Massacre dos 72 não é caso isolado, diz especialista

A crise agravou o problema do desemprego nos EUA e Estados como o Arizona tentam aprovar leis que restrinjam ainda mais a vida dos ilegais no território americano. Ainda assim, os imigrantes insistem na difícil chegada ao país. Milhares deles são forçados ao percurso dominado pelo cartel Los Zetas e outros rivais na fronteira do México com os Estados do Texas, Arizona, Novo México e Califórnia.

“A viagem tornou-se cara e perigosa”, afirma ao Estado Maxine Margolis, professora da Universidade da Flórida e uma das mais respeitadas especialistas em imigração brasileira nos EUA. “O incidente dos 72 corpos não foi um caso isolado. Escuto muitas histórias dramáticas de quem chega da região”, acrescenta Natalícia Tracy, professora da Universidade de Massachusetts e diretora executiva do Brazilian Immigrant Center, em Boston.

Os brasileiros, assim como outros latino-americanos que não sejam mexicanos, sofrem mais ao cruzar o México por desconhecer os grupos ligados ao narcotráfico. Coiotes não envolvidos com traficantes são cada vez mais raros, segundo Gabrielle Oliveira, que voltou em julho de pesquisa de campo no México para seu doutorado na Universidade Columbia.

Os não-mexicanos ainda precisam superar a fronteira da Guatemala com o México, segundo o equatoriano Roberto, que chegou aos EUA há alguns meses pela fronteira. Isso prolonga o tempo da viagem para mais de um mês. “Ficamos nas mãos de bandidos por semanas. Primeiro para entrar no México e depois para sair. Andamos dias no deserto até chegar.”

Lourdes morava ilegalmente em Nova York há sete anos quando, no início do ano, foi ver a mãe que estava doente no México. Semanas antes de voltar a Nova York, entrou em contato com coiotes.

“Foram dez dias ao todo, de quando começamos a caminhar até chegar a Nova York”, afirma Lourdes, que viajou com seis mexicanos. Primeiro, um dia até a fronteira. De lá, seguiram pelo deserto até o Arizona. “Dormíamos de dia e andávamos à noite.” Foram três dias. A primeira parada foi em uma reserva indígena. Segundo Lourdes, “eles trabalham com os coiotes”. Depois, seguiu para um apartamento de um quarto com outras 18 pessoas em Phoenix. Na etapa final, foram três dias de viagem em uma van até Nova York.

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