Brasileiro morto no México será identificado por DNA

Amostras de sangue dos pais de Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos – que seria um dos brasileiros mortos no massacre de 72 imigrantes ilegais no México na semana passada – serão coletadas nesta quarta-feira (1º) para exames de DNA.

A coleta será feita por uma equipe da Subsecretaria de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), que chegará à cidade de Sardoá, em Minas Gerais, por volta das 14 horas. O material será enviado ao México para identificação do corpo do lavrador.

Documentos de Santos foram encontrados junto aos corpos dos 72 imigrantes executados. Características do rapaz já foram repassadas pela família às autoridades mexicanas, mas o adiantado estado de decomposição dos cadáveres estaria dificultando a identificação das vítimas do massacre e a confirmação do lavrador como um dos alvos da barbárie. Até o momento, apenas 31 mortos foram identificados. Um deles é o brasileiro Juliard Aires Fernandes, 19 anos.

A informação sobre a coleta de material genético é do prefeito de Sardoá, Edivaldo Carvalhais (PSDB), que enviará uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde para auxiliar nos trabalhos.

Brasileiros mortos eram amigos de infância

Santos viajou para o México com o amigo de infância Aires no dia 3 de agosto. O objetivo era entrar ilegalmente nos Estados Unidos, via fronteira mexicana. Mas os mineiros foram executados por sequestradores junto a outros 70 imigrantes, depois de recusarem uma oferta para trabalharem como matadores de aluguel. A chacina foi descoberta na semana passada e a polícia acredita que o massacre esteja ligado ao tráfico de drogas.

Uma equipe da Prefeitura de Sardoá – formada por médico, psicólogo e assistente social – oferece atendimento às duas famílias desde a última segunda-feira (30). Elas moram na zona rural dos municípios e uma casa fica a 6 km de distância da outra.

Na tarde da última segunda-feira (30), funcionários do Itamaraty ligaram para a família de Santos pedindo características pessoais do filho para que os corpos ainda não identificados fossem checados a partir desses dados.

No México, a onda de violência associada à disputa de dois grupos pelo comando do tráfico de drogas teve mais um capítulo. Um ataque realizado na madrugada desta terça-feira (31), em um bar de Cancún, famoso destino turístico no país, deixou oito mortos.

Bandidos não identificados lançaram coquetéis molotov (bombas caseiras feitas com gasolina) dentro do local e bloquearam a porta, matando seis mulheres e dois homens.

A suspeita é de que a ação criminosa seja de autoria do Los Zetas, o mesmo grupo de traficantes que teria executado os imigrantes. Os assassinatos aconteceram um dia depois da prisão de “La Barbie”, ou Edgar Valdez Villarreal, considerado um dos narcotraficantes mais sanguinários do México.

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