Ficar em casa depois de um dia de trabalho

Josias da Silva

Uma dos critérios para medir o grau de saúde de uma família é quando, no final de um dia de trabalho, pensar em voltar para casa produz sensação de conforto. Quando o lar é um refúgio, lugar de aceitação e trocas afetivas; de apoio mútuo e bem-querer recíproco, é muito bom voltar.

Toda família tem seus conflitos, suas adversidades, seus problemas. Nenhum lar, por mais compacto que seja, é blindado ou inatingível. A crise sempre se faz vizinha: uma enfermidade que se instala, um filho que não vai bem na escola, a perda do emprego, um deslize de palavra, uma explosão de raiva, entre outros conflitos.

Nada, entretanto, substitui, aqui na terra, a vida vivida a partir de um ambiente familiar saudável. É bom saber que em casa estão, provavelmente, nossos verdadeiros amigos: que se solidarizam intensamente com nossa dor e nossas conquistas; que nos estendem a mão, mesmo quando erramos feio. Quando o mundo nos abandona, é sempre o acolhimento familiar que nos livra do caos.

É esse clima de cumplicidade responsável na família que ainda mantém pessoas querendo voltar para casa, para encontrar ali, o que raramente encontram no ambiente de trabalho, ou em qualquer outro lugar.

É isso que encoraja a maioria das pessoas a se casar e ter filhos. É, também, a saudade de um ninho familiar que leva a maioria dos divorciados a tentar novamente.

Não fecho a porta à alternativa do divórcio, em situações particulares. Costumo dizer aos meus aconselhandos, que divórcio não é remédio, é uma amputação. E há situações em que somente uma amputação é a saída menos traumática. Todavia, é triste ver famílias se partindo, sobretudo, filhos jogados de um lado para o outro, simplesmente porque a relação foi desabando aos poucos, sem que reparos fossem feitos. São eles que mais sofrem com a separação dos pais.

Por essa razão, creio que devemos fazer o possível para manter a saúde de nossas famílias e, em particular, de nossos casamentos. Além de viver e conviver debaixo do mesmo teto, devemos andar debaixo de muito afeto.

Por isso, é necessário cuidar melhor do ninho familiar. Nesse sentido, é fundamental reparar as brechas, cultivar a sabedoria emocional, trocar mais idéias desentupindo as veias da comunicaçào que irrigam nossas relações; buscar compreender melhor o outro e, quando errar, fazer o devido resgate, sem demora.

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