Dólar baixo facilita turismo de compras

Em tempos de dólar baixo e inflação em alta no Brasil, viajar para o exterior para fazer compras ficou mais fácil. Isso porque, de olho neste cenário, agências de turismo têm aumentado a oferta de pacotes específicos para quem quer ir para fora com essa finalidade.

Entre as opções, destinos tradicionalmente conhecidos para compras como Miami, Nova York e Orlando, nos Estados Unidos, Londres e Paris, na Europa, Santiago, no Chile, e Buenos Aires, na Argentina, estão na preferência do brasileiro.

Os pacotes incluem visitas a outlets, shoppings, lojas e até fábricas de itens de vestuário. As operadoras oferecem transporte e também podem dar cupons de desconto. “São pacotes para quem não sabe onde comprar e quer comodidade, segurança e preço mais baixo, já que o pagamento da viagem é facilitado”, explica Juliana Amoroso, gerente de produtos turísticos da agência CI.

A alta carga de tributos dos produtos nacionais também incentiva os brasileiros a comprar em outros países. João Elói Olenike, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) explica a diferença. “No Brasil todos os impostos são repassados ao preço dos produtos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a tributação incide sobre a renda.”

Impostos
Nos EUA a porcentagem de impostos sobre produtos varia de 6% a 12%; no Brasil os tributos representam 38,53% do preço de uma calça jeans e 69,13% do de um perfume, por exemplo.

Mesmo países vizinhos, como Argentina e Chile, têm produtos com impostos menores. “A carga tributária da Argentina é de 29% e do Chile 18%, enquanto a do Brasil é de 35,13%”, explica Olenike.

O microempresário Anderson Estevam, de 38 anos, viajou com a família para Miami este ano. Foi sua primeira viagem ao exterior. “Paguei R$ 250 em um carrinho de bebê que custa R$ 1 mil aqui. Compramos principalmente roupas e acessórios. Reservei metade do valor da viagem para compras, mas, na empolgação, acabei gastando 20% mais.” Ele planeja viajar uma vez por ano para fazer compras.

Roupas, produtos de cama, mesa e banho, eletrônicos, alimentos típicos, bebidas alcoólicas e cosméticos acabam valendo a pena ser comprados no exterior.

“A confecção é barata nos Estados Unidos, grande parte é importada da China. Além disso, sempre existem liquidações e promoções, pois os produtos saem de linha mais rápido, e o outlet fica atrativo”, diz Juracy Parente, consultor especializado em varejo.

Segundo Parente, quem compra no exterior acaba ganhando em qualidade, pois pelo mesmo preço de uma mercadoria inferior consegue comprar produtos melhores.

Ao adquirir eletrônicos o turista deve dar preferência a novidades. “A distância de preço dos praticados no Brasil é maior no início das vendas”, afirma Parente.

Fora dos EUA, ele indica a compra de produtos típicos de cada local. Queijos e vinhos na França acabam saindo mais em conta porque são produzidos no país, assim como artigos de couro na Argentina. “Na Europa o varejo é menos agressivo, mas também é possível encontrar outlets”, diz.

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