Reforma Imigratória em 2010

No dia 09 de abril, o New York Times publicou como matéria de capa uma reportagem que trouxe novas expectativas para os imigrantes que aguardam a reforma imigratória nos EUA. De acordo com o jornal o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve iniciar ainda este ano as discussões sobre a reforma do sistema de imigração do país, podendo abrir caminho para a legalização de cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais.

Segundo informações fornecidas ao jornal por Cecilia Muñoz, vice-assistente de Obama e diretora de assuntos intergovernamentais da Casa Branca, o presidente deverá falar publicamente sobre o assunto em maio e, durante o verão americano, serão estabelecidos grupos de trabalho, compostos por legisladores dos partidos Democrata e Republicano, para discutir um esboço de legislação até o fim deste ano.

Durante a campanha para a Presidência, Obama prometeu a milhões de imigrantes de origem hispânica (que votaram em massa no então canditato democrata) que a reforma das atuais regras de imigração seria uma das prioridades de seu primeiro ano de governo.

Para muitos, as discussões podem causar polêmica, em um ano em que o Obama tenta combater a crise no país com tantas outras “batalhas para lutar”.

Porém, neste mês o presidente do FED (Federal Reserve, o BC Americano), Ben Bernanke, declarou  que há sinais de tentativa da economia americana de sair da recessão em que se encontra desde dezembro de 2007. Segundo Bernanke, já podem ser vistos sinais de que a queda acentuada na atividade econômica pode estar diminuindo e que o equilíbrio da atividade econômica é o primeiro passo em direção à recuperação.

Como qualquer expectativa por uma recuperação duradoura depende do sucesso do governo em estabilizar os mercados financeiros e fazer com que o fluxo de crédito seja restabelecido no país assim também acredita-se que a reforma imigratória impulsionará a economia do país.

O presidente reconhece que o assunto imigração é um campo minado em potencial e uma questão que desperta emoções.

Segundo relatos das autoridades americanas, os planos da Casa Branca não prevêem levar novos trabalhadores à força de trabalho americana, mas legalizar cerca de 12 milhões de imigrantes em situação de ilegalidade que já estão trabalhando no país.

Em linhas gerais, a futura legislação aceitaria os imigrantes ilegais por meio de um esquema que reconhece a violação à lei e prevê multas e outras penalidades. A legislação ainda deverá incluir medidas para prevenir imigração ilegal no futuro, como maior vigilância nas fronteiras e punições para empregadores que contratarem ilegais.
O que vemos hoje é um quadro que parece alinhar-se com o momento tão esperado por todos, a tão sonhada reforma que beneficiará milhares de imigrantes.

Outro fato que ascendeu ainda mais a esperança foi o acordo fechado entre os dois maiores sindicatos de trabalhadores dos EUA  para apoiar a reforma imigratória que deverá ser proposta pelo presidente Barack Obama.

O sindicato A.F.L.-C.I.O., o maior deles com centenas de milhares de afiliados, e o Change to Win, dissidência do A.F.L. nascida em 2005, devem anunciar nesta terça-feira algumas medidas que gostariam de ver debatidas no Congresso em setembro.

Na última vez que o Congresso americano tentou aprovar reforma imigratória em 2007, incluindo a legalização dos 12 milhões de ielgais no país, os dois sindicatos não conseguiram costurar um plano de apoio em comum. E a reforma foi reporvada.

Dessa vez, líderes sindicais garantem que legalizar os estimados 7 milhões de trabalhadores irregulares é a única maneira de proteger os direitos de todos os trabalhadores americanos. No entanto, os dois grupos defendem a limitação no número dos chamados “guest workers”, que são os “trabalhadores convidados”, trazidos de fora do país a cada ano, reiterando a palavra de Cecilia Muñoz.

O apoio dos sindicatos não poderia chegar em melhor hora. Enquanto é crescente o temor de que mais americanos possam perder seus empregos  (no momento já são 5 milhões de desempregados), os sindicalistas demostram que a Casa Branca pode agüentar a pressão de grupos direitistas e anti-imgrantes, já que eles, como representantes dos trabalhadores americanos, acham que legalização seria o caminho mais justo.

Como em se tratando de imigrantes nos EUA nem tudo pode dar certo sem aparecer uma pedra no caminho, líderes nacionais da Câmara do Comércio querem brigar pela expansão de um plano para atrair mais “trabalhadores convidados” para os Estados Unidos.

“Se os líderes sindicais acreditam que eles vão conseguir aprovar qualquer plano de reforma imigratória sem o apoio da Câmara do Comércio, eles estão loucos,”disse Randel Jonhson, vice-presidente da Câmara do Comércio para assuntos de trabalho, imigração e benefícios empregatícios.

“Só haverá uma chance de se aprovar esta reforma. E como moeda de troca para aprovar a legalização, nós precisamos expandir o programa de trabalhadores convidados,” acrescentou Johnson.

Ao que tudo indica teremos boas notícias por vir e é o que todos esperam.

BENEFÍCIOS DA REFORMA

Todos os dólares e cents da reforma imigratória trarão muitos benefícios a economia dos Estados Unidos. O lucro econômico líquido para o país seria de 66 bilhões de dólares dentro da receita estatal e federal, segundo relatório publicado.

O relatório, que pertence ao não-partidarista  Immigration Policy Center destaca que a Florida é um dos estados que mais lucrará se for fornecido aos imigrantes ilegais um caminho a legalização. Somente no Estado, mais de 500.000 imigrantes trabalhadores serão beneficiados.

O economista David Kallick do Fiscal Policy Institute contribuiu com o estudo e explica que  neste momento bilhões de dólares estão deixando de chegar nos bolsos dos empregadores principalmente por que eles estão empregando pessoas  “escondidas” dentro da economia e consequentemente esses trabalhadores nao estão nas folhas de pagamento e nao estão pagando outros impostos.

Os que criticam a reforma acusam os trabalhadores indocumentados de “roubarem” os empregos dos americanos, muitos no país querem a deportação de todos os imigrantes que estãoilegais no país. Kallick argumenta que os imigrantes não ocupam empregos com altos salaries, e mais, afirma que trabalhadores legais no país ajudarão a impulsionar toda a economia.

Isto é também a visão de Esther Lopez, diretora de direitos civis e ação comunitária da United Food and Commercial Workers Union International . Ela diz queas organizações trabalhistas reconhecem que a legalização será muito benéfica a todos os trabalhadores  e uma grande passo para a reedificação da classe média.

“Precisamos de um sistema de imigração que seja parte do programa nacional de recuperação da economia. Nós precisamos de uma reforma imigratória que vai punir empregadores que subjugam seus empregados debaixo de baixas condições salariais e deficientes condições de trabalho.

O documento contendo todos os benefícios da reforma imigratória pode ser lido online no www.immigrationpolicy.org.

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