Congresso americano tem ‘dia D’ para sanar crise da dívida

Democratas e republicanos querem solucionar impasse nesta segunda. Falta de consenso no país já afeta o mercado financeiro, que teme um calote americano

O presidente americano Barack Obama após discurso no Comitê Nacional Democrata, na Filadélfia O presidente americano Barack Obama após discurso no Comitê Nacional Democrata, na Filadélfia (Saul Loeb/AFP)

O impasse entre republicanos e democratas aprofundou-se ao longo do fim de semana, ao contrário do esperado, e tornou mais difícil o consenso entre os dois partidos para a aprovação no Congresso da elevação do teto da dívida dos Estados Unidos. Os parlamentares americanos entrarão nesta segunda-feira em mais um dia de debates sobre o tema – e a divisão de opiniões torna improvável um acordo até o final do dia.

A situação americana preocupa o mercado financeiro, que se recupera de semanas de incertezas em relação à situação da Europa. Às 7h40, o índice MSCI para ações globais recuava 0,23% e para emergentes, 0,63%. O MSCI da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão registrava baixa de 1,05%. Em Tóquio, o Nikkei encerrou o dia com decréscimo de 0,81%. O índice da bolsa de Xangai caiu 2,96%. Na Europa, o FTSEurofirst 300 perdia 0,27% e o futuro do americano S&P-500 declinava 0,88% – 11,80 pontos.

Na noite de domingo, o chefe de gabinete da Casa Branca, Bill Daley, afirmou que a solvência dos Estados Unidos está prejudicada pela prolongada discussão sobre como aumentar o teto da dívida e que o governo se prepara para a volatilidade no mercado. “Os mercados em todo o mundo estão prontos para agir”, afirmou Daley ao programa Meet the Press, da NBC. “É hora de trazer alguma certeza para o sistema”, disse. Em entrevista ao Face the Nation, da CBS, Daley previu “dias estressantes à vista para os mercados do mundo e o povo americano.”

No domingo, democratas e republicanos mostravam-se encastelados em suas posições originais, e um confronto emergiu com a nova proposta apresentada por John Boehner, presidente da Câmara dos Deputados, à bancada republicana. De mãos atadas, o presidente Barack Obama convocou seus líderes no Congresso para uma reunião de emergência na Casa Branca, da qual não saiu nenhuma alternativa. Os democratas passaram o fim de semana discutindo uma fórmula capaz de ser aceita pela sua base nas duas Casas do Congresso e também por boa parte dos republicanos da Câmara, onde a oposição tem a maioria dos votos.

Autoridades do Departamento do Tesouro têm afirmado que os Estados Unidos devem ter um acordo em vigor até 2 de agosto para elevar o teto da dívida ou o país pode começar a descumprir suas obrigações. Nos últimos meses, numerosas propostas para aumentar o limite da dívida americana não deram certo ou foram vetadas. Durante um bom tempo, os mercados acionários e de títulos ignoraram a maior parte das negociações sobre o teto do endividamento. Mas a situação começou a mudar na semana passada, quando investidores passaram a se preocupar com o fato de a Casa Branca e os republicanos não conseguirem chegar a um consenso e os mercados passaram a oscilar acentuadamente durante vários dias.

Temendo um eventual default da dívida e a perda do rating “AAA”, o maior possível, os parlamentares definiram esta segunda-feira como o prazo final para a apresentação de um plano aos mercados. Os republicanos, apoiados pelo movimento conservador Tea Party – que os ajudou a obter maioria na Câmara no ano passado -, opõem-se fortemente a aumentos de impostos, enquanto os democratas, que comandam o Senado, são contrários a cortes em programas sociais.

Bolsas – As bolsas de valores dos Estados Unidos operavam em queda nesta segunda-feira, relfetindo o impasse político em Washington sobre a elevação do teto da dívida do país. A indefinição sobre a aprovação de um pacote de corte de gastos do governo alimenta temores de que o rating do país possa ser rebaixado – fazendo com que os principais índices de mercado do país recuassem no início da manhã.

Às 11h30 (horário de Brasília), o índice Dow Jones, referência da Bolsa de Nova York, caía 0,51%; o termômetro de tecnologia Nasdaq recuava 0,50%; e o índice Standard & Poor’s 500 perdia 0,64%. Em São Paulo, o índice Ibovespa recuava 0,06%.

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