A Moda nossa de cada dia

Basta correr os olhos pelas vitrines mais caprichadas ou ler qualquer reportagem sobre moda e as instruções estão todas lá: não use nada que saia prontinho da loja, misture um grande e variado número de peças, quebre a uniformidade do visual com acessórios ousados, nem pensar em combinar sapato com bolsa. Aliás, nem pensar em combinar nada com coisa alguma. Dá até saudade do tempo do terninho, do preto total e outros recursos simples para facilitar o confronto diário com o guarda-roupa… Pensando melhor, não dá saudade, não. O visual do momento é mais trabalhoso, mas exige mais da imaginação. Por isso, nos dias de hoje, andar na moda é mais do que vestir a roupa do momento, mas ter um estilo que tem tudo a ver com você e que revela a sua personalidade.

Por isso, nesta edição da Linha Aberta vamos falar sobre algo bem descontraído e que interessa a todos. Homens, mulheres e crianças. Pobres e ricos. Os que sempre estão usando os últimos modelitos e aqueles que não dão tanta importância para o que vestem. De uma forma ou de outra, todos nós precisamos vestir e uma indústria bilionária investe toda a criatividade do mundo para conquistar você como cliente. E a moda não só revela o estilo de uma época, como a nossa forma de ser. Quem diria que moda também é cultura! Por isso, páre, relaxe e curta esta reportagem super especial sobre a importância da moda e sua característica peculiar de definir épocas, países e pessoas.

Muita gente fala em modismo, que tudo é moda e, depois de um tempo, aquele estilo fica cafona e ninguém mais usa. E anos depois, lá está ele de volta, revisado, revisitado e super in. A moda se recicla, e volta, envolvida em uma nova fase, reinventada. Quem não se lembra dos colares de pérolas, das meias de lurex, do eterno tubinho. A cada momento, uma nova tendência está de volta. E hoje, podemos dizer que apesar de arrojada, a moda está vivendo um momento único em sua trajetória, onde tudo pode ser usado, desde que bem combinado. Aquele combinado descombinado que dá um certo ar de pós modernidade e neoliberalismo.

Mas, de uma coisa, podemos estar certos, o estilo clássico está revivendo o estilo clássico Chanel  que celebra mais de 100 anos de sucesso desde a abertura do primeiro pequeno negócio de venda de chapéus da estilista, em 1911, em Paris, França. No início, a moda de Gabrielle Chanel, limitava-se apenas à venda de chapéus, e somente em 1919 foi aberta a primeira Maison Chanel (do francês, casa – nome que se dava aos ateliês de costura).

Quando pensamos em moda, podemos dizer que uma peça quando se torna clássica, passa a ser um modelo atemporal que pode ser usado sempre. E quando falamos em clássico, não podemos deixar de citar o nome Chanel, cujas características marcantes são a elegância e sensualidade, que resultam em um visual extremamente feminino, delicado e, principalmente, marcante.  A obra de Chanel quebrou os costumes conservadores, transformando peças antes só usadas por homens em lindos modelos para mulheres. O corte de cabelo que leva seu nome caracteriza-se pelo comprimento curto com leve volume que resulta em um visual marcante, extremamente feminino e sensual. Esse estilo rompeu barreiras antes intransponíveis no século XX, libertando as mulheres e fortalecendo o início de uma época que sucederia a independência das mulheres.

Ela também inovou ao ser a primeira estilista a usar o tecido jérsei (malha fina e macia, antes somente usada para marinheiros) em suas criações, no inicio do século XX, desenvolvendo blusas básicas para o dia a dia e, posteriormente tailleurs. Mas foi uma peça confeccionada em tweed (tecido de lã rústico e grosso) com inspiração clara no vestuário masculino, o terninho, que marcou sua obra e também ganhou feminilidade nas coleções de Chanel, tornando-se um clássico, principalmente pela combinação em preto e branco, provando assim que as mulheres podiam manter a elegância sempre.

Muitos terninhos das vitrines atuais apresentam botões dourados e debruns (fita ou tira de tecido usada para dar acabamento às bordas de tecido) marcantes, típicos de modelos da estilista. Após anos de tendências que não ressaltavam a delicadeza, como a última das jaquetas de couro estilo “motoqueiro”, os olhares dos criadores de moda se voltaram para o universo de Chanel, mulher que sempre viveu à frente de seu tempo.

Porém, quando algo está na moda, significa que todos estão usando e que determinada característica está presente nas coleções, vitrines e guarda-roupas da maioria das pessoas. Sempre que um produto ou tendência nova é lançado, leva-se um tempo para que a aceitação do público chegue ao auge (momento em que todos estão usando), posicionando determinada peça em um produto da moda. O mundo “fashion” se reinventa para se manter vivo e, sendo assim, após o auge vem a queda e com ela a necessidade da criação de uma nova “onda” ou costume.

No entanto, pretinho básico é uma peça indispensável no armário feminino e surpreende por sua versatilidade e elegância. Criado pela estilista Coco Chanel nos anos 20, o vestido pretinho básico, como é conhecido, passou um pouco despercebido na época. Mas foi a partir dos anos 50, quando Christian Dior ressuscitou a idéia e a transformou em sucesso, o pretinho básico veio mostrar todo o seu poder e se tornou um clássico da moda.

Seu estilo básico combina com praticamente tudo e é sinônimo de elegância, quando usado com acessórios, ganha um diferencial e deixa a produção mais elaborada. Qualquer modelo de vestido preto pode ser considerado um pretinho básico. Os estilos com a cintura apertada e quadris avantajados valorizam ainda mais as formas femininas dando poder e sensualidade para a mulher.

A cada década o pretinho básico vai ganhando nova aparência, indo do modelo mais simples até o mais sofisticado, em diversos tipos de tecidos. Por isso, o pretinho básico é a roupa ideal para as mulheres, em qualquer ocasião. Detalhes como o formato da gola, ombros marcados, aplicações, transparência e brilho, dão uma aparência mais moderna ao look e ressaltam ainda mais o poder do pretinho básico.

Um bom exemplo de como usar o pretinho básico é se inspirar em Audrey Hepburn no filme “Bonequinha de Luxo” e apostar nos acessórios clássicos. Além de utilizar um belo vestido pretinho básico, seus acessórios eram compostos apenas por um colar e um brinco de pérolas, que deixavam o look bastante feminino e romântico.

Todas as mulheres devem ter o pretinho básico no guarda-roupa, pois é uma peça que nunca sai de moda e combina com qualquer tipo de acessório e sapato. A dica para variar na composição é apostar em um tipo de acessório diferente em casa ocasião. No dia-a-dia, dê preferência para os vestidos com fios naturais como linho e algodão.

Os acessórios devem ser discretos e sem brilho. Os sapatos devem ser com saltos baixos e formas arredondadas, tênis ou sapatilhas delicadas. Durante a noite os acessórios podem ser mais chamativos e possuir bastante brilho. Invista nas transparências, detalhes e aplicações. Sapatos como sandálias pesadas, meia pata e peep toe ficam ótimos. O uso de blazers e casacos sejam eles coloridos, estampados ou no preto, complementa ainda mais.

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