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Frio congela rio Danúbio da Croácia até a Romênia

Embarcações ficaram presas nas águas congeladas do Danúbio

Embarcações ficaram presas nas águas congeladas do Danúbio

O Danúbio, o segundo rio mais extenso da Europa, está coberto por uma camada de gelo de grande espessura que impossibilita a navegação da Croácia até a Romênia, onde fica sua foz, informaram as autoridades nesta quinta-feira. O temporal que castiga os Bálcãs há duas semanas com temperaturas que chegaram a ultrapassar os -30°C paralisou parte do principal canal comercial da Europa, que com seus 2.860 quilômetros passa por dez países, da Alemanha até a Romênia.

Na Hungria, onde ainda não há problemas de navegação no Danúbio, está previsto que durante o fim de semana o rio congele em sua passagem por Budapeste, algo que não acontece há 25 anos. Na Croácia, a navegação foi proibida ao longo dos 137 quilômetros do rio que percorrem seu território, por estar congelado em grande parte – nos próximos dias, pode gelar completamente.

Já na Sérvia as autoridades proibiram a navegação pelo Danúbio por conta das camadas de gelo que se formaram sobre o rio e a medida ficará em vigor até que as condições meteorológicas melhorem, o que deve ocorrer em dentro de pelo menos dez dias. A navegação também está proibida na Bulgária e o trânsito de mercadorias está sendo desviado para a única ponte sobre o Danúbio que liga esse país com a Romênia.

As autoridades consideram que o rio ficará totalmente congelado em vários pontos, enquanto a quantidade de gelo flutuante na altura da cidade búlgara de Russe cobre 90% do leito. Na Romênia a navegação continua fechada em várias áreas do curso do Danúbio, onde as baixas temperaturas bloquearam também o delta do rio, informou o Ministério de Transportes.

Mortes – Enquanto o frio não dá sinais de trégua, o número de vítimas não para de crescer: são mais de 500 mortos nas duas últimas semanas, a maioria no leste do continente. O país mais afetado até o momento é a Ucrânia, onde mais de 136 pessoas morreram até terça-feira, sendo 112 mortes causadas diretamente pelo frio. O sul do país está praticamente paralisado devido às nevascas, que bloquearam estradas.

Na Polônia, o número de mortos por hipotermia já chega a 74, com mais cinco em apenas 24 horas, informou a polícia. E é preciso somar cerca de 50 pessoas mortas devido a aquecedores defeituosos, que provocaram asfixia por monóxido de carbono e vários incêndios. O frio já deixou 24 mortos na República Tcheca, 23 na Lituânia, 10 na Letônia, três na Eslováquia e um na Estônia.

Já a Rússia contabiliza desde o início de 2012 pelo menos 110 mortes de adultos em decorrência do frio, sendo 46 no mês de fevereiro, informou nesta quarta-feira o Ministério russo da Saúde. "Até hoje, 110 adultos morreram" de frio desde 1º de janeiro, disse o porta-voz do ministério, Konstantin Prochine, acrescentando que eventuais vítimas de menos de 18 anos não estão incluídas no registro devido à total falta de estatísticas. A temperatura caiu para -24°C na madrugada desta quarta-feira em Moscou, e se aproximava dos -34°C na Iakútia, na Sibéria Oriental. Em toda a região de Krasnodar, às margens do Mar Negro, as escolas foram fechadas por causa do frio intenso.

 

 

O sistema de transporte coletivo também está sendo prejudicado

 

Prejuízos – A Bulgária também sofre muito com as nevascas, que paralisaram todos os transportes no nordeste e no leste do país, enquanto no sul o trânsito continuava suspenso após as inundações de segunda-feira, que deixaram oito mortos. Em diversas localidades do país, a situação era caótica, com testemunhos de motoristas presos na neve sem combustível e de aldeias inteiras isoladas sem comida ou eletricidade. Postos na fronteira da Bulgária com a Turquia e a Romênia precisaram ser fechados, assim como os grandes portos búlgaros no mar Negro, em Varna e Burgas. As autoridades decidiram que as escolas permanecerão fechadas até nova ordem, diante da previsão de novas nevascas.

Na parte mais ocidental, a Itália é o país mais afetado pelas nevascas, e desde 1º de fevereiro o número de mortos chega a 40. Em Veneza, uma estátua de 9 metros de altura do artista Guerrino Lovato, símbolo do célebre carnaval deste ano, foi derrubada por violentas rajadas de vento de até 80 km por hora. Já em Turim o gelo provocou o rompimento de tubulações, que inundaram quatro estações do metrô.

A situação é muito difícil inclusive no sul do país, depois de a neve chegar a quase três metros de espessura na região de Basilicata. Toda a região italiana próxima ao mar Adriático sofrerá nevascas nos próximos dias. Em Sérvia, Croácia, Bósnia, Macedônia e Montenegro pelo menos 70.000 pessoas estão há dias isoladas em aldeias recônditas devido ao fechamento das estradas pelo excesso da neve.

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