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‘Ônibus espacial poderia viver mais’, afirma astronauta brasileiro

Marcos Pontes é o único do país a se formar em curso de astronautas. Ônibus espacial da Nasa foi aposentado.

Header matérias Atlantis (Foto: arte / G1)
Marcos Pontes posa ao lado da nave russa que o levou ao espaço (Foto: Nasa)
Marcos Pontes posa ao lado da nave russa que o
levou ao espaço (Foto: Nasa)

Único brasileiro a se formar no curso da Nasa que prepara para missões nos ônibus espaciais, o primeiro astronauta brasileiro Marcos Pontes acredita que a nave tinha mais tempo de vida útil e não deveria ser aposentada.

“Acredito que ele poderia viver mais, poderia dar mais. Mesmo porque cada uma das naves custou muito caro. Poderíamos aproveitar mais um pouco desse dinheiro investido”, disse ele em entrevista.

O ônibus espacial Atlantis pousou nesta quinta-feira (21) no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, encerrando 50 anos de exploração espacial feita com naves tripuladas da Nasa. Agora, ô ônibus vai para o museu do centro espacial. Seus colegas de frota, Endeavour e Discovery, vão para museus em Los Angeles e Nova York, respectivamente.

Pontes foi selecionado para a turma de astronautas de 1998, quando sua missão estava prevista para ocorrer em um ônibus espacial. Em 2000, ele se formou. No entanto, devido a atrasos nos cronogramas previstos e à parada nos voos da Nasa após o acidente do Columbia, a missão foi transferida para a agência espacial russa, a Roscosmos. Pontes foi ao espaço em março de 2006, na missão Centenário, em comemoração aos 100 anos da invenção do avião por Santos Dumont.

Atualmente, Pontes trabalha no “Escritório dos Astronautas” da Nasa, em Houston, nos Estados Unidos. De lá, ele acompanhou a missão do Atlantis e dividiu suas impressões com internautas em sua conta no Twitter.

Pontes ao lado dos seus dois colegas de missão, o americano Jeffrey Williams e o americano Pavel Vinogradov (Foto: Nasa)
Pontes ao lado dos seus dois colegas de missão, o americano Jeffrey Williams e o americano Pavel Vinogradov (Foto: Nasa)

Pontes lamenta a aposentadoria dos ônibus espaciais. “Embora muita gente critique o projeto por causa dos custos, ninguém pode negar que ele fez um trabalho muito importante dentro da exploração espacial. Ele foi uma peça fundamental para a construção da Estação Espacial Internacional, para uma série de desenvolvimentos científicos importantes. E se aprendeu muito com ele sobre como viver no espaço”, disse Pontes.

Segundo ele, a Nasa vive um momento de “insegurança”. “Insegurança no sentido emocional, de incerteza. Até o momento em que uma nave for lançada com uma pessoa e essa pessoa entrar na estação espacial, vai ficar uma certa dúvida”, diz Pontes.

Dúvida que, ele explica, não é necessariamente algo negativo para a agência americana. “Os Estados Unidos já passaram por esse momento três vezes antes. Entre o projeto Mercury e o Gemini, entre o Gemini e o Apollo e entre o Apollo e os ônibus espaciais”, explica o astronauta.

Ainda assim, ele acredita que parte do clima de incerteza envolve o projeto da nova nave, que deve ser mais parecida com as antigas Apollo do que com um novo modelo de nave espacial. “Pessoalmente, fica uma sensação estranha, de volta no tempo. Eu esperaria [que a nova nave fosse] uma coisa mais avançada, algo que talvez flutuasse até pousar, qualquer coisa que fosse para frente. Até porque o próprio ônibus espacial era um projeto que, na minha opinião, era uns 50 anos à frente do seu tempo”, diz Pontes.

O ônibus espacial era um projeto que, na minha opinião, era uns 50 anos à frente do seu tempo”
Marcos Pontes

Sobre a relação entre Estados Unidos e Rússia, que ele acompanhou de perto ao treinar nas duas agências espaciais, o brasileiro avalia na parte operacional “não poderia ser melhor”. “Na parte técnica, que envolve astronautas e engenheiros, é muito boa, 100%. Tanto faz você estar aqui [em Houston] ou na Cidade das Estrelas, no Cazaquistão, é a mesma coisa”.

Ele ressalta no entanto que o bom relacionamento pode não se estender às relações políticas. “Na parte administrativa, gerencial, política. A gente não tem muito acesso porque essa parte é feita por Nasa Headquarters, em Washington, e Roscosmos. O que eu sinto, falando daqui debaixo mesmo, olhando para cima, e analisando pessoalmente. A impressão que dá é que o relacionamento lá em cima não é tão bom, na hora de discutir preço de voos, alteração de preços de voos, me parece um pouco mais tensas as coisas. Mas é claro que na hora da foto vai estar todo mundo abraçado”, avalia o brasileiro.

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