Voltar ou Ficar? Eis a questão.

A matéria de capa desta edição surgiu da leitura de uma reportagem publicada na Folha de São Paulo sobre a síndrome do retorno, uma enfermidade que está afetando milhares de pessoas que retornam ao seu país de origem depois de viverem alguns anos no exterior.

A síndrome do retorno, nome dado ao sentimento ocasionado pela falta de adaptação sofrida por tantos imigrantes que voltam a seu país de origem, é um termo cunhado pelo neuropsiquiatra Décio Nakagawa para designar certo "jet lag espiritual" que aflige ex-imigrantes.

Ao estudar a vida dos brasileiros descendentes de japoneses que trabalhavam em fábricas japonesas, Nakagawa, que faleceu em 2001, pôde perceber que a adaptação em um país diferente acontece em seis meses, já a readaptação ao país de origem pode demorar dois anos”.

Conhecendo de perto a comunidade imigrante nos Estados Unidos, podemos ver que esta é uma realidade. Muitos imigrantes não querem regressar, mas por falta de trabalho, ou de documentos, não tem outra opção.

Outros planejam a volta com cuidado, mas quando regressam, percebem que é difícil se adaptar ao estilo de vida de seu país. E ainda outros, geralmente mais preparados e com condições de serem inseridos no mercado de trabalho, consenguem esta adaptação.

E temos ainda o imigrante que veio para o exterior somente com o propósito de juntar dinheiro e vive em função da sua meta. E quando regressam, voltam à patria, mas querendo ou não, foram afetados por outra cultura e não são mais as mesmas pessoas. E o Brasil também não é mais o mesmo.

Na verdade, podemos parafrasear o grande poeta Vinícius de Moraes quando escreve:

“ Filhos… Filhos?  Melhor não tê-los! Mas se não tê-los, como sabê-los?”  E aí podemos dizer ….“Mudar para o exterior, porque não tentar, e se não tentarmos, como saber…” , mas uma coisa sabemos: jamais seremos os mesmos depois de uma experiência de viver fora do nosso país. Por isso, que possamos fazer desta experiência, a melhor de nossas vidas! Boa leitura!

» LAINE FURTADO é Editora da Revista Linha Aberta com bacharelado em Jornalismo pela UFJF e mestrado em Teologia pela SFBC
 

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