Caixas pretas indicam erro dos pilotos

Tripulação não seguiu procedimentos padrão, diz ‘Wall Street Journal’. Primeiros dados sobre gravações serão divulgados oficialmente no dia 27.

Descobertas preliminares dos gravadores do avião da Air France que caiu no oceano Atlântico com 228 a bordo quando fazia a rota Rio de Janeiro-Paris em 2009 apontaram que os pilotos da aeronave se distraíram com o mal funcionamento dos indicadores de velocidade e falharam em gerenciar corretamente outros sistemas críticos, disse o “Wall Street Journal” nesta terça-feira (24).

A tripulação não seguiu procedimentos padrão para manter a velocidade e manter o nível do nariz da aeronave após o Airbus A330 encontrar alguma turbulência e congelamento inesperado a uma altitude de 35 mil pés, afirmou a publicação, citando fontes que teriam acesso ao conteúdo das gravações.

Uma das caixas-pretas do voo 447 é apresentada à imprensa durante entrevista coletiva nesta quinta (12), em Paris (Foto: Mehdi Fedouach / AFP)
Uma das caixas-pretas do voo 447 é apresentada à imprensa durante entrevista coletiva nesta quinta (12), em Paris (Foto: Mehdi Fedouach / AFP)

Representantes da Airbus e da Air France ainda não comentaram a publicação. Os especialistas afirmaram na sexta-feira que no próximo dia 27 divulgarão oficialmente as primeiras descobertas sobre as informações contidas nas caixas-pretas do avião, recuperadas recentemente do fundo do oceano.

O Wall Street Journal afirmou que os gravadores do cockpit mostraram que os pilotos aparentemente ficaram confusos pelos alarmes que apareciam em seus instrumentos e, apesar de tentar responder sistematicamente a cada um dos avisos, não conseguiram controlar o caos e manter um curso constante.

As descobertas obtidas com os gravadores, que devem ser divulgadas na sexta-feira, devem mostrar que o avião desacelerou perigosamente após o desligamento do sistema de piloto automático.

O acidente matou todas as 228 perssoas a bordo do voo 447.

Mais versões
O ‘WSJ’ não foi a primeira publicação a especular sobre o conteúdo das caixas-pretas do AF 447. No último dia 17, o jornal francês “Le Figaro” informou que uma análise inicial do conteúdo de uma caixa-pretas exime de culpa a Airbus, fabricante do A330, e aponta para erro dos pilotos.

A informação, porém, não foi confirmada pelo Escritório de Investigação e Análise (BEA, na sigla em francês), órgão que investiga acidentes aeronáuticos, que classificou a reportagem de um “tributo ao sensacionalismo, uma afronta ao respeito dos passageiros e tripulantes que morreram”.

Já a revista alemã “Der Spiegel” citou outra fonte, que afirmou que o comandante de bordo não se encontrava na cabine na hora em que o primeiro alarme tocou.

Os pilotos da Air France foram “aparentemente distraídos por indicadores de velocidade com problemas e não reagiram corretamente frente a outros elementos cruciais do voo, como o ajuste da pressão da aeronave”, segundo o diário financeiro.

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