarem. "A Síria está cheia de autoridades e líderes militares honrados que aguardam uma chance para se juntar à revolução", afirmou ele.

"Eu conclamo o Exército a seguir o exemplo dos militares do Egito e da Tunísia: tomem o lado do povo", acrescentou. Hijab disse que agora apoia os rebeldes, mas não falou sobre seus planos. Há rumores de que ele poderia viajar para o Catar, país que é um dos principais apoiadores dos rebeldes sírios. 

Ajuda humanitária

Foi também hoje que a chefe de assuntos humanitários da Organização das Nações Unidas (ONU), Valerie Amos, chegou à Síria para uma visita regional de três dias a fim de discutir a distribuição de ajuda aos civis sírios isolados ou refugiados pelo conflito no país, afirmou um comunicado.

Valerie, que entrou na Síria com um comboio terrestre a partir do Líbano, deve se reunir com autoridades sírias, incluindo o vice-chanceler Faisal Mekdad, assim como representantes do Crescente Vermelho Árabe Sírio, disse o porta-voz Jens Laerke. "Eles cruzaram a fronteira e foram recebidos por autoridades do Ministério das Relações Exteriores", disse à Reuters em Genebra.

Valerie discutirá meios de aumentar a ajuda emergencial aos civis, mas os confrontos devem diminuir antes que haja qualquer esperança real de ter acesso a pontos quentes, disseram diplomatas na segunda-feira.

A situação humanitária na Síria piorou nas últimas semanas, já que os combates se espalharam para Damasco e Aleppo. Dois milhões de pessoas podem ter sido afetadas pela crise e 1,5 milhão de sírios estão deslocados internamente, de acordo com a entidade.

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