Comunidade Brasileira na Flórida leva esperança às vítimas do Rio

Os brasileiros que moram em Orlando, Miami e toda região do condado de Broward estiveram arrecandando doações para os desbrigados  na região serrana do Rio de Janeiro, especialmente os moradores das cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, vítimas da maior catástrofe natural do Brasil e uma das dez piores do mundo no último século, que já registra mais de 850 mortes e há mais de 500 desaparecidos. Quase 30 mil estão fora de suas casas.

De acordo com o levantamento da Promotoria, Teresópolis tem 239 desaparecidos, Nova Friburgo possui 169. Petrópolis procura por 61 pessoas.

Três pessoas são procuradas em Sumidouro, duas em Bom Jardim, uma em São José do Vale do Rio Preto e outras 43 em localidades não informadas.

A lista nominal pode ser consultada no site do Ministério Público. Em Petrópolis, o cadastro de desaparecidos está funcionando na Coordenação do Centro Regional, na rua Marechal Deodoro 88, no centro, ou no distrito de Itaipava, na estrada União Indústria, sem número, ao lado do Corpo de Bombeiros.

As cidades de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro, São José do Vale do Rio Preto, Bom Jardim e Areal foram as mais afetadas e decretaram estado de calamidade pública.

Serviços como água, luz e telefone foram interrompidos, estradas foram interditadas, pontes caíram e bairros ficaram isolados. O número de mortos passa de 800 Igrejas, entidades sociais, empresas de transporte e a Tam Airlines estão se mobilizando para recolher doações e enviar containers para o Brasil. Na região de Broward, a Primeira Igreja Batista Brasileira da Flórida fez mutirão solidário em prol das vítimas da região serrana do Rio de Janeiro, com “yard sale”, lavagem de carro e almoço, para arrecadação de dinheiro para as vítimas das enchentes. A Igreja New Life está recebendo doações de produtos de higiene pessoal como pasta de dentes, sabonete, cotonete, papel higiênico, fraldas descartáveis, “wipes” e “hand sanitizers”.

Várias empresas brasileiras, como a Padaria Brasil, se tranformaram em pontos de recolhimento de doações para os desabrigados. As doações foram enviadas ao Brasil via Tam Airlines e contaniers estão sendo preparados para o envio de roupas e produtos não perecíveis e de higiene pessoal.

Devido às dificuldades encontradas no envio das doações  arrecadadas, o apelo é para que cada pessoa doe $1 (pode-se doar mais) em contas bancárias de entidades que sejam idôneas. Várias contas foram estabelecidas no Brasil para envio de dinheiro. Veja a lista das contas bancárias:

» SOS Teresópolis
Banco do Brasil.
Agência: 0741-2
C/C: 110000-9
CNPJ – 29.138.369/0001-47

» Prefeitura de Nova Friburgo
Banco: Banco do Brasil.
Agência: 0335-2
Conta: 120.000-3

» Defesa Civil do Rio de Janeiro
Banco: Caixa Econômica Federal.
Agência: 0199
Operação: 006
Conta: 2011-0

Como está a situação na região serrana do Rio

Depois da tragédia que já deixou 850 mortos e 518 desaparecidos, as cidades da região serrana do Rio enfrentam agora as doenças. A secretária de Saúde de Nova Friburgo, Jamila Callil Salim Ribeiro, confirmou que o município vive um surto de leptospirose, com 46 casos notificados, sendo que cinco deles já foram confirmados. Ontem, no abrigo, 19 crianças sofreram um surto de gastroenterite e cinco permanecem internadas para hidratação. Jamila disse que já espera “um longo período de doenças infecciosas” na cidade e pediu paciência à população, pois o principal hospital da cidade ainda funciona de forma precária, sem raio X , banco de sangue e com enfermarias ainda interditadas, por causa de alagamento e lama no local.

Pessoas estão internadas com os sintomas de leptospirose, doença transmitida pela urina dos ratos. Algumas em hospitais públicos e outras em clínicas particulares. “Os pacientes com leptospirose são aqueles que tiveram contato com as águas da enchente nos primeiros dias após a tragédia. No ciclo da doença, os sintomas se manifestam de duas a três semanas com febre alta e dores musculares intensas, principalmente na região da panturrilha. A população deve ter cautela no consumo de água”, afirmou a secretária. Ela disse que antes da chuva a cidade ficava meses sem registrar este tipo de enfermidade. Além das doenças infecciosas, Jamila não descarta a possibilidade de um surto de doenças respiratórias, como asma, devido à quantidade de poeira acumulada nas ruas.

O governador Sérgio Cabral sugeriu ao governo federal que 100% das moradias do programa “Minha Casa, Minha Vida”, na Região Serrana, sejam destinadas às famílias que moram em áreas de risco. Com isso, a Presidente Dilma anunciou um convênio do qual empresas que participam do Minha Casa, Minha Vida construirão 2 mil casas para os desabrigados. O governo entra com o terreno e a infraestrutura. Ótima notícia para o Rio de Janeiro, pois, assim em menos de 1 ano as pessoas já terão de volta uma casa para morar e poder chamar de sua na Região Serrana, que aos poucos está se reerguendo depois da tragédia.

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