Você tem boa inteligência social?

Se já era fundamental o bom relacionamento entre os grupos de humanos antepassados, fato que os levou à sobrevivência através da forte interação que permitiu a troca de objetos comuns à época e a expansão do horizonte mental (flexibilidade para se adaptar e dar continuidade à espécie), calcule a sua importância nos dias de hoje, cuja complexidade tanto cerebral quanto psíquica evoluiu significativamente, gerando novas demandas de convívio social.

Residem em nós muitas informações genéticas que determinam a nossa continuidade enquanto espécie, e, a seu respeito, é possível destacar dois pontos antagônicos que sempre buscam o equilíbrio no jogo da vida: um deles é o egoísmo, que tem por objetivo nos levar à sobrevivência, custe o que custar; e o outro, é o altruísmo, pois precisamos do apoio mútuo para que não nos destruamos exatamente pelo abuso da dosagem egoísta.

Relacionar-se bem, então, tornou-se a chave vital para que se abram as portas de acesso das pessoas e façam fluir os típicos benefícios advindos da troca. E pode-se afirmar que já alcançamos um razoável grau de qualidade nas relações humanas. O fato, contudo, é que tal patamar qualitativo vem se tornando deficiente cada vez mais. É preciso aperfeiçoar a inteligência social aprendendo novas lições na escola dos hábitos e costumes humanos.

Um tipo de conhecimento pouco difundido e raramente utilizado são os temperamentos com os quais nascemos e, por sua magnitude e força, nos ajudam a moldar o jeito de ser até os últimos dias de vida. Dois temperamentos, o Melancólico (analítico, desconfiado) e o Fleumático (organizado, indeciso), refletem-se no perfil retraído, tímido, de poucas palavras; os outros dois, o Sanguíneo (entusiasta, instável) e o Colérico (independente, dominador), dizem respeito ao perfil extrovertido, de maior comunicação. Sabê-los, pode ser não apenas útil do ponto de vista das necessárias redes de relações, mas tende a levar, conforme penetramos em tal universo, ao autoconhecimento e às cruciais mudanças quando necessário.

Assim, vale a pena observar atentamente as pessoas e ponderar sobre que tipos de comportamentos e atitudes, vindos da nossa parte, se encaixam melhor aos temperamentos percebidos em certas ocasiões, haja vista podermos criar novas e adequadas situações de entrosamento com maior controle, e não apenas deixar comodamente tais circunstâncias a cargo da sorte. Quanto mais qualidade houver em cada relação, tanto menos se tropeçará nas pedras do desentendimento e do descaso. E ao examinar cada pessoa com o merecido olhar de um dedicado estudioso, decorrentemente se criará uma atmosfera de maior cordialidade por causa da atenção que obrigatoriamente se estabelece com a mudança de postura.

Logo, mais preocupação com a realidade alheia é capaz de produzir mais altruísmo e aproximação como resposta. Mas isto requer empenhadas e constantes autorrevisões para o exigido autoconhecimento. Você tem boa inteligência social?

Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo, palestrante, professor e mestre em Liderança.                                             Coautor dos livros Gigantes da Motivação, Gigantes da Liderança e Educação 2006. E-mail: selfcursos@uol.com.br.

Related posts