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“Os Muppets” conquistam os adultos

Novo filme dos personagens da Vila Sésamo é para os pequenos, mas aposta no saudosismo para conquistar também os adultos

Um casal do interior planeja comemorar o décimo aniversário de namoro em Los Angeles. Mas Gary (Jason Segel) resolve levar junto o irmão Walter, que é fascinado pelos Muppets. Ao chegar em Hollywood, porém, eles descobrem que todo o glamour dos fantoches se foi. A única coisa que restou de um dos programas de maior sucesso da TV americana foram as salas vazias e sujas de seu antigo estúdio, agora propriedade de Tex Richman, um magnata do petróleo (papel do oscarizado Chris Cooper). A descoberta parece conter uma boa notícia: o local será transformado no Museu Muppet, promete o magnata. Mas é tudo uma cilada. No terreno, há petróleo, e Richman pretende construir ali uma grande refinaria – para ficar ainda mais rico.

Walter ouve tudo e conta ao irmão e à sua namorada Mary (Amy Adams), que ficam indignados. Os três partem então em busca de Kermit (Caco, o Sapo, para os nascidos na década de 1970) e o restante dos Muppets. O objetivo é reunir o grupo novamente e arrecadar os 10 milhões de dólares necessários para comprar de volta o estúdio. Para tanto, acreditam, é preciso armar um grande show.

A trama não é original nem complexa. É até um pouco boba, mas serve de base para um delicioso desfile de mais de 120 fantoches e inúmeras estrelas da televisão e do cinema americanos, de hoje e de ontem. O filme vale por isso. Revelações relativamente recentes como a fofa Amy Adams, o gigante Jason Segel e a sorridente Rashida Jones se apresentam ao lado da adolescente Selena Gomez (mais conhecida no Brasil pelo título de namorada do cantor Justin Bieber) e dos comediantes Whoopi Goldberg, Jack Black e Mickey Rooney (que esbanja simpatia aos 91 anos). As fãs de O Diabo Veste Prada rirão com a participação de Emily Blunt.
 
As piadas e brincadeiras sobre a indústria do cinema e da TV, os antigos filmes dos Muppets (o último deles estreou há doze anos) e o próprio Muppet Show são ótimas e criativas. Mas, diferentemente das animações da Pixar e de longas como Shrek, que fazem paródias, sátiras e referências à cultura "pop" de uma maneira que tanto crianças como adultos acham engraçada, Os Muppets acaba se esquecendo dos pequenos. Só quem assistiu a Garota Rosa-Choque e O Clube dos Cinco, dois grandes sucessos da década de 1980, se lembrará da ruivinha Molly Ringwald. E a piada envolvendo o ex-presidente americano Jimmy Carter fará sentido apenas para aqueles que conhecem a história dos Estados Unidos ou para quem estava vivo naquela época – ele deixou a presidência em 1981. Para um filme que pretende apresentar os bonecos de Jim Henson a uma nova geração, há referências demais aos anos 1960, 70 e 80 que as crianças e adolescentes de agora não vão entender.
 
Ainda na lista dos contras, um outro defeito do filme é o foco obsessivo em Kermit, Jason Segel e Walter. Com exceção deles, todo mundo é coadjuvante. Nem mesmo Miss Piggy tem grandes falas. O que é uma pena, pois cada um tem seu Muppet preferido. Ainda assim, há ótimas cenas da galera reunida.
 
Na lista de boas surpresas, os números musicais e, de novo ele, o saudosismo. A meia dúzia de canções do filme não incomoda aqueles que não são fãs do gênero. E as músicas conseguem ser, em determinados momentos, surpreendentes. Um dos pontos altos do filme é quase se vê um conhecidíssimo nerd dos seriados cantando em dueto – ou seria aquele um quarteto? Quanto à nostalgia, um dos momentos mais emocionantes do filme se deve justamente a ela. Quem é fã de carteirinha ficará com lágrimas nos olhos ao ver o escritório de Kermit, coberto de fotos do sapo com Jim Henson e as grandes celebridades que participaram do Muppet Show, em seus mais de vinte anos de existência nas TVs do mundo todo. Uma belíssima criação da direção de arte.
 
Resumindo, perdoe a trama boba. O filme é uma gracinha. As crianças americanas têm gostado muito (o longa estreou na semana passada nos EUA). Mas aqueles (de trinta e muitos anos) que assistiram ao programa na TV também vão se divertir muito. Talvez mais que as crianças.
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