CAPA: O poder das palavras

As palavras e o modo de expressá-las são importantes em nossa vida e podem construir ou destruir relacionamentos


Laine Furtado

Você já pensou sobre a força das palavras? As palavras podem libertar e oprimir, alegrar e entristecer, fazer viver e fazer morrer, aliviar e angustiar, rir e chorar, incentivar e esmorecer, amar e odiar. A escritora Lya Luft fala sobre o assunto. Ela, entre outras coisas, afirma que a palavra faz parte da nossa essência: com ela, nos acercamos do outro, nos entregamos ou nos negamos, apaziguamos, ferimos e matamos.

Com a palavra, liquidamos negócios, amores. Uma palavra confere o nome ao filho que nasce e ao navio que transportará vidas ou armas. “Vá”, “Venha”, “Fique”, “Eu vou”, “Eu não sei”, “Eu quero, mas não posso”, “Eu não sou capaz”, “Sim, eu mereço” – dessa forma, marcamos as nossas escolhas. Viemos ao mundo para dar nomes às coisas: dessa forma nos tornamos senhores delas ou servos de quem as batizar antes de nós.

Muitos escritores falam sobre o tema e vários livros são sucesso de vendas abordando este assunto. Um exemplo é o best seller  “Há poder em suas palavras”, de Don Gosset & E. W. Kenyon, que fala sobre a importância das palavras na vida das pessoas e de como estas palavras podem construir ou destruir vidas.

Outro exemplo é a escritora Louise L. Hay, conhecida como uma das fundadoras do conceito de “auto-ajuda,  e fundadora da editora Casa Hay, que afirma que as palavras têm poder e podem mudar a nossa vida. Em seus livros, ela fala sobre o modo de dizer as coisas, o momento certo e a importância das palavras no relacionamento.

Nesta reportagem, vamos falar sobre o poder das palavras no relacionamento pessoal e profissional, analisando as consequências das palavras das pessoas no seu círculo familiar, de amizade e de negócio. As palavras podem ofender mais do que a realidade. Pense em alguns diálogos ou respostas que podem trazer amargura e tristeza para o coração das pessoas.

– Você aquela vez disse que eu…
– De jeito nenhum, eu jamais imaginei, nem de longe, dizer uma coisa dessas…
– Mas você disse…
– Nunca! Tenho certeza absoluta!

Além do conteúdo das palavras, existe a forma como elas são ditas. Muitas vezes queremos falar uma coisa, mas a forma ou a nossa expressão acaba nos traindo. As palavras e o modo de expressá-las são importantes em nossa vida e podem construir ou destruir relacionamentos.

Um dos segredos do saber falar é falar com a vida, com paixão, com os olhos, com os gestos, com o silêncio, com a alma. Quantas vezes você já escutou pessoas falarem: – É, falou bonito, mas falou sem vida. Ou: – Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço. Infelizmente, esta é a realidade de grande parte das palavras que nós ouvimos diariamente.

Muitas vezes falamos no momento errado porque não temos sensibilidade para perceber o que está acontecendo ao nosso redor. É importante prestar atenção e ter “presença de espírito” para sabermos falar a palavra certa no momento certo e do modo certo. Muitos casais falam besteiras em momentos de raiva e acabam dificultando ainda mais o relacionamento.

Há ainda outra situação: quando a palavra mais forte é o silêncio. Quantas vezes falamos demais, falamos besteiras, falamos o que não sabemos, falamos para a pessoa errada, no momento errado e da forma errada. Com absoluta certeza, escutar e silenciar são artes que precisamos aprender e exercitar.No entanto, nem sempre podemos silenciar. Existem momentos em que a nossa palavra é importante.

As palavras são fundamentais para a construção de um relacionamento saudável. Quando duas pessoas se amam, qualquer mínimo detalhe é importante para o outro. No amor, as coisas mais simples são as mais importantes, e uma das coisas mais simples é a amizade. Amar significa ser amigos íntimos. Um namoro ou casamento sem amizade não é namoro ou casamento. É uma convivência entre dois seres estranhos para ir administrando a vida.

Conversar sobre as coisas do dia-a-dia é fundamental no relacionamento. Falar sobre o que você fez hoje, o telefonema da sua mãe, a política, o trabalho, os acontecimentos diários faz parte de um bom relacionamento.Também é bom conversar com o companheiro sobre aquilo que a gente não fala para mais ninguém: nossos ataques de fúria, nossos medos. Isso permite que cada um vá descobrindo o outro e se descobrindo. Nesse momento, o mais importante não são as coisas práticas, mas o que sentimos ou vivenciamos. São essas trocas que aprofundam o amor.

Existe um poder imenso nas palavras faladas, mas poucos têm consciência dele. As palavras devem ser consideradas os alicerces daquilo que construímos na vida. Usamos palavras o tempo todo e raramente pensamos no que dizemos e como falamos. Como prestamos pouca atenção na nossa escolha de palavras, a maioria de nós fala muito com negativas.

Lembre-se sempre: existe poder em suas palavras. O poder vem quando você assume a responsabilidade por sua vida. E para ser responsável por sua vida, você tem de ser responsável pelas palavras que saem de sua boca. As palavras e frases que você emite são extensões de seus pensamentos. Portanto, comece a prestar atenção ao que você diz. Se estiver usando palavras negativas ou limitadoras, modifique-as.

Quando estiver com outras pessoas, preste atenção ao que elas dizem e ao modo como falam. Veja se é capaz de associar o que disseram às situações que elas estão vivendo. Repare que muita gente vive na base do “eu deveria”… São pessoas que ficam imaginando porque não conseguem sair de situações desagradáveis. O fato é que elas querem controlar coisas que não podem controlar.

Outra expressão que precisa ser removida da fala e do pensamento é “tenho de”. Conseguir isso é aliviar muito a pressão que impõe a você mesmo ao usar essa expressão… Em vez disso, comece a falar “escolho”… a palavra escolher pode dar uma perspectiva completamente diferente a sua vida.

Lembre-se sempre de que tudo o que você faz é por escolha, mesmo que não lhe pareça…Quer saber o que você anda pensando e como tem falado? Então faça um pequeno exercício. Coloque um gravador perto de seu telefone e ligue-o sempre que der ou receber uma chamada. Quando a fita estiver totalmente gravada dos dois lados, ouça o que você disse e que palavras usou. Provavelmente você ficará chocado.

A partir daí, comece a prestar atenção às palavras que costuma usar e em sua inflexão de voz. Se perceber que repete a mesma expressão três ou mais vezes, anote-a; isso é um de seus padrões de pensamento. Alguns desses padrões serão positivos e capazes de lhe proporcionar apoio, mas certamente você encontrará alguns muito negativos que só o estão prejudicando.

Questionando nossas palavras

Quais são as palavras que mais saem da sua boca? São palavras de amor, de irritação, palavras ditas só por falar, palavras que apoiaram, ridicularizaram. Como você transmite as palavras? Com humildade ou com arrogância? Por que as palavras são importantes para o relacionamento? Como podemos fazer bom uso de nossas palavras e sermos verdadeiros e transparentes?

O administrador de empresas e professor universitário Jerônimo Mendes, especialista em Desenvolvimento Pessoal e Profissional e apaixonado por Empreendedorismo, também fala sobre o poder das palavras. Ele disse que se você não quer fazer parte da massa que se vangloria de falar o que bem entende na esperança de ser proclamado autêntico, deve tomar cuidado com as palavras. Dependendo de como são escritas ou pronunciadas, as palavras atingem diferentes estados de espírito e as pessoas são altamente influenciáveis.

Segundo Jerônimo, as palavras afetam a nossa personalidade desde o momento em que nascemos. A forma como somos tratados, as pequenas frases que ouvimos mesmo sem entender nada, o primeiro elogio, o primeiro grito, as chamadas e os puxões de orelhas mais intensos exercem poder de influência que transcende a capacidade humana de absorção e entendimento. Por outro lado, as consequências são visíveis.

Milhares de gerações não foram suficientes para as pessoas entenderem o quanto as palavras podem ferir mais do que gestos e ações, exceto para aquelas desprovidas de hormônios e sangue nas veias. Por isso, tome cuidado com as palavras.

No mundo corporativo isso é visível. Muitos profissionais em cargos de liderança ainda não perceberam o quanto as palavras são capazes de influenciar, de maneira positiva ou negativa, o estado de ânimo, a participação, a carreira e, quem saberá dizer, a vida inteira de uma pessoa ou de uma equipe.

Ele conta que, toda semana, recebe e-mails de alunos e leitores contando exemplos grosseiros de comportamento inadequado e falta de sensibilidade por parte de líderes, professores, empresários e outros que se julgam superiores aos demais na face da Terra.

Jerômino explica que, ao vir de alguém que deveria dar o exemplo, a pseudo-superioridade é o caminho para o deslize constante e isso acaba sendo incorporado pela pessoa. “Quando ela tenta consertar, se é que existe conserto, a emenda sai pior do que o soneto, como dizia meu pai, porém o estrago está feito”, afirmou.

O ser humano é altamente influenciável por palavras, gestos, exemplos e omissões. Na medida em que recebe uma carga negativa, seja qual for o meio de transmissão, a reação tende a ser imediata pela verbalização ou agressão física.

Por conta disso, profissionais capacitados são demitidos, casamentos são destruídos, empresas são fechadas, pessoas são violentadas moral e fisicamente. Na maioria dos casos, a cultura da réplica – olho por olho, dente por dente – agrava e conduz determinadas situações a finais desagradáveis.

Ele assegura que, “se você me disser que as palavras não lhe afetam e que você tira isso de letra e se isso for sincero de sua parte, deixo aqui os meus parabéns. A experiência me diz que a realidade é bem diferente. Como a auto-estima do ser humano oscila com frequência, um comentário despretensioso provoca estragos terríveis”.

A mente humana é um museu de verdades contraditórias

» Texto de Saulo Nagamori Fong, do Instituto União .-Twitter: @SauloFong
http://www.institutouniao.com.br. Autorizada a reprodução em qualquer meio ou mídia desde que publicada na íntegra e com citação integral da fonte

Ralph Waldo Emerson, pensador norteamericano, dizia que a mente humana é um museu de verdades contraditórias. Dentre outras coisas, significa que é necessário ser muito bem resolvido para não se deixar afetar pelas bobagens que você ouve com frequência maior do que a desejada.

Segundo ele, as pessoas que estão acostumadas a falar mal, rotular, criticar e pensar que as demais estão num nível bem inferior ainda têm muito que aprender embora seja difícil para elas admitir o fato. Elas se sentem num nível tão elevado que nada será capaz de arrancar-lhes a máscara social.

Por outro lado, pessoas polidas, educadas no sentido literal da palavra, capazes de estabelecer uma crítica que beira o elogio, são difíceis de encontrar. O mundo não dá muito espaço para elas, afinal, a regra básica do mercado é crescer a qualquer custo ainda que para isso seja necessário atropelar os colegas, ferir seus sentimentos, tratá-los como se fossem números, sugá-los ao máximo enquanto ainda reste um mínimo de produtividade.

Apesar de tudo, se você não quer fazer parte da massa que se vangloria de falar o que bem entende na esperança de ser proclamado autêntico, tome cuidado com as palavras. Dependendo de como são escritas ou pronunciadas, as palavras atingem diferentes estados de espírito e, como você já está cansado de saber, as pessoas, por sua vez, são sensíveis e influenciáveis.

Dizer para você não se importar com isso é bobagem. Cada pessoa reage à sua maneira a um elogio ou crítica, portanto, quando conversar com alguém, lembre-se de que suas palavras podem ser determinantes no futuro dela. Se não for para dizer coisas agradáveis e sinceras, no sentido de fazê-la crescer, não diga nada.

O ser humano é o único ser vivo no planeta Terra que utiliza a palavra como meio de comunicação intrapessoal (consigo mesmo) e interpessoal (com o outro). A palavra é um símbolo que expressa uma idéia, e está intrinsicamente relacionada com nossa mente. A mente, por sua vez, está relacionada diretamente com nossos sentimentos, com nosso corpo, com nossas atitudes e com nossas ações.

A palavra escrita ou falada por nós tem grande influência na maneira como vivemos, pois é através dela que a maioria das pessoas se comunica com o mundo externo e até interno. Percebemos o poder que a palavra tem em nossa sociedade através de frases do tipo: “Dou-lhe a minha palavra !”, “Quero a sua palavra.”, “Dito e feito !” etc.

A palavra também está diretamente relacionada à capacidade de realização pessoal de cada um. Aquilo que acreditamos em nossas vidas são formuladas por frases que adotamos como verdade. Tais frases, também conhecidas por crenças, moldam a realidade à nossa volta.

Uma das maneiras de aumentar o poder de realização pessoal é alinhar a sua palavra com suas atitudes e ações. Algumas pessoas, ainda não conscientes dos inúmeros pensamentos que lhe afligem a mente, expressam verbalmente tudo que lhes vem à cabeça. Prometem, afirmam, pregam, sem perceber que suas atitudes e ações não condizem com aquilo que falam ou com o que foi dito.

Tais pessoas dificilmente sentem-se realizadas ou capaz de realizar algo. Pode-se considerar que o poder da palavra destas pessoas está fraco. Algumas podem até conseguir uma aparente realização externa, mas o sentimento interno predominante não as satisfaz. Tal enfraquecimento de sua palavra vem da falta do estado de presença e, da consequente incongruência e desalinhamento entre a mente, o corpo, os sentimentos e as ações.

Uma forma de (re)fortalecer o poder de sua palavra é começar primeiro a perceber o que você diz à si mesmo e às pessoas à sua volta. Com o desenvolvimento desta atenção e percepção mental, você começará a notar que muitas frases que diz são crenças assimiladas de seus pais, professores, da sociedade ou de suas próprias experiências que o(a) marcaram no passado. Ao tomar consciência destes padrões você aumenta suas possibilidades e tem a escolha de seguir por um outro caminho.

Neste ponto, é importante agir a partir daquilo que foi dito ou escolhido por você. Às vezes, a mente, ainda muito influenciada pelos antigos padrões, poderá encontrar maneiras para você não agir conforme ela mesma havia dito. Talvez venham pensamentos lhe dizendo que não há tanta importância em fazer aquilo que se prometeu, ou ela pode até mesmo gerar sensações de cansaço ou preguiça. Fique atento e esteja presente para possíveis sinais de auto-sabotagem como estes.

Uma outra dica para alinhar aquilo que você fala com o que você faz é começar com pequenas coisas. Por exemplo, ao marcar compromissos, por mais triviais que possam parecer, cumpra-os. Se você for solicitado a ir ou fazer algo que não tem tanta certeza que quer ou pode cumprir, peça um tempo para refletir e responder com mais calma.

Com a prática, o hábito de estar presente e atento à sua mente, seu corpo, seus sentimentos e suas atitudes, será tão natural que tudo aquilo que expressar verbalmente ou não, terá um grande poder de realização interior e em todo o campo à sua volta.

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