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Diretor do Google passou 12 dias de olhos vendados no Egito

O jovem egípcio membro da diretoria local do Google –detido durante as manifestações contra o governo do ditador Hosni Mubarak e libertado nesta segunda-feira– afirmou em entrevista à rede privada Dream 2 ter passado 12 dias detido com os olhos vendados.

Na entrevista, divulgada na noite de segunda-feira, Wael Ghonim, chefe de marketing do Google no Oriente Médio e na África, confirmou ser o administrador da página “Todos somos Khaled Said”, criada no Facebook.

Desaparecido desde o dia 28, Wael Ghoneim teria sido detido pelas forças egípcias e foi libertado nesta segunda-feira (7)
Desaparecido desde o dia 28,o funcionário do Google Wael Ghoneim foi detido e passou 12 dias de olhos vendados

O grupo, junto com o Movimento 6 de abril, participou do lançamento da onda de protestos contra o presidente, que começaram em 25 de janeiro.

“Tive os olhos vendados durante 12 dias, eu não escutava nada, não sabia de nada”, contou, indicando ter sido preso no dia 27 de janeiro e passado os dias seguintes em poder dos temidos serviços de segurança egípcios.

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) expressou no domingo (6) sua preocupação com a possibilidade de que Ghoneim fosse torturado durante sua prisão.

Segundo a ONG, que citava testemunhos oculares, Wael Ghoneim foi detido por homens à paisana, provavelmente membros dos serviços de segurança egípcios, durante as manifestações.

RISCO DE TORTURA

Mais cedo nesta segunda-feira a AI alertara sobre o risco de tortura e maus tratos contra o funcionário do Google detido no Egito, Wael Ghuneim.

O diretor havia saído de Dubai ao Egito para uma viagem de negócios e chegou a presenciar as manifestações na praça Tahrir. A família do funcionário passou a desconfiar do seu desaparecimento depois que ele faltou a uma reunião com o irmão. Eles tentaram contato, mas perceberam que os telefones estavam desconectados.

“As autoridades egípcias devem informar o paradeiro de Wael Ghuneim e devem libertá-lo ou acusá-lo de um crime reconhecido”, declarou mais cedo em comunicado o subdiretor da ONG para o Oriente Médio e norte da África, Hadj Sahraoui.

JORNALISTAS

No último domingo, as forças de segurança detiveram mais um jornalista da TV Al Jazeera. O norte-americano, Ayman Mohyeldin, foi levado da praça Tahir onde os manifestantes se reúnem pelo 13º dia seguido.

A empresa já havia sido vítima de violência no país. Na sexta-feira, a sede da TV no Cairo foi invadida e incendiada e no sábado, o diretor do escritório e um outro repórter haviam sido detidos. A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) já conta ao menos 75 os jornalistas atacados durante a cobertura dos protestos antigoverno, entre eles brasileiros

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