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Um em cada três bebedores abusivos se torna dependente

Pela primeira vez, um estudo brasileiro mostrou, em números, o risco de uma pessoa que abusa do álcool desenvolver a dependência.

A taxa é alta: um a cada três bebedores abusivos vai passar para o estágio de doença crônica, conforme a classificação da Organização Mundial da Saúde.

“O diagnóstico de abuso é uma ótima oportunidade de reduzir o número de dependentes. As medidas para reverter o problema são mais fáceis [do que na dependência] e as taxas de sucesso, maiores”, afirma a autora do estudo, a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, do Instituto de Psiquiatria da USP.

A pesquisa, feita com 5.037 pessoas na região metropolitana de São Paulo, foi publicada na “Alcohol and Alcoholism”, revista oficial do Conselho Médico em Álcool do Reino Unido.
Além de facilitar a prevenção, a identificação do abuso eleva as chances de mudança no padrão de consumo.

“Se ainda não há dependência, as medidas muito restritivas não são as melhores. Muitas vezes, não é necessário chegar ao médico, basta uma pessoa preparada para usar uma técnica que a gente chama de intervenção breve”, diz Silveira.

‘Fiesta drinking
Não é fácil perceber os limites entre o uso regular e o abusivo. “O Brasil tem um padrão de consumo conhecido internacionalmente como ‘fiesta drinking’, que é beber no fim de semana em quantidade excessiva. A cultura não é a do [beber] moderado, é a do ficar embriagado.”

O psicólogo Luciano Oliveira, que atende na clínica de reabilitação Maia, na Grande São Paulo, afirma que muita gente começa bebendo todo final de semana, passa a beber no meio da semana e não percebe quando está ultrapassando seu limite.

“A pessoa perde o passo da realidade, não consegue mais identificar seus sentimentos. E vai empurrando a doença para frente.”

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