Dilma intervém para conter alta no etanol

A presidente Dilma Rousseff determinou uma série de ações para conter a alta de preços do etanol e evitar desabastecimento do produto.

Preocupado com os efeitos sobre a inflação, o governo pediu o apoio do BNDES para elevar a oferta de álcool no país.

Na quarta-feira (6), o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, afirmou que o preço do álcool já deverá cair a partir de maio. Segundo ele, isso deve ocorrer porque a nova safra desse ano, que começou a ser processada em abril, chegará aos postos de combustível.

Já na última quinta-feira, a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) informou que as usinas de açúcar e álcool brasileiras só têm condições de garantir o abastecimento de etanol hidratado –usado nos veículos flex– de 45% da frota de carros bicombustíveis.

De acordo com a entidade, a oferta de etanol hidratado será cada vez menor caso a produção da cana-de-açúcar não acompanhe o aumento da demanda gerada pelo crescimento da frota de carros flex no Brasil.

Alta do etanol turbinou o consumo de gasolina

A disparada dos preços do etanol hidratado nos postos de combustíveis brasileiros fez o consumo de gasolina crescer 20% na última semana, informou ontem o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom).

De acordo com o presidente da entidade, Alísio Vaz, a forte migração do consumo de etanol para gasolina provocou gargalos logísticos que têm levado à falta momentânea do derivado de petróleo em alguns postos no País.

“Como são produtos com logísticas distintas, e o aumento no consumo da gasolina foi muito rápido e forte, as distribuidoras não estão conseguindo levar gasolina em tempo hábil a todos os postos”, disse Vaz. Ele fez questão de ressaltar que não há falta de gasolina, apenas dificuldades no transporte e distribuição do combustível para alguns postos. “O aumento no consumo foi muito forte, equivalente a mais de 100 milhões de litros de gasolina por semana”. A situação, segundo ele, deverá estar normalizada em uma semana.

Na cidade de São Paulo, principal centro consumidor de etanol no País, o abastecimento estava praticamente normal até ontem. O sindicato recebeu uma única reclamação na sexta-feira, de um posto localizado na zona Sul da cidade. “Não está faltando gasolina, porque é um caso ou outro, principalmente em postos de bandeira branca”, afirmou o presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis do Estado de São Paulo, José Alberto Paiva Gouveia.

Antes da escalada dos preços, a partir de novembro de 2010, os postos de combustíveis da capital paulista vendiam em média 60% de etanol hidratado e 40% de gasolina. Hoje, segundo Gouveia, essa proporção está ao redor de 10% de etanol e 90% de gasolina.

Começa a faltar gasolina no interior de São Paulo

Começa a faltar gasolina nos postos de combustíveis do interior de São Paulo. Na região Noroeste, postos de São José do Rio Preto, Araçatuba, Andradina e Valparaíso ficaram sem o combustível por algumas horas nos últimos dias.

O desabastecimento ocorre nos postos sem bandeira, cujos donos deixaram para fazer a reposição do estoque em cima da hora. É que a reposição, que era feita no mesmo dia, está demorando de 24 a 48 horas. “Quem deixar para pedir gasolina no mesmo dia está ficando sem nada na bomba. O correto é o revendedor pedir com dois dias de antecedência”, diz Otávio Uchyiama, dono de dois postos, em Andradina e Valparaíso. O primeiro, ficou sem gasolina na segunda-feira. “Ficamos o período da tarde sem o combustível porque a Petrobrás não tinha álcool anidro para fazer a mistura e entregar a gasolina a tempo”, disse. Já o posto de Valparaíso ficou sem combustível na quarta-feira porque a distribuidora alegou que a Petrobrás estava sem a gasolina.

Uchyiama, que também é diretor regional do Sindicato do Comércio Varejistas de Derivados de Petróleo (Sinpetro), disse que metade dos 220 postos das 42 cidades da região de Araçatuba é de bandeira branca e quase todos estão enfrentando demora na entrega de gasolina. O desabastecimento ocorre, segundo ele, por conta da migração dos veículos flex do etanol para a gasolina, cuja grande demanda pegou a Petrobrás de surpresa.

De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), desde o início da migração, há cerca de 15 dias, o preço da gasolina subiu R$ 0,30, ou 15% para os donos de postos. “Hoje estamos pagando em torno de R$ 2,50 ou mais o litro para as distribuidoras, mas o preço correto deveria ser R$ 0,15 a menos”, disse Uchyiama. Segundo ele, os postos sem bandeira pagam de seis a sete centavos a menos pelo litro. Para Uchyiama, a estabilidade de preços e de abastecimento só voltará no fim de abril, com o início da safra da cana de 2011/2012.

Safra. Em Ribeirão Preto, o início da atual safra de cana-de-açúcar teve ainda pouco reflexo na queda de preços do etanol nas bombas dos postos de combustíveis da cidade, mas isso deverá mudar até a segunda quinzena do mês. “Está alto, mas em 20 dias todas as usinas estarão produzindo e o preço irá cair” diz o diretor regional do Sincopetro, em Ribeirão Preto, Oswaldo Manaia Júnior.

O preço mais alto do litro do etanol na cidade é de R$ 2,30 e o mais barato é de R$ 1,99. “As grandes distribuidoras estão vendendo a R$ 1,99, por isso não caiu mais”, compara ele, informando que o consumidor reverteu o consumo dos produtos. Antes vendia-se 70% de etanol e 30% de gasolina nas bombas, mas, agora, os índices são inversos.

Em alta

15% foi o aumento do preço da gasolina para os donos de postos de São Paulo. Em média, os comerciantes estão pagando cerca de R$ 2,50 para as distribuidoras

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