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AIDS volta a crescer entre homossexuais em São Paulo

No Dia Mundial de Luta Contra a Aids, comemorado nesta quarta-feira, 1, um levantamento aponta que a incidência do vírus HIV aumentou na última década entre homossexuais masculinos quando comparados a heterossexuais no Estado de São Paulo.

Segundo o Centro de Referência e Treinamento (CRT) DST/Aids, da Secretaria de Estado da Saúde, 35 a cada 100 pessoas infectadas pelo vírus em 2009 eram homossexuais. A proporção, em 2000, era de 24 a cada 100. Apesar disso, o número de novos casos de contaminação pelo vírus no período caiu – de 10.493 soropositivos, em 2000, para 4.727, em 2009.

A tendência sugere um retorno ao quadro epidemiológico da doença no início dos anos 1980, quando homossexuais eram considerados o principal grupo de risco. “Há muito tempo não se fala mais em grupo de risco e isso precisa ser retomado”, afirma o infectologista do Hospital 9 de Julho, Gustavo Johanson.

Para evitar diagnósticos tardios, Johanson destaca a importância do teste do HIV. “Todos que têm vida sexual ativa e que tenham, ao menos uma vez, transado sem preservativos devem fazer o teste”. Segundo ele, pessoas com mais de três parceiros sexuais por semestre e homossexuais devem se considerar no grupo de risco e fazer o teste com mais frequência.

Desde 1998 o número de pessoas com HIV tem diminuído, assim como a taxa de mortalidade. O CRT aponta que o número de óbitos causados pela aids caiu de 22,9 mortes a cada 100 mil habitantes para 7,8 mortes. “O fato de não ter mais o estigma da morte faz com que as pessoas não se preocupem tanto em diagnosticar e tratar a doença”, explica a infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro do CRT, Simone Temore.

Há dois anos R., que preferiu não se identificar, convive com a doença. Homossexual, o estudante, de 22 anos, diz que foi pego de surpresa pelo diagnóstico positivo após uma relação sexual sem preservativo com um desconhecido. “Foi aquele sentimento de nunca imaginar que poderia acontecer comigo. Sabia dos riscos. Não faltou informação”, conta.

Também não foi por falta de informação que o publicitário André, 21 anos, que pediu para não ter o sobrenome divulgado, se infectou. “Estudei em bons colégios e conversava, relativamente, sobre sexo com meus pais. Foi ‘vacilo’, tesão e excitação do momento”. Os dois contam que não estão preparados para assumir a doença. “Não quero que ninguém me julgue, nem sinta pena”, fala R.

Diagnosticar a doença precocemente é a melhor maneira de garantir maior sobrevida. “Ter o vírus não é uma sentença de morte. A aids pode e deve ser tratada”, esclarece a diretora de vigilância epidemiológica do CRT, Angela Tayra.

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