Chávez quebra silêncio após 10 dias

Após um final de semana de intensos rumores sobre seu estado de saúde, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em Havana recebendo sessões de radioterapia, falou por telefone com a TV estatal venezuelana na tarde desta segunda, rompendo nove dias de silêncio.

Chávez, que não revela de que tipo de câncer padece, afirmou que o país terá de se acostumar "nas próximas semanas e meses" a viver em meio a rumores, parte da "guerra suja" dos inimigos de seu governo.

O presidente venezuelano, que prometeu voltar a Caracas na quinta 26, queixou-se dos efeitos colaterais do tratamento radioterápico do qual os presidentes Dilma Rousseff (Brasil) e Fernando Lugo, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já lhe haviam alertado. Dilma, Lugo e Lula se trataram de câncer.

"Pergunte a qualquer pessoa que já fez o que é radioterapia", disse Chávez. Segundo ele, os políticos lhe fizeram relatos "jocosos" sobre as agruras do tratamento. "Esse tratamento não é comer manteiga", seguiu.

SILÊNCIO E MERCADO

Até a tarde desta segunda, o presidente, com aparições televisivas ou ao menos telefônicas praticamente diárias, só havia se manifestado publicamente via Twitter.

O intervalo de silêncio de Chávez alimentou intensos rumores no fim de semana, alguns dos quais -via redes sociais ou pelo serviço de mensagens do Blackberry, populares na Venezuela- afirmavam que o presidente havia morrido.

A boataria foi tanta que até o jornalista Nelson Bocaranda, crítico ferrenho do governo que ganhou fama ao revelar que Chávez tinha câncer quando o governo ainda negava, veio a público acalmar os ânimos.

"[Repito] uma vez mais: não há nada de anormal em Cuba. Não há movimento de aviões nem de altos funcionários vermelhos [chavistas]. Não caiam nessa de repetir falsidades", disse, em sua conta no Twitter, no domingo.

Bocaranda, porém, sustenta que o câncer de Chávez está em estado avançado –várias metástases– e que ele estaria usando uma muleta por conta de uma dor no fêmur.

O silêncio de Chávez também se refletiu no mercado. A Bloomberg reportou que as ações da estatal petroleira PDVSA foram os títulos coorporativos em dólar mais negociados nesta segunda pouco antes das 16h em Nova York. Segundo a agência, foram feitas 102 transações de mais US$ 1 milhão.

Também nesta segunda, analistas do britânico Barclays Capital divulgaram informe a clientes intitulado: "Venezuela: sinais de deterioração da saúde do presidente".

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