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O uso dos antibióticos

Giovana Marques | contato@linhaaberta.com

Os antibióticos são medicamentos desenvolvidos a partir de bactérias benignas, fungos ou elementos sintéticos que são produzidos em laboratórios com o intuito de combater microorganismos (bactérias maléficas) causadores de infecções. Acontece que quando o antibiótico elimina essas bactérias ruins que causam as infecções, ele acaba também eliminando as bactérias boas, a maior parte delas encontradas no nosso intestino, onde elas atuam na digestão de carboidratos complexos e para outros serviços metabólicos, como a reabsorção de água e nutrientes pelo intestino.

O que são os Antibióticos?
Os antibióticos são drogas que atuam matando ou reduzindo o ritmo de crescimento das bactérias. Os antibióticos pertencem à classe dos Antimicrobianos, um grupo maior de medicamentos que inclui anti-virais, anti-fúngicos e anti-parasitários.

Flagelo mundial
A descoberta e o uso do antibiótico, na primeira metade do século XX,  mudou radicalmente o panorama da saúde pública, à escala mundial. Basta pensar nos recuos e  contenção de doenças como a tuberculose, a sífilis e algumas pneumonias. Passou a ser possível travar ou reduzir expressivamente epidemias por infecções, e assim se pouparam muitos milhões de vidas. A partir daí, estas substâncias passaram a ser encaradas como “salva-vidas”, nas mais diferentes circunstâncias, o que deu lugar ao seu uso abusivo.
A partir destas observações, pode-se compreender que o uso de um antibiótico sem o diagnóstico médico prévio só contribui para alargar a resistência aos antibióticos, um flagelo mundial já reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A OMS, de resto, baseando-se no inquietante diagnóstico, tem vindo a dar orientações para travar e inverter este gravíssimo problema de saúde público. Caso se mantenha a situação, corre-se o risco de se morrer com uma infecção urinária, por exemplo.

O uso abusivo
O que se entende aqui por “uso abusivo”? Passou a ser banal recorrer-se à utilização de antibióticos para toda e qualquer situação, mesmo que não se trate de uma infecção produzida por bactérias. Na verdade, o efeito do antibiótico só se verifica sobre bactérias, enquanto que as infecções podem ser provocadas por vírus ou bactérias.
Gripes, constipações, sarampo, hepatite, varicela ou papeira, por exemplos, são provocadas por vírus. Basta só considerar estas situações para se ver que a maioria das infecções comuns não são tratáveis com antibióticos, porque são de origem vírica.
Quando as bactérias boas do nosso corpo também são eliminadas, a imunidade se desestabiliza. A partir daí começa um processo natural de reconstituição da flora intestinal, para que novamente fermentem essa boas bactérias. No entanto existe uma alternativa para se reestabelecer com ajuda dos probióticos, que são particularmente indicados para as pessoas que têm um distúrbio imunológico, ou sofrem de doenças graves.
Com função benéfica no organismo, os probióticos têm efeito sobre o equilíbrio bacteriano intestinal: controla o colesterol e reduz o risco de câncer. Alguns tipos de probióticos alimentícios são encontrados no mercado, como leites fermentados, iogurtes, ou podem ser encontrados na forma de pó e cápsulas. Muitos profissionais  sugerem que a ingestão dos probióticos não é obrigatória, pois o próprio organismo é capaz de se reestabelecer sozinho, naturalmente.
Não é só isso que pode ocorrer com o excesso de antibióticos. O seu uso exagerado também pode favorecer a resistência desses microorganismos a certos medicamentos, o que tornam essas bactérias super-resistentes, como a superbactéria KPC, que já preocupou muitos infectologistas no mundo pela incapacidade de contê-la.

Antibióticos podem fazer engordar
Não é novidade que os antibióticos vêm sendo usados de maneira excessiva pela maior parte das pessoas do mundo. Esse uso descontrolado tem provocado o fortalecimento das bactérias, tornando-as mais resistentes – as chamadas superbactérias perigosas. Contudo, pesquisadores da New York University, nos Estados Unidos, descobriram que essas drogas estão afetando as bactérias que fazem parte do nosso organismo, especialmente as da flora intestinal.
Durante as pesquisas surgiram indícios de que o uso prolongado de antibióticos está levando ao aumento de peso. Para checarem essa informação os cientistas deram doses seguidas de penicilina para animais de laboratório desde a sua infância e depois de 30 semanas, já na fase adulta, os animais que receberam o antibiótico estavam de 10% a 15% maiores e com o dobro de gordura do que os animais do grupo controle. A flora intestinal dos animais que receberam as drogas apresentavam menores níveis de bactérias benéficas que são associadas a um menor risco de recorrência de câncer.

Cuidados do doente
O doente deve ser responsabilizado para acatar a prescrição médica e o aconselhamento farmacêutico. E deve saber agir: só deve iniciar um tratamento com antibiótico após diagnóstico médico.
A constipação e a gripe não devem ser tratadas com antibióticos porque estes não produzem qualquer efeito nestas situações.
Devemos seguir com rigor as recomendações do médico sempre que for prescrito um antibiótico; cumprir o tratamento prescrito até ao fim, respeitando o intervalo entre as doses e a duração.
Não interromper a terapêutica, mesmo que se sinta melhor. O alargamento do intervalo entre as doses e a suspensão do tratamento logo que se registem melhoras, são duas das principais causas da resistência bacteriana.
Enquanto utilizador de antibióticos, ou sempre que tiver um filho doente, não insista com o médico para prescrever ou dispensar medicamentos inadequados. Não se esqueça que nas infecções víricas os antiobióticos não são a melhor solução.

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