Lytron
My Partner
cultureholidays

Depois de impedir voos, vulcão islandês vira atração

O vulcão islandês de Eyjafjallajökull, que, no ano passado, impediu milhares de aviões de voar, tem surpreendido pela atração exercida agora sobre milhares de turistas, ansiosos por admirar essa fonte de caos.

“As pessoas estão verdadeiramente interessadas. Querem estar perto da cratera do vulcão que as fez perder o avião”, brinca Arsaell Hauksson, 30, administrador de um camping aos pés do Eyjafjöll, odiado, durante um tempo, por milhões de viajantes no mundo.

Escalar as encostas de um vulcão –a grande ilha da Islândia, no Atlântico norte, conta com pelo menos 130– sempre despertou atração turística para a Islândia.

Mas a erupção do Eyjafjöll, também conhecido pelo nome da geleira onde fica, de Eyjafjallajökull –“geleira de Eyjafjöll”, na língua local–, no ano passado, desencadeou uma campanha sem precedentes.

“A gente sempre conhece alguém que teve o voo bloqueado, a erupção será asssunto durante muitos anos”, destaca Hauksson.

Halldor Kolbeins/France Presse
Turistas na geleira de Eyjafjallajökull, próximos à cratera do vulcão cujas cinzas impediram voos na Europa
Turistas na geleira de Eyjafjallajökull, próximos à cratera do vulcão cujas cinzas impediram voos na Europa

EFEITO RETARDADO

Os negócios estão progredindo no camping neste ano, muito mais que no ano passado, com a erupção.

“Tive várias reservas, antes… mas ninguém pôde vir por causa das cinzas”, lembra-se Unnar Gardarsson, diretor de Oebyggdaferdir (“Safari das geleiras”), que propõe há cinco anos visitas aos relevos desolados da Islândia.

Mas, para ele também, a sorte se inverteu após um ano difícil.

“A erupção ajudou verdadeiramente a pôr a Islândia no mapa. E isso foi muito bom para o meu negócio. O Eyjafjallajökull sempre foi magnífico, agora tornou-se célebre”, comenta.

Unnar propõe desde maio uma escalada na geleira ainda fumegante de 1.660 metros. Muitos turistas já tentaram a experiência, e ele fatura 39.000 coroas (250 euros) por pessoa.

Após a subida, através de musgos amarelo-esverdeados, dos riachos de água quente e da rocha vulcânica negra, o pequeno grupo chega à região de neve, recoberta de cinzas, o que dá o aspecto de um gigantesco desenho a carvão.

“É incrível”, exclama Nancy King, que trabalha com publicidade em Nova York.

Atrás dela aparece a cratera negra cuspindo vapor d’água e o leito do rio criado de repente pelo derretimento do gelo durante a erupção em Eyjafjallajökull.

“Nunca vi nada tão intenso e grandioso. Em Nova York, passo a maior parte de meu tempo diante do computador”, explica a turista americana, de capacete e vestida com uma roupa especial, impermeável, para resistir ao frio glacial.

Os arranha-céus nova-iorquinos são substituídos por uma paisagem majestosa de cumes e longos rios, com o oceano Atlântico ao fundo para completar o último plano.

Halldor Kolbeins – 29.jun.2011/France Presse
Vulcão de Eyjafjoell, que impediu milhares de voos ano passado
Vulcão de Eyjafjoell, que impediu milhares de voos ano passado

MAIS 20%

Durante os seis primeiros meses de 2011, 206 mil turistas visitaram a Islândia, um aumento de cerca de 20% em relação a 2010.

E os vulcanólogos amadores representam uma “grande parte” entre eles, considera o diretor da Associação Islandesa para a Indústria do Turismo, Arni Gunnarsson.

Enquanto alguns esfregam as mãos, outros sentem um suor frio à ideia de uma nova erupção repentina.

“Na realidade, os vulcões são fascinantes e as pessoas querem vê-los de perto. Mas não é nada bom ter muita gente num local de risco”, destaca Magnus Tumi Gudmunsson, geólogo da Universidade da Islândia.

Não houve nenhuma vítima por ocasião da erupção do Eyjafjöll, ou a do Grimsvötn, em maio. O vulcão Hekla, que está prestes a despertar, segundo os vulcanólogos, é considerado “um exemplo típico de turismo perigoso”, explica Gudmunsson.

“Ele dá poucos sinais por enquanto. Mas representa um verdadeiro risco passear por lá neste momento”, adverte.

Mas, para Unnar Gardarsson, que tem uma propriedade aos pés do Hekla e que propõe aos visitantes escalá-lo, não há do quê se preocupar.

Mas, antes de qualquer subida, vigia as medições de atividade vulcânica na internet.

Share

Related posts