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Lideranças internacionais comemoram libertação de Shalit

Diversas autoridades e lideranças internacionais comemoraram a libertação do soldado Gilad Shalit, que foi entregue nesta terça-feira ao Exército israelense após permanecer por mais de cinco anos como prisioneiro do Hamas.

O soldado israelense Gilad Shalit chegou nesta terça-feira na base militar de Tel Nof, no centro do país, onde se encontrará com sua família pela primeira vez após mais de cinco anos de cativeiro em poder do Hamas.

"Espero que este acordo ajude para a conclusão de um acordo de paz entre israelenses e palestinos", disse Shalit à TV egípcia. "Tenho esperança que a cooperação entre os dois lados seja consolidada."

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou ter cumprido a missão que se fixou ao assumir o cargo há mais de dois anos.

"Uma das principais missões que encontrei em minha mesa e fixei na agenda do meu coração era trazer de volta nosso soldado capturado são e salvo para casa. Hoje esse objetivo foi cumprido", declarou Netanyahu em entrevista na base militar de Tel Nof, no centro de Israel.

"Gilad retornou para casa com sua família, para seu povo, para seu país, é um momento sumamente emocionante", disse o premiê israelense após revelar que acompanhou Shalit no encontro com seus pais após a aterrissagem do helicóptero que o transportou até a base.

     
O soldado Gilad Shalit faz continência diante do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu
O soldado Gilad Shalit faz continência diante do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse aos presos libertados por Israel em Ramallah, que seu "sacrifício e duro trabalho não foram em vão" e afirmou que Israel se comprometeu a libertar mais presos palestinos além dos estipulados com o Hamas.

"Hoje é um grande dia para a Palestina e para a união nacional", afirmou Abbas em discurso para 3.000 pessoas em Muqata, na sede da ANP em Ramallah, para receber 95 presos libertados na Cisjordânia.

O vice-líder exilado do Hamas, Moussa Abu Marzouk, cumprimentou os prisioneiros que chegavam de Israel ao Egito. "Acho que o acordo representa algo grande para o povo palestino. Aqueles que ainda estão presos estão alegres por aqueles que foram libertados", disse.

Marzouk declarou, entretanto, que Israel dificultou o acordo para a libertação do soldado Gilad Shalit durante dois anos por suspender a mediação egípcia em favor de uma alemã. "Israel recorreu nestes dois anos a muitas manipulações para conseguir a libertação de Shalit, que não deram resultado", afirmou.

     
Familiares se dirigem à base aérea de Tel Nof (Israel) para encontrar o soldado Gilad Shalit, libertado após 5 anos de cativeiro
Familiares se dirigem à base aérea de Tel Nof para encontrar Gilad Shalit, libertado após 5 anos de cativeiro

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que espera que a troca de prisioneiros palestinos pelo soldado israelense Shalit "melhore as perspectivas para um processo de paz mais amplo".

"Com essa libertação, haverá um impacto positivo e de longo alcance para o processo de paz estagnado no Oriente Médio", afirmou o líder da organização mundial.

"Estou muito encorajado pela troca de prisioneiros de hoje, após muitos anos de negociação. As Nações Unidas vinham pedindo por um fim à inaceitável detenção de Gilad Shalir e também à libertação de todos os palestinos que sofreram abusos de direitos humanos", completou Ban.

A Anistia Internacional afirmou que a troca do soldado israelense por pelos primeiros 477 presos palestinos demonstra a necessidade de que haja um tratamento humanitário dos prisioneiros em Israel e em territórios ocupados.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira em Londres, a organização humanitária ressaltou que ainda falta muito por fazer para proteger os direitos de milhares de pessoas que ainda permanecem detidas.

"Este acordo é um alívio para Gilad Shalit e sua família depois de uma experiência penosa que durou mais de cinco anos", disse o diretor a AI para o Oriente Médio e Norte da África, Malcolm Smart. "Muitas famílias palestinas sentirão um alívio similar hoje [terça-feira] quando voltarem a ser reunir com seus familiares, pois muitos deles passaram décadas em duras condições detidos em Israel".

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, declarou que a libertação de Shalit é "um grande alívio para a França" e que espera que o acordo de troca de prisioneiros permita reativar as negociações de paz entre palestinos e israelenses.

A China também elogiou o acordo e disse esperar que isso ajude no processo de paz. "A China dá boas vindas a esta decisão e aplaude os esforços do Egito e outras partes implicadas", disse em coletiva de imprensa o porta-voz do Ministério de Assuntos Interiores, Liu Weimin.

Também o primeiro-ministro britânico, David Cameron, expressou "alívio e alegria" pela libertação de Shalit e parabenizou seu homólogo israelense pelo acordo. "Sei que os cidadãos do Reino Unido compartilharão a alegria e o alívio que sentiram hoje por Gilad Shalit e sua família", disse o premiê britânico, que disse que ainda que o soldado passou por um "cativeiro longo, cruel e injustificado".

LIBERTAÇÃO

O soldado chegou à base num helicóptero da Força Aérea israelense que saiu de um acampamento militar próximo à faixa de Gaza, onde Shalit tomou banho e trocou a roupa dada pelos sequestradores.

Segundo imagens divulgadas pelo Exército de Israel, na base ele falou ao telefone com seus parentes e recebeu um óculos, os primeiros que recebe desde que foi preso em junho de 2006.

As imagens mostram Shalit com uniforme militar. Ele foi promovido a primeiro sargento assim que saiu do cativeiro.

A imprensa local informou que os exames médicos realizados mostraram que a saúde do israelense é boa, embora ele apresente sinais de magreza e rosto pálido.

Shalif foi entregue na manhã desta terça-feira, por membros do Hamas, em Rafah, na fronteira da faixa de Gaza com o Egito, a representantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e funcionários do governo do Egito.

ENTENDA O CASO

Gilad Shalit, que também tem nacionalidade francesa, foi sequestrado em 25 de junho de 2006, durante uma operação do Exército israelense na faixa de Gaza, segundo a versão palestina, e em sua base em território israelense perto do limite de Gaza, segundo a versão israelense.

Quando capturado, Shalit era cabo e tinha 19 anos. Ele foi promovido a sargento durante seu sequestro e estaria em alguma parte da faixa de Gaza, dominada pelo Hamas desde 2007, quando o secular Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, foi expulso do território à força.

Nos últimos anos, Israel e Hamas fizeram negociações com a mediação do Egito, mas as divergências eram grandes sobre o número de palestinos que o grupo islâmico exigia que fossem libertados e o destino deles –Israel queria que ao menos 450 fossem exilados em vez de retornarem às terras palestinas.

O principal obstáculo para Israel era a libertação de aproximadamente 400 presos envolvidos em crimes violentos. O governo do Estado judaico se negava a libertá-los ou exigia que fossem enviados à faixa de Gaza, embora seu lugar de procedência e residência familiar fosse a Cisjordânia.

Ainda em julho deste ano, o chefe das Forças Armadas de Israel, Benny Gantz, escalou uma equipe especial para revisar a investigação sobre o cativeiro de Shalit, após o fracasso de várias tentativas de acordo com o Hamas.

     
Franco-israelenses protestam pela libertação do soldado Gilad Shalit em Tel Aviv ainda em julho deste ano
Franco-israelenses protestam pela libertação do soldado Gilad Shalit em Tel Aviv ainda em julho deste ano

Na época, o ex-chefe das Forças Armadas Gabi Ashkenazi disse, pouco antes de deixar o cargo, que Israel não possuía as informações exatas sobre a captura do soldado e, por isso, não tinha meios para localizá-lo e nem agir para sua libertação.

O Hamas chegou a divulgar um vídeo de Shalit no cativeiro após a mediação de países europeus. Antes disso, esforços da comunidade internacional tinham rendido apenas o envio de algumas cartas e um áudio.

Na última tentativa de acordo, o Hamas já exigia a libertação de mil presos em troca de Shalit.

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