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Brasileiros ilegais mortos no México

Um equatoriano foi o único sobrevivente de um massacre no México; quatro das vítimas são brasileiros

Brasileiros estão entre imigrantes ilegais massacrados no México

Cena macabra. Autoridades mexicanas encontram 72 corpos em vala comum em fazenda perto da fronteira do país com os EUA; grupo de latino-americanos teria sido morto por traficantes do cartel Los Zetas quando tentava entrar em território americano.

CIDADE DO MÉXICO
Autoridades mexicanas encontraram ontem 72 corpos de imigrantes em uma vala comum em uma fazenda em San Fernando, na região da fronteira com os EUA. Entre as vítimas estão pelo menos quatro brasileiros, segundo o Itamaraty, além de equatorianos, salvadorenhos e hondurenhos. O grupo, que tentava entrar ilegalmente em território americano, teria sido morto por traficantes do cartel Los Zetas, formado por ex-militares.

Este é o maior massacre relacionado à guerra ao narcotráfico no México desde 2006. As autoridades não sabiam ontem informar com precisão a data em que ocorreram os assassinatos.

O Itamaraty confirmou que pelo menos quatro vítimas seriam brasileiras, mas a presença ilegal no México deve dificultar a identificação das vítimas. Segundo a chancelaria brasileira, é cedo para determinar o número exato de brasileiros entre os mortos.

Entre as vítimas estão 52 homens e 14 mulheres. Investigações preliminares indicam que o grupo, levado até o local por coiotes (traficantes de pessoas), foi sequestrado por traficantes.

A denúncia foi feita por uma testemunha que sobreviveu ao massacre, um equatoriano que foi baleado na garganta e estava internado em um hospital da região. Segundo ele, as vítimas foram executadas por rejeitar a oferta de prestar serviços para o cartel.

Ferido, o equatoriano pediu ajuda em um posto de controle da Marinha mexicana, afirmando ter sido atacado por atiradores de cartel Los Zetas em uma fazenda próxima a San Fernando. Soldados invadiram o local indicado pelo sobrevivente. Um menor foi preso na operação, que incluiu um ataque aéreo. Os corpos foram localizados enquanto os militares faziam buscas na fazenda. Foram apreendidas armas, munições e caminhões, um deles com placa clonada do Ministério da Defesa.

Em depoimento, o homem relatou que ele e o grupo de imigrantes ilegais tentava entrar nos EUA quando foram interceptados na fazenda, que supostamente pertenceria aos Zetas. Os criminosos teriam tentado obrigá-los a integrar-se ao grupo, como assassinos de aluguel por um salário de US$ 1 mil quinzenais.

Há informações de que organizações criminosas participam do sequestro e da extorsão de imigrantes ilegais que pretendem seguir para os EUA. Em alguns casos, como parece ser o de Tamaulipas, os cartéis tentam recrutá-los.

Falta de “mão de obra”. Para o porta-voz de Segurança do governo federal mexicano, Alejandro Poiré, o sequestro “sugere que algumas organizações criminosas estão enfrentando uma situação adversa para se manter”, tanto em relação aos recursos econômicos quanto para o recrutamento de pistoleiros.

No ano passado, a Comissão de Direitos Humanos estimou que 10 mil imigrantes ilegais, a maioria da América Central, foram sequestrados no México em seis meses. A maioria dos sobreviventes identificaram os sequestradores como integrantes dos Zetas.

A cidade de San Fernando é considerada uma zona de influência dos Zetas no Estado de Tamaulipas, onde o grupo disputa território com o cartel do Golfo, dos quais teriam se desvinculado em 2003, após a prisão do ex-líder do Golfo Osiel Cárdenas Guillén.

Militares de elite. Os Zetas são formados por desertores do Exército mexicano, ex-integrantes de uma unidade de elite treinada pela CIA, a agência de inteligência americana, e ex-soldados da Guatemala.

O grupo foi treinado para combater o narcotráfico na região da fronteira com o Texas, mas acabou se transformando em um dos cartéis mais violentos e fortemente armados do país.

No mês de junho, um candidato a governador foi assassinado no Estado a seis dias das eleições. A violência provocada pelo narcotráfico matou mais de 28 mil pessoas em todo país desde 2006, quando o presidente mexicano, Felipe Calderón, declarou guerra contra os cartéis.

Nos últimos dois meses, outras duas grandes valas clandestinas foram encontradas pela polícia. Autoridades acreditam que os grupos criminosos usam os locais para desovar corpos de inimigos.

Em 7 de junho, 55 cadáveres foram retirados de uma mina abandonada no Estado de Guerrero, no sul do país. No dia 24 de junho, outros 51 corpos foram resgatados em nove valas no Estado de Nuevo León, no norte, numa região disputada pelo cartel do Golfo e os Zetas.

PARA LEMBRAR

Em outubro de 2005, o México passou a exigir visto de brasileiros. Desde fevereiro de 2004, turistas do Brasil podiam ficar no país por até 180 dias sem nenhum requerimento especia. A mudança tentava evitar que o México continuasse a ser usado como rota de imigração ilegal por brasileiros que desejavam chegar aos EUA. Na época, o Brasil era o terceiro país que mais enviava imigrantes para o território americano. Só ficava atrás de Honduras e El Salvador. Para o visto mexicano, passaram a ser exigidos comprovantes de renda, residência, bem como escrituras de imóveis. Brasileiros que tenham o visto americano podem entrar no México sem visto.

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