PF procura agenciador que enviou brasileiros ao México

Além do silêncio dos envolvidos no esquema, a maior dificuldade é comprovar o envolvimento dos agenciadores

A Polícia Federal de Governador Valadares, em Minas Gerais, afirmou ontem que tenta descobrir quem é o responsável por planejar a viagem que acabou na morte de dois brasileiros no massacre no México. Além do silêncio dos envolvidos no esquema, a maior dificuldade é comprovar o envolvimento dos “cônsules” – agenciadores que enviam imigrantes clandestinos para o exterior – e responsabilizá-los pelo crime.

Esse tipo de agenciamento é comum na cidade do Vale do Rio Doce e em todo o leste de Minas. Mas, no caso dos amigos Juliard Aires Fernandes, de 20 anos, e Hermínio Cardoso dos Santos, de 24, a tentativa de travessia ilegal para os EUA terminou de forma trágica. Fernandes teve o corpo identificado entre as vítimas da chacina de 72 imigrantes ilegais. Os documentos de Santos também foram encontrados no local do massacre e há suspeita de que ele esteja entre os mortos.

O chefe da unidade da PF em Governador Valadares, delegado Cristiano Campidelli, afirmou que deve conversar com as famílias das vítimas para tentar identificar o responsável pelo planejamento da viagem, iniciada pela Guatemala. Campidelli disse que o objetivo da investigação é tentar apurar as condições em que os jovens “contrataram” a viagem, para verificar se houve algum crime por parte do “cônsul. “O problema é que pôr uma pessoa no avião e enviá-la para fora do país não é crime”, observou. A PF também quer verificar se há relação entre os brasileiros responsáveis pelo esquema e o cartel mexicano.

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