China: defeitos em avião da Embraer

A Aviação Civil da China detectou há alguns meses falhas técnicas em aviões Embraer E-190, mesmo modelo que aquele que se acidentou na última terça-feira no nordeste do país, causando a morte de 42 pessoas e deixando 54 feridos, informou a agência oficial “Xinhua”.

De acordo com a fonte estatal, tinham sido detectados problemas técnicos em um dos 30 aparelhos deste modelo que operam na China (cinco da Henan Airlines, à qual pertencia o avião acidentado, e 25 da Tianjin Airlines). Ainda não se sabe, porém, se o acidente foi causado por falha técnica ou humana.

As investigações preliminares mostram que o avião aterrissou longe da pista, causando a destruição da cabine e uma pequena explosão que incendiou parte do aparelho.

De acordo com a “Xinhua”, a Aviação Civil chinesa realizou em junho uma reunião para discutir os problemas, entre eles fendas em placas das turbinas e informações erradas nos sistemas de controle de voo.

Horas depois de receber informações sobre o acidente, a Embraer enviou uma equipe de especialistas a Yichun, a localidade do nordeste da China onde o avião se acidentou, para ajudar a investigar o fato.

Enquanto isso, a Henan Airlines, que só conta com aviões do modelo da Embraer em sua frota, suspendeu temporariamente todos seus voos, entre eles o que faz a rota entre Harbin e Yichun (iniciado há apenas duas semanas).

O aeroporto de Lindu, nos arredores de Yichun e onde aconteceu o acidente, foi reaberto nesta quinta-feira, um dia antes de ser completado um ano de sua inauguração, segundo a “Xinhua”.

O diretor-geral da companhia aérea, Li Qiang, foi destituído e substituído pelo chefe de pilotos da Shenzhen Airlines, empresa proprietária da Henan.

A imprensa local chinesa mostrou dúvidas sobre a capacidade do aeroporto de Yichun, inaugurado em 2009, para realizar voos noturnos, assim como o local do aeroporto, aparentemente rodeado de massas florestais (o próprio nome da instalação, Lindu, significa “Capital da Floresta”).

Os investigadores também destacaram, por outra parte, que por enquanto há sinais de uma possível sabotagem.

O acidente põe fim a uma sequência de quase seis anos sem acidentes na aviação civil chinesa. O último tinha acontecido em novembro de 2004, quando um Bombardier CRJ-200 da China Eastern Airlines caiu pouco depois de decolar na cidade de Baotou, da região autônoma da Mongólia Interior, causando 55 mortes.

Por conta do acidente desta semana, grandes companhias aéreas nacionais como a China Eastern e sua concorrente China Southern organizaram reuniões de emergência para revisar as medidas de segurança de seus aparelhos.

Muitos dos feridos no acidente continuam recebendo tratamento, e, segundo os médicos, cinco crianças que viajavam no avião se encontram em estado “crítico”.

Quatro delas sofreram queimaduras em seu aparelho respiratório e estão em situação muito grave, segundo o médico Wang Yongchen, subdiretor do hospital onde estão sendo tratadas, em Harbim.

Outros 10 feridos estão em situação grave, entre eles um vice-ministro do Governo chinês que viajava no aparelho, cujo nome não foi revelado, por enquanto.

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