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EUA convidam Israel e palestinos para diálogo

Diplomatas e fontes ligadas às negociações afirmaram nesta sexta-feira que as lideranças palestinas e de Israel aceitaram retomar conversas diretas de paz no próximo dia 2 de setembro em Washington, nos Estados Unidos. A retomada romperia 20 meses de interrupção no diálogo direto pela paz no Oriente Médio, um processo que se arrasta há 62 anos.

Os EUA, sob o novo presidente Barack Obama, renovaram os esforços para avançar nas conversas de paz entre seu aliado Israel e a liderança palestina. Desde maio, o enviado americano para o Oriente Médio, George Mitchell, atua como mediador das chamadas “conversas de proximidade” entre o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas –sem grandes avanços.

“A declaração já está preparada e é positiva. Nela se anunciará que as conversas diretas começarão em Washington no dia 2 de setembro”, disse um diplomata russo à agência de notícias Interfax.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, também se prepara para fazer um anúncio no Departamento de Estado nesta sexta-feira, segundo dois funcionários, que pediram anonimato.

Segundo o diplomata russo, o Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, ONU, Rússia e União Europeia) fará um anúncio oficial a respeito por volta das 12h.

O Quarteto espera que um tratado que crie um Estado palestino em paz com Israel seja concluído em um ano.

Segundo o texto do anúncio, obtido pela agência de notícias Reuters, o quarteto defende um acordo que “encerre a ocupação que começou em 1967 e resulte no surgimento de um Estado palestino independente, democrático e viável, convivendo em paz e segurança com Israel e seus outros vizinhos.”

A nota não cita explicitamente os reiterados apelos do Quarteto para que Israel suspenda a ampliação de seus assentamentos na Cisjordânia, que é parte dos territórios reivindicados pelos palestinos.

“O Quarteto expressa sua determinação de apoiar as partes por meio de negociações que possam ser completadas dentro de um ano, e da implementação de um acordo”, diz a nota, acrescentando que ambas as partes devem evitar ações provocativas e a retórica inflamada.

IDAS E VINDAS

As negociações de paz lançadas em Annapolis (EUA), no final de 2007, estão estagnadas desde dezembro de 2008, quando os palestinos abandonaram o processo de paz após o início da ofensiva militar israelense contra a faixa de Gaza, que deixou cerca de 1.400 palestinos mortos, na maioria de civis.

Posteriormente, Abbas se negou reiteradamente a voltar à mesa de negociação enquanto Israel não paralisasse totalmente a ampliação das colônias judaicas na Cisjordânia.

Em março passado, Abbas aceitou iniciar conversas indiretas de paz sem que se tivesse cumprido sua exigência, mas a aprovação da ampliação de uma colônia em Jerusalém Oriental, durante a visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, jogou por terra a possibilidade e originou a maior crise diplomática em décadas entre Israel e Washington.

Em visita à Casa Branca em julho, Netanyahu disse estar disposto a tomar passos concretos e seguir com o plano mediado pelos EUA de iniciar diálogo direto em setembro próximo. Ele não afirmou, contudo, quais seriam os requisitos israelenses, ou, ainda mais importante, o que Israel estaria disposto a ceder pelo diálogo.

Por outro lado, semanas depois, Abbas decretou o que considera os termos essenciais para retomar as conversas diretas.

Ele disse que Israel precisa concordar que o futuro Estado palestino deve incluir as terras ocupadas na guerra de 67. Os palestinos querem estabelecer seu Estado na Cisjordânia e na faixa de Gaza, com Jerusalém Ocidental como capital –pedido rejeitado por Israel, que considera toda Jerusalém sua eterna capital.

Segundo Abbas, deve haver ainda uma terceira parte garantir a segurança do futuro Estado palestino. A segurança da Palestina poderia ser entregue à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) –um compromisso que reduziria os temores de Israel de que os palestinos se armariam pesadamente. Israel, contudo, quer manter uma presença no vale da Jordânia, ao longo da fronteira da Cisjordânia.

Há ainda a condição de uma troca justa de terras pelas áreas da Cisjordânia ocupadas com assentamentos judaicos. Palestinos já disseram que não aceitariam uma ocupação superior a 2% do território cisjordaniano.

As pressões diplomáticas se intensificaram nos últimos dias, já que em 26 de setembro vence a moratória de dez meses para a construção de assentamentos nas colônias judaicas da Cisjordânia.

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