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Tea Party fica isolado em debate tributário nos EUA

 O presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, o republicano John Boehner, espera poupar o seu partido de uma segunda derrota constrangedora por causa da desoneração tributária dos salários. Para isso, Boehner se prepara para isolar parlamentares rebeldes aliados ao grupo do Tea Party, segundo assessores do Congresso.

Em dezembro deputados republicanos foram criticados dentro e fora do partido por rejeitarem inicialmente um projeto do Senado que ampliaria até fevereiro um benefício tributário. A ajuda alcança 160 milhões de americanos, e é vista como um estímulo para a recuperação econômica.

O partido republicano, que tradicionalmente defende os impostos baixos, ficou na defensiva na ocasião. Agora seus líderes estão ávidos por um acordo, a ser discutido nos próximos dias com os democratas, que prorrogue a desoneração pelo restante do ano.

Os líderes republicanos temem que uma nova batalha os desvie da sua tarefa prioritária –tirar Barack Obama da Casa Branca e conquistar a maioria do Senado na eleição geral de novembro. Eles também querem neutralizar um tema que os democratas já estão usando a seu favor na campanha eleitoral.

"Acho que Boehner buscará uma abordagem mais conciliadora, para levar um bom percentual dos democratas a votarem a favor –mesmo que isso lhe custe muitas baixas entre os novatos republicanos da Casa", disse um assessor da liderança partidária. "Os instintos dele não serão tão dependentes dos novatos [parlamentares em primeiro mandato]".

O grupo, alinhado principalmente com o movimento populista-direitista Tea Party, ajudou o Partido Republicano a formar maioria em 2010, mas se mostra teimosamente avesso a acordos relacionados com impostos e gastos públicos.

DEBATE

O Congresso tem até 29 de fevereiro para aprovar a desoneração tributária, que assegura cerca de US$ 1.000 extras por ano a cada família típica de classe média.

Os republicanos nunca se entusiasmaram muito por esse benefício criado por Obama, pois questionam sua eficácia em estimular a economia e a conveniência de usar recursos que seriam destinados à previdência.

A repercussão do embate de dezembro com os democratas foi tão ruim para os republicanos que alguns assessores parlamentares agora falam em selar o acordo antes de 24 de janeiro, quando Obama faz o seu discurso anual do Estado da União.

Alguns parlamentares do Tea Party, porém, já olham para além dessa questão, avaliando formas de levar adiante suas reivindicações relacionadas à redução do seguro-desemprego e de alguns programas federais de saúde, e congelamento de salários do funcionalismo.

Em dezembro, ao anunciar a prorrogação do benefício por dois meses, durante uma teleconferência com a base partidária, as linhas telefônicas tiveram de ser cortadas para abafar o descontentamento dos militantes.

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