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Descoberta abre caminho para pílula sem hormônio

Decifração do mecanismo de atração do espermatozoide pelo óvulo permitirá nova droga, diz pesquisa

Pílula sem hormônio: cientistas conseguiram mapear as trocas químicas que fazem o espermatozoide ir em direção ao óvulo

Pílula sem hormônio: cientistas conseguiram mapear as trocas químicas que fazem o espermatozoide ir em direção ao óvulo (Gary Cornhouse/Thinkstock)

Uma nova pílula anticoncepcional sem hormônios na composição está a um passo de ser apresentada por cientistas. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, acabam de descobrir o mecanismo de “atração fértil” que ocorre entre óvulo e espermatozoide e que culmina na fertilização. O novo contraceptivo teria apenas de bloquear o sinal emitido pela célula feminina (um aviso de que está pronta para ser fertilizada), respondido pelo espermatozoide em menos de um segundo. A pesquisa foi publicada no periódico científico Nature.

No experimento conduzido em camundongos e no esperma humano, foram encontradas correntes elétricas que conduzem o espermatozóide em sua jornada até o óvulo recém-liberado do ovário. De acordo com especialistas, assim que o espermatozoide é impulsionado pela progesterona (hormônio feminino liberado pelas células que rodeiam o óvulo), a corrente elétrica ao seu redor é potencializada, fazendo com que ele se mova mais rapidamente em direção ao óvulo.

O aumento nos movimentos da cauda do espermatozoide – que controlam sua mobilidade – é responsável ainda pela habilidade da célula reprodutiva de penetrar no óvulo, o que leva à fertilização. Os cientistas já sabiam que o óvulo libera substâncias químicas que facilitam ao espermatozoide a tarefa de encontrar a célula feminina, mas a maneira como isso acontece permanecia incerta.

As pílulas anticoncepcionais feitas atualmente são produzidas à base de hormônios, que suprimem a ovulação. Assim, o óvulo não sai do ovário, e o espermatozoide simplemente não tem o que fertilizar ao chegar às tubas uterinas (conhecidas no passado como trompas de Falópio), onde ocorre a fecundação. Apesar de ser considerado seguro, esse tipo de medicamento pode aumentar os riscos de determinados tipos de câncer e doenças cardiovasculares. Por isso, a criação de novos anticoncepcionais seria benéfica à saúde das mulheres.

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